O mês de setembro trouxe uma sequência de anúncios importantes de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) na Bolsa brasileira. Empresas de setores como bancário, energia, varejo e consumo confirmaram pagamentos, reforçando o papel estratégico dos proventos para investidores que buscam renda passiva e valorização patrimonial.
As chamadas “datas com” definem quem terá direito a receber os dividendos: todo acionista que estiver posicionado até aquela data garante o pagamento futuro, mesmo que venda suas ações em seguida. Já a data de pagamento pode variar bastante: em alguns casos acontece em poucos dias, em outros, só em 2026.
A seguir, confira os principais destaques do calendário de dividendos.
Banco Bradesco (BBDC3 e BBDC4)
O Bradesco anunciou JCP em 18 de setembro, com data com em 29 de setembro. O valor será de R$ 0,27 por ação ordinária (BBDC3) e R$ 0,29 por preferencial (BBDC4), gerando rentabilidade de 1,82% e 1,71%, respectivamente.
Embora o pagamento esteja previsto apenas para abril de 2026, o banco tem histórico de adiantar parte dos proventos, o que pode beneficiar os acionistas.
Do ponto de vista fundamentalista, o Bradesco chama atenção:
Cotação atual: R$ 15,21
Valorização em 12 meses: 27,3%
P/L: 7,76 (bem abaixo da média do setor e do mercado americano, onde bons bancos negociam até 15 vezes o lucro)
P/VPA: 0,92 (8% abaixo do valor patrimonial)
Dividend Yield projetado: 7,36%
Com esses indicadores, o banco se mostra descontado em relação ao potencial, especialmente em um cenário de alta de juros, que tende a favorecer o setor bancário.
Cemig (CMIG3 e CMIG4)
A Cemig, gigante do setor elétrico, também anunciou JCP em 23 de setembro, com data com em 29 de setembro. O valor é de R$ 0,10 por ação, sem distinção entre ordinárias e preferenciais.
O pagamento será dividido em duas parcelas:
Primeira: 30 de junho de 2026
Segunda: 30 de dezembro de 2026
Apesar do prazo distante, a companhia mantém um histórico robusto de dividendos:
Cotação atual: R$ 11,48
Valorização em 12 meses: 12,8%
Dividend Yield em 12 meses: 11%
P/L: 5,06 (extremamente barato para o setor)
Preço justo estimado: R$ 22,54 (quase 100% de potencial de valorização)
A Cemig é vista por muitos analistas como “uma ação de dividendo de longo prazo”, já que pagamentos distantes afastam especuladores e favorecem investidores pacientes.
Itaú Unibanco (ITUB3 e ITUB4)
O Itaú anunciou JCP com data com em 30 de setembro e pagamento em 3 de novembro. O valor é pequeno, apenas R$ 0,02 por ação, mas o banco mantém uma política consistente de distribuições recorrentes.
Apesar do yield imediato baixo, a força do Itaú está na constância:
Valorização em 2025: +31%
Dividend Yield histórico: próximo a 8% ao ano
Liquidez diária: mais de R$ 600 milhões em ITUB4 negociados por dia
Além disso, o banco segue como líder do setor privado no Brasil, registrando lucros recordes e expansão de carteira de crédito.
JHSF (JHSF3)
A JHSF confirmou dividendos de R$ 0,03 por ação, com data com em 30 de setembro e pagamento em 9 de outubro.
O destaque da empresa está na valorização de mercado:
Alta em 12 meses: 65,7%
Cotação atual: R$ 6,28
P/L: 3,74 (considerado “de graça” para os padrões de mercado)
P/VPA: 0,71 (ações negociadas a 29% de desconto sobre o valor patrimonial)
Mesmo com dividendos modestos, o potencial de valorização continua a atrair investidores.
Banestes (BEES3 e BEES4)
O Banestes segue como referência entre os bancos de menor porte para quem busca proventos mensais. O pagamento de outubro será de R$ 0,02 por ação, com rentabilidade de até 0,22% ao mês.
No acumulado, o banco entrega um dividend yield anual de 6,31%, mantendo-se como opção estável de geração de renda recorrente.
Vulcabras (VULC3)
A Vulcabras anunciou dividendos de R$ 0,13 por ação ordinária, com data com em 20 de outubro e pagamento em 3 de novembro.
Destaques:
Valorização em 12 meses: 34%
Cotação atual: R$ 19,75
P/L: 6,78
P/VPA: 2,3 (ações já negociadas bem acima do valor patrimonial)
Dividend Yield: 13,18% mesmo após valorização expressiva
A companhia reforça sua imagem de “pagadora consistente” em um setor competitivo como o de calçados esportivos.
Outras empresas que confirmaram pagamentos
Além dos grandes nomes, várias companhias anunciaram dividendos relevantes:
BRF (BRFS3): pagamento combinado de dividendos e JCP, totalizando yield acima de 10%.
Banrisul (BRSR3, BRSR5 e BRSR6): yield de até 4,7% em um único pagamento.
Metisa (MTSA3 e MTSA4): dividendos de até R$ 0,66 por ação.
WLM Participações: JCP de até R$ 0,36 por ação.
Cataguazes: dividendos bilionários, apesar de não estar mais listada na B3.
Marfrig (MRFG3): dividendo extraordinário de R$ 2,81 por ação, yield próximo de 12%.
Rede D’Or (RDOR3): JCP de R$ 0,46 por ação, com yield de 1,13%.
Fleury (FLRY3): dividendos com rentabilidade de 2,13%.
O calendário de setembro e outubro de 2025 mostra um forte movimento de distribuição de dividendos na Bolsa brasileira. Bancos como Bradesco, Itaú e Banestes, empresas de energia como a Cemig e companhias de consumo como Vulcabras e JHSF reforçam a importância da estratégia de renda passiva.
Os números mostram que, mesmo em períodos de alta volatilidade, empresas sólidas seguem remunerando bem seus acionistas. Para o investidor, acompanhar de perto as datas com e os indicadores de cada ação é essencial para aproveitar as oportunidades sem correr riscos desnecessários.
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