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Início » Últimas Notícias » POMO3 paga 20% em dividendos e negocia a 6x lucro
Dividendos

POMO3 paga 20% em dividendos e negocia a 6x lucro

Com ROE perto de 30%, P/L abaixo da média e forte avanço no exterior, ação chama atenção em meio ao Ibovespa a 186 mil pontos mas há riscos no radar.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins19 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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POMO3 paga 20% em dividendos e negocia a 6x lucro
POMO3 paga 20% em dividendos e negocia a 6x lucro

Com o Ibovespa na região dos 186 mil pontos, muitos investidores passaram a garimpar oportunidades fora do radar das blue chips. Nesse cenário, a Marcopolo (POMO3) voltou ao centro das atenções.

A empresa entregou aproximadamente 20% de dividend yield nos últimos 12 meses, realizou bonificação relevante superior a 10% no fim do ano passado e ainda negocia a múltiplos considerados baixos para o padrão de qualidade apresentado.

Mas será que ainda existe margem de segurança?

Indicadores que chamam atenção no radar do investidor de longo prazo

A Marcopolo apresenta um conjunto de fundamentos que agrada ao investidor buy and hold:

  • P/L de 6,4 vezes

  • ROE próximo de 30%

  • Margem líquida acima de 13%

  • Dívida líquida/EBITDA de apenas 0,74x

  • Free float de 74% e boa liquidez diária

  • Midcap com valor de mercado próximo de R$ 8 bilhões

Trata-se de uma empresa que, nos últimos anos, mostrou crescimento consistente de receitas e lucros, além de forte geração de caixa.

Se projetarmos crescimento de lucro na faixa de 10% ao ano, o múltiplo implícito cairia para algo próximo de 5,5 vezes lucros, um patamar raríssimo para empresas com esse nível de rentabilidade.

O que mudou nos resultados mais recentes?

No 3º trimestre de 2025, a empresa apresentou:

  • Crescimento de 8% na receita operacional líquida

  • Forte avanço das receitas no exterior (+51%)

  • Retração de 15% no mercado interno

  • Queda da margem EBITDA de 20% para 16,8%

  • Lucro líquido estável na comparação anual

A retração doméstica ocorreu em meio à queda de cerca de 10% na produção de veículos pesados no Brasil. Entretanto, a companhia compensou com crescimento robusto nas exportações e operações internacionais.

Essa diversificação geográfica é hoje um dos grandes diferenciais da empresa.

Expansão internacional vira motor de crescimento

A Marcopolo tem ganhado espaço no mercado americano e ampliado sua presença global. Esse movimento reduz dependência do ciclo econômico brasileiro e cria novas avenidas de crescimento.

A receita internacional já representa parcela relevante do faturamento, funcionando como hedge natural contra fraquezas internas.

BlackRock eleva participação e reforça tese

Outro ponto que movimentou o mercado foi o aumento de participação da BlackRock, que passou a deter mais de 5% das ações preferenciais da companhia.

A gestora informou que o movimento tem caráter exclusivamente de investimento, sem intenção de alterar controle ou estrutura administrativa. Ainda assim, o gesto reforça a percepção de valor destravável na companhia.

Riscos no radar: setor cíclico e pressão de margens

Apesar do valuation atrativo, é preciso ponderar:

  1. O setor de carrocerias de ônibus não é perene.

  2. Há retração na demanda doméstica por veículos pesados.

  3. Margens operacionais sofreram compressão recente.

  4. Bonificações e dividendos elevados impactam o caixa futuro.

Ou seja: a ação pode estar barata, mas não está “de graça”.

Bradespar: desconto atrativo ou risco oculto?

Outra empresa que entrou no debate dos investidores foi a Bradespar, holding que possui participação relevante na Vale.

Negociando a cerca de 8 vezes lucros e com dividend yield de aproximadamente 14%, a ação embute um desconto de cerca de 25% em relação à Vale.

Porém, existem riscos importantes:

  • Disputa bilionária com fundos de pensão (até R$ 3 bilhões)

  • Possível impacto de R$ 2 a R$ 3 por ação em caso de derrota

  • Dupla tributação em JCP via holding

  • Descolamento recente do preço das ações em relação ao minério de ferro

A forte valorização recente (cerca de 47% em seis meses) exige cautela para não entrar próximo ao topo.

Sanepar: estatal eficiente que pode surpreender

Por fim, a Sanepar continua sendo vista como empresa sólida para longo prazo.

Destaques:

  • Retorno superior a 100% em cinco anos (incluindo dividendos)

  • Histórico de margens acima da média do setor

  • Endividamento controlado após recebimento de precatórios

  • Intenção de disputar concessões fora do Paraná

Contudo, houve compressão relevante na margem EBITDA (de 48% para 30%) devido ao aumento de custos operacionais.

Além disso, parte do lucro recente foi impulsionada por eventos não recorrentes (precatórios), o que exige ajuste na análise.

Uma eventual privatização futura poderia funcionar como gatilho adicional ainda que sem prazo definido.

Small caps ainda têm espaço?

Com o Ibovespa em patamar elevado, encontrar empresas negociando a múltiplos de 5x ou 6x lucros não é comum.

A Marcopolo reúne:

Crescimento consistente
Forte geração de caixa
Dividendos elevados
ROE robusto
Diversificação internacional

Mas também apresenta:

Setor cíclico
Pressão de margens
Dependência de cenário econômico

Para o investidor de longo prazo que busca qualidade com desconto, o papel merece estudo aprofundado — sem euforia e com disciplina no preço de entrada.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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