A Gerdau voltou ao centro das atenções do mercado após anunciar dois movimentos estratégicos que podem impactar diretamente o retorno ao acionista: um novo programa de recompra de ações válido por 18 meses e a distribuição de dividendos para acionistas no Brasil e no exterior.
O anúncio ocorre em um momento sensível. Após acumular alta superior a 42% nos últimos meses, a ação sofreu correção recente de cerca de 11%. Ainda assim, o papel segue no radar de investidores institucionais e pessoas físicas.
Recompra pode atingir quase 10% das ações em circulação
A companhia concluiu recentemente um programa de recompra iniciado em 2025, aprovando o cancelamento de:
500 mil ações ordinárias
7,7 milhões de ações preferenciais
Agora, a empresa aprovou um novo programa para 2026, que pode representar aproximadamente 10% das ações ordinárias em circulação.
Na prática, isso funciona como uma bonificação indireta ao acionista. Quando a empresa reduz a base acionária:
O lucro por ação tende a aumentar
Os dividendos por ação podem crescer
A participação relativa de cada investidor no “bolo” da companhia aumenta
Segundo a própria companhia, os objetivos incluem:
Maximização de valor no longo prazo
Manutenção de ações em tesouraria
Possível cancelamento futuro ou alienação ao mercado
Esse ciclo tem sido recorrente nos últimos anos, com redução gradual do número total de ações.
Dividendos confirmados: veja valores e datas
A companhia também confirmou nova distribuição de dividendos:
| Ativo | Valor por ação | Data-com | Data-ex | Pagamento |
|---|---|---|---|---|
| GGBR4 | R$ 0,10 | 10/03 | 11/03 | 19/03 |
| GOAU4 | R$ 0,05 | 10/03 | 11/03 | 18/03 |
| ADR | US$ 0,10 | 12/03 | 12/03 | 25/03 |
Apesar de o valor não ser extraordinário isoladamente, o histórico de recompras e cancelamentos tende a fortalecer a capacidade futura de pagamento.
Resultado do trimestre: lucro cai 21%, mas alavancagem segue controlada
No quarto trimestre, a empresa apresentou:
Redução de 21% no lucro líquido ajustado
Baixas contábeis de aproximadamente R$ 2 bilhões
Perdas sem efeito caixa no Brasil
Dívida bruta próxima de R$ 12 bilhões
Alavancagem abaixo de 1x Dívida Líquida/EBITDA
A geração de caixa continua robusta, embora o fluxo de caixa livre tenha recuado na comparação anual.
O mercado já vinha precificando parte dessa desaceleração. A queda recente pode refletir expectativa por números mais fortes, mas estruturalmente a companhia mantém fundamentos sólidos.
Operações nos EUA ajudam a mitigar riscos comerciais
A presença industrial da empresa na América do Norte oferece vantagem estratégica em meio a tensões comerciais e políticas tarifárias.
Entre os destaques operacionais:
Crescimento de vendas no mercado norte-americano
Mineração contribuindo para margem
Aumento da importação de aço no Brasil
Boa performance em aços longos e especiais
A diversificação geográfica continua sendo um dos principais pilares de resiliência da companhia.
Mercado projeta novos alvos de preço
Com GGBR4 negociada próxima a R$ 21,27, diversas casas de análise mantêm projeções acima da cotação atual:
Preço-alvo entre R$ 22 e R$ 29
Recomendação majoritária de compra
Visão construtiva para médio prazo
A valorização acumulada acima de 40% mostra que o mercado já reconhece parte dessa melhora estrutural.
Venda de insiders: sinal de alerta?
Relatórios recentes mostram movimentações pontuais:
Vendas pequenas por membros da diretoria
Venda de 243 mil ações por controlador
Venda de 235 mil ações por membro do conselho
Apesar disso, os volumes são relativamente modestos diante do total em circulação e do programa de recompra em andamento.
Aluguel de ações permanece baixo
A taxa de ações alugadas gira em torno de 3,7%, considerada saudável e sem indicar pressão relevante de venda descoberta.
A taxa média de aluguel próxima de 0,06% reforça que o mercado não demonstra expectativa forte de queda estrutural.
O que muda para o investidor?
A combinação de:
Recompra agressiva
Cancelamento de ações
Dividendos recorrentes
Baixa alavancagem
Forte geração de caixa
cria um ambiente favorável para o acionista de longo prazo.
Mesmo com lucro pontualmente menor no trimestre, a estrutura financeira permanece sólida e a estratégia de redução de base acionária pode ampliar o lucro por ação ao longo do tempo.
Após alta expressiva e correção recente, a ação volta ao radar. A decisão agora passa por avaliar se o mercado já precificou integralmente o ciclo positivo ou se ainda há espaço adicional de valorização diante do novo programa de recompra.
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