A Itaúsa voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após registrar crescimento expressivo de lucratividade, reforçar a distribuição de dividendos e ainda negociar com um dos maiores descontos patrimoniais de sua história. Apenas no período recente, a holding avançou mais de 6% em seus lucros, impulsionando a valorização das ações ITSA4 e ajudando diretamente a puxar o desempenho do Ibovespa.
O principal motor desse crescimento é a robusta performance do Itaú Unibanco, responsável pela maior parte dos resultados da holding. O banco apresentou lucro de R$ 11,5 bilhões apenas em um dos últimos trimestres, superando expectativas e consolidando sua posição como o banco mais lucrativo do país.
Lucro bilionário e eficiência recorde impulsionam a holding
No acumulado recente, o Banco Itaú registrou lucro líquido recorrente próximo de R$ 9 bilhões apenas em um trimestre, com crescimento de dois dígitos na comparação anual. O destaque absoluto foi o ROE (retorno sobre patrimônio líquido), que avançou para a faixa de 23,3%, um dos níveis mais elevados já registrados no sistema bancário brasileiro.
Esse patamar de rentabilidade coloca o Itaú muito acima da média dos principais concorrentes, que ainda lutam para superar a marca dos 20%. Além disso, a eficiência operacional atingiu 37,7%, o melhor índice da história do banco para um terceiro trimestre, indicando que a instituição está conseguindo gerar cada vez mais receita com custos proporcionalmente menores.
Crédito cresce, inadimplência segue controlada e risco diminui
A carteira de crédito do Itaú alcançou aproximadamente R$ 1,4 trilhão, crescendo mais de 6% no período, impulsionada por crédito imobiliário e cartões. Ao mesmo tempo, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, com destaque positivo para a inadimplência da pessoa física, que atingiu o menor nível histórico.
Esse equilíbrio entre crescimento, risco controlado e eficiência explica por que os lucros do banco continuam se expandindo de forma consistente — efeito que é diretamente refletido nos resultados da Itaúsa.
Dividendos da Itaúsa já somam bilhões e devem acelerar ainda mais
Com esse desempenho, a Itaúsa acumulou R$ 3 bilhões em dividendos pagos apenas nos nove primeiros meses, crescimento superior a 12% na comparação anual. O dividend yield já se aproxima de 9%, com expectativa de ultrapassar dois dígitos nos próximos ciclos.
O retorno total ao acionista, somando dividendos e valorização das ações, já supera 21% no ano, desempenho amplamente superior ao do próprio Ibovespa no mesmo período.
Dívida despenca 26% e estrutura financeira se fortalece
Um dos movimentos mais estratégicos da Itaúsa foi a redução agressiva da dívida líquida, que caiu cerca de 26%, saindo de aproximadamente R$ 939 milhões para R$ 697 milhões. Além disso, a holding trocou dívidas antigas, mais caras, por novas emissões com custo menor, reduzindo o custo médio de CDI + 1,54% para CDI + 1,11%.
O cronograma de amortização mostra que não há vencimentos relevantes até 2028, o que reforça a solidez financeira da empresa e aumenta sua capacidade de continuar remunerando os acionistas.
Desconto de holding de 25% chama atenção do mercado
Somando o valor de mercado de todas as participações da Itaúsa — como Itaú, Alpargatas, Aegea e outras — o portfólio da holding ultrapassa R$ 168 bilhões. No entanto, sua capitalização em Bolsa gira em torno de R$ 126 bilhões.
Isso representa um desconto de holding de cerca de 25%, um dos maiores já observados historicamente. Em termos práticos, é como comprar R$ 100 em ativos pagando apenas R$ 75.
Esse desconto passou a ser considerado exagerado por analistas e gestores e passou a representar, para muitos investidores, uma janela rara de oportunidade.
Safra projeta forte valorização e vê potencial de alta relevante
O Banco Safra revisou suas projeções e elevou recentemente o preço-alvo da ITSA4 para R$ 15, indicando potencial de alta próximo de 28% em relação às cotações atuais. A casa destaca justamente o desconto de holding, a resiliência do Itaú e a forte geração de caixa da Itaúsa como principais vetores de valorização.
Dividendos extraordinários podem explodir ainda em 2025
Outro fator que pode destravar valor para o acionista é a expectativa de dividendos extraordinários bilionários. A iminente tributação de dividendos acima de determinados patamares pode estimular uma antecipação de proventos ainda neste ciclo.
As projeções mais otimistas indicam uma distribuição extraordinária que pode atingir R$ 22,5 bilhões, sendo cerca de R$ 8,4 bilhões destinados indiretamente à Itaúsa, o que poderia gerar um rendimento adicional próximo de 6,5% apenas com esse evento.
Valuation: Itaúsa segue barata mesmo após a forte alta
Mesmo com a valorização acumulada acima de 50% nos últimos 12 meses, a Itaúsa ainda apresenta múltiplos considerados bastante atrativos:
Preço/Lucro (P/L): cerca de 8,6
Dividend Yield atual: acima de 8%
Desconto patrimonial: 25%
ROE recorrente da holding: 18,1%
Na prática, trata-se de uma empresa que consegue entregar retorno elevado, com risco controlado, forte geração de caixa e valuation muito abaixo do padrão histórico do mercado.
ITSA3 ou ITSA4: qual ação é mais interessante?
As duas ações possuem tag along de 80%. A ITSA4 se destaca por apresentar liquidez muito superior, movimentando dezenas de milhões de reais por dia. Já a ITSA3 costuma negociar com leve desconto adicional, o que pode resultar em dividend yield um pouco maior no papel ordinário.
Para investidores focados em liquidez, operações estruturadas e estratégias mais ativas, ITSA4 tende a ser mais indicada. Para quem mira exclusivamente o longo prazo e renda passiva, ITSA3 costuma oferecer pequeno prêmio de rentabilidade.
Projeções de preço e preço-teto da Itaúsa
Com lucro projetado próximo de R$ 16 bilhões e payout estimado ao redor de 65%, o dividendo por ação tende a se manter elevado. Pelas simulações mais conservadoras:
Preço-teto com retorno exigido de 6%: R$ 16,77
Preço-teto com retorno exigido de 8%: R$ 12,57
Preço-teto com retorno exigido de 10%: R$ 10,60
Mesmo nos cenários mais conservadores, a ação ainda se mantém próxima da região de atratividade.
Riscos no radar do investidor
Apesar do cenário extremamente favorável, alguns riscos seguem no radar:
Manutenção da taxa Selic elevada por mais tempo;
Demora na implementação da reforma tributária;
Persistência do desconto de holding acima da média histórica;
Mudanças regulatórias no setor financeiro.
Ainda assim, a assimetria entre risco e retorno continua sendo vista como bastante favorável.
Itaúsa une lucro, desconto e dividendos em um mesmo papel
A Itaúsa reúne hoje três fatores raros no mercado acionário brasileiro:
lucro crescente, dividendos elevados e forte desconto patrimonial. Mesmo após a grande valorização recente, os números mostram que a empresa ainda opera abaixo do seu valor intrínseco.
Com a expectativa de dividendos extraordinários, dívida controlada, valuation comprimido e participação no banco mais rentável do país, a holding se mantém como uma das principais candidatas à geração de renda passiva e valorização no médio e longo prazo.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






