Nos últimos dias, cresceu nas redes sociais uma onda de conteúdos alarmistas sugerindo que o Nubank estaria prestes a falir, supostamente por causa dos problemas enfrentados pelo Banco Master. A associação, no entanto, não se sustenta sob nenhuma métrica financeira, regulatória ou operacional.
O Banco Master enfrentou uma crise grave de solvência após não honrar compromissos relevantes no sistema financeiro, o que culminou em sua liquidação. Já o Nubank opera em um patamar completamente diferente, tanto em escala quanto em governança, capital e regulação.
Estrutura financeira do Nubank mostra solidez inédita no setor digital
Em 2025, o Nubank encerrou o ano com lucros recordes e retorno sobre o capital (ROI) próximo de 28%, um nível elevado até mesmo para bancos tradicionais. Esse desempenho consolidou a instituição como uma das mais rentáveis do sistema financeiro latino-americano.
Além disso, o Nubank possui mais de 100 milhões de clientes, contra cerca de 7 milhões do Will Bank, instituição ligada ao Banco Master e que acabou sendo diretamente afetada pela crise. A diferença de escala, diluição de risco e capacidade de geração de caixa é determinante.
Índice de Basileia elevado reduz risco sistêmico
Outro ponto central é o Índice de Basileia, indicador que mede a capacidade de um banco absorver perdas. O mínimo exigido pelos reguladores é de cerca de 11%, mas o Nubank opera com níveis acima de 18%, chegando a se aproximar de 20%.
Na prática, isso significa que, para cada R$ 1.000 emprestados, o Nubank mantém uma parcela elevada de capital próprio como proteção contra inadimplência. O Banco Master, por outro lado, apresentava capital insuficiente, o que agravou sua crise quando os calotes aumentaram.
Regulação internacional e listagem nos Estados Unidos reforçam credibilidade
O Nubank é listado na NYSE, estando sujeito a uma das regulações mais rigorosas do mundo. Isso implica exigências severas de transparência, capital mínimo, testes de estresse e governança corporativa.
Em 2026, a instituição avançou ainda mais ao solicitar licença para atuar como banco múltiplo, elevando seu nível de exigência regulatória e ampliando sua capacidade operacional. Esse movimento marca uma mudança estrutural importante, distante do modelo mais frágil das instituições de pagamento que não evoluíram.
Entrada do Itaú no capital do Nubank muda o jogo
Outro fator que desmonta qualquer narrativa de falência é o interesse institucional. O Itaú iniciou a compra de ações do Nubank, movimento que sinaliza confiança na governança, no modelo de negócios e na sustentabilidade financeira da empresa.
Instituições desse porte não alocam capital em empresas com risco relevante de insolvência. Trata-se de uma validação de mercado que coloca o Nubank em um novo patamar dentro do sistema bancário.
Nubank já supera bancos tradicionais em valor de mercado
Em diversos momentos recentes, o Nubank chegou a ultrapassar bancos tradicionais em valor de mercado, tornando-se a empresa financeira mais valiosa da América Latina. Esse dado reflete expectativas de crescimento, eficiência operacional e capacidade de escalar serviços com margens crescentes.
Oscilações pontuais no preço das ações ou no humor do mercado não indicam fragilidade estrutural, mas fazem parte da dinâmica natural de empresas listadas em bolsa.
O erro de misturar instituições sólidas com casos isolados de crise
A confusão se intensificou porque o Will Bank era apoiado pelo Banco Master, mas isso não cria qualquer vínculo operacional ou financeiro com o Nubank. O Will Bank atuava com concessão de crédito de alto risco, sem estrutura de capital adequada, o que acelerou sua queda.
Já o Nubank mantém forte diversificação de receitas, controle de risco, capitalização elevada e supervisão regulatória robusta.
Qual a melhor estratégia para o correntista em 2026
Mesmo com a solidez dos grandes bancos digitais, a estratégia mais prudente segue sendo a diversificação. Bancos físicos tradicionais continuam sendo recomendados como conta principal para grandes volumes, enquanto bancos digitais funcionam bem como contas secundárias, de uso cotidiano.
Também é essencial desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, como CDBs pagando 130% do CDI sem risco aparente. Em geral, retornos excessivos indicam risco elevado.
Nubank não enfrenta risco de falência
Os dados mostram que não há qualquer fundamento técnico para afirmar que o Nubank vai falir. Pelo contrário: a instituição avança em rentabilidade, capitalização, regulação e relevância internacional. O episódio do Banco Master é um caso isolado e não representa ameaça sistêmica aos grandes bancos digitais bem estruturados.
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