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Início » Últimas Notícias » Lucro do Banco do Brasil desaba 60% e mercado entra em alerta máximo
Dividendos

Lucro do Banco do Brasil desaba 60% e mercado entra em alerta máximo

Com forte pressão da inadimplência no agronegócio, provisões bilionárias e perda de competitividade frente aos bancos privados, o Banco do Brasil vive seu pior ciclo em anos e preocupa investidores.
Carlos MenezesPor Carlos Menezes14 de novembro de 20254 minutos lidos
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Lucro do Banco do Brasil desaba 60% e mercado entra em alerta máximo
Lucro do Banco do Brasil desaba 60% e mercado entra em alerta máximo

O Banco do Brasil vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Após um 2023 considerado exemplar pelo mercado, os resultados de 2024 mostram uma virada brusca: o lucro do banco despencou 60% no terceiro trimestre, totalizando R$ 3,7 bilhões, em linha com a mesma queda já registrada no segundo trimestre. A magnitude da deterioração, somada ao cenário crítico do agronegócio, colocou investidores em alerta máximo.

Apesar de alguns veículos terem afirmado que o resultado veio “em linha com as expectativas”, analistas e investidores rejeitam essa tese. Para o mercado, ninguém esperava uma reversão tão profunda nos números do Banco do Brasil especialmente após anos de evolução consistente em rentabilidade, eficiência e qualidade da carteira.

Um banco sólido, mas pressionado por fatores externos e internos

Fundado há mais de dois séculos, o Banco do Brasil é uma das instituições financeiras mais antigas e robustas da América Latina. Tradicionalmente reconhecido por sua forte presença no agronegócio setor responsável por parte relevante de sua carteira de crédito o banco agora enfrenta justamente o impacto negativo deste segmento.

O problema não está apenas na desaceleração econômica do agro. Dados recentes mostram uma explosão nas recuperações judiciais do setor. O número de pedidos subiu de 608 para 928 em apenas um ano, evidenciando um ambiente de inadimplência generalizada.

A inadimplência acima de 30 dias saltou de 3% para quase 8%, enquanto a inadimplência acima de 90 dias avançou de 1,7% para 5,34%. É um movimento que pressiona diretamente as provisões que podem chegar a R$ 19 bilhões, segundo estimativas internas.

Além disso, mudanças nas regras de provisionamento exigem que bancos aumentem suas reservas para potenciais calotes, agravando a fotografia do trimestre.

Linha do tempo da crise: como o lucro despencou tão rápido?

1º trimestre de 2024: o primeiro alerta

O resultado veio com queda de 20% no lucro, atingindo R$ 7,4 bilhões, bem abaixo do esperado. À época, investidores se assustaram, mas ainda viam a situação como pontual.

2º trimestre: a “bomba” cai e o mercado entra em pânico

A queda de 60% no lucro surpreendeu negativamente e fez as ações despencarem, com perda de quase R$ 8 bilhões de valor de mercado em um único pregão. Foi o primeiro indicativo claro de que a crise era mais profunda.

3º trimestre: o pior se confirma

O banco repetiu a queda anual de 60% no lucro, consolidando um ciclo de forte deterioração de resultados.
Para analistas, trata-se de uma “tempestade perfeita”:

  • crise do agronegócio;

  • recorde de recuperações judiciais;

  • inadimplência em alta;

  • provisões bilionárias;

  • interferência estatal pontual;

  • Selic ainda elevada, travando expansão econômica.

O contraponto: a crise é só do Banco do Brasil?

A resposta é não. Mas é nele que o impacto é maior.

Enquanto o Banco do Brasil sofre, bancos privados brilharam no mesmo trimestre:

  • Itaú: lucro sobe 11%, chegando a quase R$ 12 bilhões.

  • Bradesco: salta 18,8% após anos ruins.

  • BTG Pactual: lucra R$ 4,54 bilhões, alta expressiva.

  • Santander: também opera em ciclo positivo.

  • Até o Nubank reportou resultado robusto recentemente.

O contraste evidencia que o BB não está surfando a mesma maré favorável mas também mostra que seu problema está concentrado no agro e na estrutura estatal.

As ações no fundo do poço oportunidade ou armadilha?

No acumulado de seis meses, as ações do Banco do Brasil caem cerca de 10% e podem cair ainda mais após o 3T.
Enquanto isso:

  • Bradesco sobe forte no ano, recuperando perdas históricas.

  • Itaú avança mais de 44%.

  • Santander cresce cerca de 40%.

  • Banco do Brasil é o único dos grandes bancos operando no negativo significativo.

Para parte do mercado, o BB pode estar próximo do “fundo do poço”, ponto considerado estratégico para investidores com visão de longo prazo.
Mas há riscos:

  • se a inadimplência continuar subindo,

  • se o guidance voltar a ser revisado para baixo,

  • se houver interferência política em decisões de crédito.

Nesse cenário, muitos analistas recomendam cautela: manter posição, não aumentar por enquanto e aguardar estabilização possivelmente entre um e dois trimestres.

Dividendos: vai reduzir?

Sim, é provável.

Com provisões elevadas e lucros menores, o payout tende a ser impactado.
O BB sempre foi queridinho dos dividendos, mas o ciclo atual não favorece distribuições robustas.

Crise crítica, mas não definitiva

Apesar das quedas, analistas ressaltam que não há risco de solvência ou quebra.
O Banco do Brasil permanece sólido, relevante e fundamental no sistema financeiro nacional.

O problema é conjuntural forte e profundo, mas conjuntural.

O que esperar daqui para frente?

  • Cenário ainda ruim nos próximos 1 ou 2 trimestres.

  • Alta volatilidade nas ações.

  • Riscos concentrados no agronegócio.

  • Possível retomada apenas em 2025, caso o agro reaja.

Se o ciclo virar, o banco pode voltar a surpreender positivamente.
Se não virar, o papel pode continuar pressionado.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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