O fundo Itaú Total Return (ITRI11) voltou ao radar dos investidores após divulgar um dos pagamentos mais robustos desde o início de sua trajetória. A distribuição de R$ 1,30 por cota chamou atenção do mercado e foi vista como um “presente” para os cotistas, especialmente em um cenário de juros elevados e busca por renda mensal.
O resultado é fruto de uma combinação de fatores: operações estratégicas na carteira, venda de ativos, dividendos de ações e ganhos de capital, reforçando a proposta central do fundo o chamado retorno total, que envolve não apenas dividendos, mas também valorização patrimonial.
Desconto ainda elevado e espaço para valorização
Atualmente, o ITRI11 segue negociado com deságio relevante em relação ao valor patrimonial. A cota de mercado gira na casa dos R$ 82, enquanto o valor patrimonial está próximo de R$ 95, abrindo espaço para uma potencial valorização de 20% a 22%, caso o desconto diminua.
Além disso, o fundo já apresentou uma valorização expressiva ao longo do ano, saindo da faixa dos R$ 65 para patamares acima de R$ 80, o que representa cerca de 30% de alta.
De onde veio o dividendo turbinado?
O relatório detalha que o pagamento elevado foi impulsionado por:
- Recebimento de R$ 1,95 milhão relacionado a operações envolvendo ativos imobiliários
- Dividendos de ações da carteira, somando cerca de R$ 2,18 milhões
- Ganho de capital de aproximadamente R$ 655 mil com venda parcial de ações
- Resultado líquido da estratégia de ações gerando cerca de R$ 0,39 por cota
A estratégia mostra a flexibilidade do fundo, que não se limita a imóveis físicos. Isso permite capturar oportunidades em ações, CRIs e outros fundos imobiliários, ampliando as fontes de rendimento.
Yield mensal elevado e projeção atrativa
Com a distribuição de R$ 1,30, o rendimento mensal ficou em torno de 1,57%, o que anualizado se aproxima de 20% ao ano patamar considerado bastante elevado no mercado de FIIs.
Mesmo que o pagamento volte para faixas próximas de R$ 0,80, o fundo ainda poderia entregar algo próximo de 1% ao mês, dependendo do preço da cota.
Estrutura e carteira são diferenciais
O ITRI11 tem uma carteira diversificada, com participação relevante em:
- Fundos imobiliários
- Ações pagadoras de dividendos
- CRIs estruturados
Esse modelo híbrido permite explorar oportunidades que FIIs tradicionais, focados apenas em imóveis físicos, não conseguem acessar.
Riscos e histórico
Apesar do momento positivo, é importante lembrar que o fundo passou por um período difícil após o IPO. Quem entrou na oferta inicial ainda enfrenta um tempo maior para recuperar o investimento. O cenário macroeconômico adverso e a elevação dos juros impactaram a performance nos primeiros anos.
Ainda assim, o fundo começa a mostrar que consegue entregar o que prometia na tese de retorno total, especialmente para quem compra a preços atuais.
O que observar daqui para frente
Os próximos meses devem ser acompanhados de perto, principalmente:
- Continuidade dos ganhos com vendas e dividendos
- Evolução do desconto sobre o valor patrimonial
- Sustentabilidade do nível de distribuição
Se mantiver a combinação de renda elevada e redução do deságio, o ITRI11 pode seguir como um dos destaques entre os FIIs híbridos.
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