O Nubank deu o passo mais importante da sua história: depois de 12 anos atuando como fintech e instituição de pagamento, a empresa decidiu solicitar oficialmente ao Banco Central uma licença bancária para operar como um banco completo no Brasil. A mudança marca uma virada estratégica diante do avanço das novas normas impostas às fintechs e de um aumento expressivo na carga tributária do setor.
A decisão vem em meio a um cenário desafiador. Recentemente, o Banco Central apertou a regulação sobre instituições de pagamento, exigiu capital mínimo mais robusto — entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões —, além de criar regras mais rigorosas para uso do termo “bank” ou “banco” em nomes comerciais. Ao mesmo tempo, um projeto já aprovado em comissão no Senado eleva em 66% o imposto cobrado das fintechs, equiparando-as ao regime tributário de bancos tradicionais.
Isso coloca o Nubank em uma encruzilhada: continuar sendo uma fintech e pagar impostos de banco — sem ter os benefícios de ser um banco — ou migrar totalmente e assumir o status que, na prática, já opera. A resposta veio agora.
Por que o Nubank vai virar banco?
Os analistas apontam três forças principais:
Pressão regulatória: o Banco Central endureceu as regras para instituições de pagamento e restringiu o uso da palavra “bank”.
Carga tributária maior: fintechs passam de imposto de 9% para 15%, praticamente igual aos grandes bancos.
Modelo de negócio mais maduro: o Nubank já lucra mais que alguns dos maiores bancos do país em determinados trimestres, tornando natural a transição.
No próprio rodapé do site, o Nubank ainda aparece como “IP – Instituição de Pagamento”. Mas isso está prestes a mudar — e a empresa passará a operar com a chancela completa de banco, incluindo possibilidade de ampliar serviços como cheque especial, poupança e produtos exclusivos permitidos apenas a instituições bancárias.
O que muda para o cliente?
Segundo comunicado da própria empresa, nada muda do ponto de vista de segurança ou funcionamento das contas. O Nubank continuará totalmente digital, sem agências físicas, mas poderá:
Oferecer novos produtos bancários regulamentados
Ampliar linhas de crédito e investimentos
Operar com mais autonomia dentro do sistema financeiro
Reforçar a solidez institucional perante investidores e clientes
A empresa destaca que a inclusão da nova licença não altera exigências de capital ou liquidez, e que sua solidez permanece inalterada.
Pressão interna e concorrência aceleram o movimento
A transição também foi acelerada por desafios internos e competitivos. Concorrentes como Inter e C6 já possuem licença bancária há anos — inclusive operam no exterior — enquanto o Nubank vinha mantendo o modelo de fintech, mesmo já apresentando lucros superiores ao de grandes bancos tradicionais.
Houve até relatos de risco de sabotagem interna por parte de funcionários descontentes com pressões regulatórias e mudanças iminentes, o que reforçou ainda mais a necessidade de uma resposta estratégica rápida.
Além disso, o próprio Nubank já pediu licença bancária nos Estados Unidos, mostrando que a ambição é global.
Quando o Nubank será oficialmente um banco?
A previsão é que o pedido seja formalizado em 2026. O Banco Central costuma levar meses para analisar processos de licenciamento, mas, pela maturidade da instituição, o trâmite tende a ser mais célere.
A expectativa é que o Nubank se torne oficialmente “Banco Nubank S.A.” — ou nome equivalente — entre final de 2026 e início de 2027.
Por que a mudança é considerada inteligente?
Do ponto de vista estratégico, a decisão elimina três grandes riscos:
Risco tributário: já que o custo fiscal será igual ao dos bancos, então faz sentido ter os benefícios.
Risco regulatório: evita proibição futura ao uso da marca “Nubank”.
Risco de competitividade: amplia o portfólio para competir com gigantes como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.
Na prática, o Nubank estava preso em um “beco sem saída”: lucrava como banco, era tributado como banco, tinha porte de banco — mas não podia ser chamado de banco.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






