A Klabin voltou ao radar dos investidores depois de apresentar um resultado operacional considerado resiliente no segundo trimestre e manter pagamentos relevantes aos acionistas. A principal dúvida agora é se a companhia poderá anunciar novos dividendos e até onde as units KLBN11 ainda podem avançar.
No segundo trimestre, a empresa alcançou R$ 5,2 bilhões de receita líquida e aproximadamente R$ 2 bilhões de EBITDA ajustado, com margem EBITDA de 38%. O volume total vendido, excluindo madeira, chegou a 1,018 milhão de toneladas.
Apesar da força operacional, o lucro líquido ficou em R$ 387 milhões, queda de 34% na comparação anual. O número, porém, superou ligeiramente o consenso de R$ 371 milhões reunido pela Bloomberg.
Klabin já tem dividendos programados
O calendário oficial da companhia ajuda a esclarecer uma questão importante para quem acompanha os proventos.
A Klabin informa que os dividendos aprovados em 8 de dezembro de 2025 somam R$ 1,112 bilhão e foram divididos em quatro pagamentos ao longo de 2026: 27 de fevereiro, 20 de maio, 19 de agosto e 12 de novembro.
O valor total corresponde a aproximadamente R$ 0,91194 por unit KLBN11.
Portanto, existe pagamento previsto para novembro, mas ele decorre de uma distribuição aprovada anteriormente. Até o momento, a página oficial de dividendos da empresa não registra uma nova distribuição aprovada em 2026 com direito constituído neste ano.
Isso não impede que o conselho aprove novos proventos posteriormente, mas qualquer estimativa de um pagamento adicional neste momento deve ser tratada como projeção, e não como valor garantido.
Dividendos continuam relevantes para a Klabin
Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre, a companhia distribuiu aproximadamente R$ 1,18 bilhão em proventos, equivalente a dividend yield de 5,3%, segundo a própria empresa. Somente no 2T26 foram distribuídos R$ 278 milhões.
A Klabin informa que o estatuto prevê dividendo mínimo de 25% do lucro líquido ajustado. A companhia também afirma que, historicamente, costuma trabalhar com distribuições que podem chegar a cerca de 20% do EBITDA ajustado.
A capacidade de geração de caixa, portanto, continua sendo um dos indicadores que merecem acompanhamento antes de projetar aumentos nos proventos.
Recompra de ações entra na estratégia
Além dos dividendos, a Klabin anunciou um programa de recompra de até 31,25 milhões de units, com duração de 18 meses. As ações adquiridas deverão posteriormente ser canceladas.
A companhia também encerrou o segundo trimestre com alavancagem de 3,2 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, medida em dólares, redução de 0,7 vez em 12 meses.
Nos seis primeiros meses, os investimentos totalizaram aproximadamente R$ 1,496 bilhão, incluindo gastos com silvicultura, manutenção das fábricas e modernização da unidade de Monte Alegre.
Até onde KLBN11 pode subir?
As avaliações das instituições financeiras continuam divididas.
A página de cobertura de analistas da própria Klabin mostra o Citi com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23 por unit. Banco do Brasil, Bank of America, Bradesco BBI, Jefferies, Morgan Stanley e outras casas também aparecem com recomendação positiva.
O Itaú BBA, entretanto, está mais cauteloso. Em revisão divulgada no fim de agosto, o banco manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de KLBN11 de R$ 21,50 para R$ 21, após diminuir suas projeções para os preços da celulose em 2027.
A própria lista de RI mostra uma dispersão considerável entre as casas, com preços-alvo que vão de R$ 18,50 a R$ 30, reforçando que não há consenso sobre o espaço de valorização.
O que observar antes de investir em KLBN11
O cenário combina pontos positivos e riscos. EBITDA próximo de R$ 2 bilhões, redução da alavancagem, recompra de ações e histórico de proventos sustentam a tese.
Por outro lado, a evolução do fluxo de caixa, os investimentos elevados, o câmbio e principalmente os preços internacionais da celulose podem alterar as projeções.
Para quem acompanha Klabin dividendos, o ponto central agora é separar os pagamentos já programados de uma eventual nova distribuição. O pagamento de novembro já consta no calendário oficial; novos dividendos dependerão de futuras deliberações da companhia.
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