A venda de terras agrícolas por R$ 1,85 bilhão aumentou a expectativa de melhora financeira da Cosan, mas ainda não representa uma confirmação de novos dividendos para os acionistas de CSAN3.
A operação anunciada pelo Grupo Radar envolve 41.214 hectares no Mato Grosso, equivalentes a aproximadamente 12% de seu portfólio de propriedades agrícolas. A parcela econômica atribuível à Cosan é estimada em cerca de R$ 586 milhões. O fechamento, entretanto, permanece sujeito ao cumprimento das condições previstas no contrato.
O negócio reforça a estratégia de desinvestimento, simplificação do portfólio e redução da alavancagem. Apesar disso, o investidor deve evitar considerar o valor da venda como dividendo, pois a companhia não anunciou que os recursos serão distribuídos aos acionistas.
Cosan não anunciou dividendos em 2026
Até 18 de junho de 2026, o histórico oficial da Cosan ainda indica como último pagamento o dividendo realizado em 28 de junho de 2024. Na ocasião, foram distribuídos R$ 840 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 0,45 por ação.
Não há registro de pagamento em 2025 nem de novo dividendo aprovado em 2026 na página de proventos da companhia. Portanto, o dividend yield recente de CSAN3 permanece zerado quando considerado apenas o período posterior ao último pagamento.
O estatuto da Cosan estabelece um dividendo mínimo obrigatório correspondente a 25% do lucro líquido ajustado. Essa regra, porém, não significa pagamento garantido todos os anos. A distribuição depende da existência de lucro ajustado e das deliberações societárias aplicáveis.
Histórico recente dos dividendos de CSAN3
| Data do pagamento | Exercício de referência | Valor total distribuído | Valor por ação |
|---|---|---|---|
| 28/06/2024 | 2023 | R$ 840,00 milhões | R$ 0,45 |
| 31/05/2023 | 2022 | R$ 800,00 milhões | R$ 0,43 |
| 20/05/2022 | 2021 | R$ 799,98 milhões | R$ 0,43 |
| 28/12/2021 | 2021 parcial | R$ 700,02 milhões | R$ 0,37 |
| 20/05/2021 | 2020 | R$ 481,00 milhões | R$ 1,03 |
| 15/06/2020 | 2019 | R$ 576,03 milhões | R$ 1,50 |
Os valores por ação devem ser interpretados com cautela. Em 2021, a Cosan realizou um desdobramento de ações, o que reduz a comparabilidade direta com pagamentos anteriores.
Além disso, a companhia concluiu aumentos de capital em novembro de 2025. Em fevereiro de 2026, a Cosan tinha aproximadamente 3,97 bilhões de ações emitidas, das quais cerca de 59,72 milhões estavam em tesouraria.
Com um número maior de ações, um mesmo montante total de dividendos passa a ser dividido entre mais papéis. Como exemplo meramente matemático, uma distribuição de R$ 840 milhões atualmente representaria aproximadamente R$ 0,21 por ação, considerando as ações emitidas e descontando os papéis em tesouraria. Isso não é uma projeção nem um dividendo anunciado.
Quanto renderam os últimos dividendos
Considerando apenas o último pagamento confirmado de R$ 0,45 por ação, o valor recebido teria sido:
| Quantidade de ações | Dividendo bruto estimado |
| 100 ações | R$ 45,00 |
| 1.000 ações | R$ 450,00 |
| 5.000 ações | R$ 2.250,00 |
| 10.000 ações | R$ 4.500,00 |
A tabela representa o pagamento de 2024 e não uma previsão para 2026.
Venda de terras pode ajudar os dividendos futuros
A venda das propriedades agrícolas fortalece o caixa e pode contribuir para a redução das despesas financeiras. Porém, a prioridade da administração continua sendo melhorar a estrutura de capital.
Em setembro de 2025, o diretor financeiro da Cosan afirmou que a remuneração aos acionistas dependeria de fatores como endividamento, cobertura de juros, ambiente macroeconômico e nível da Selic. Naquele momento, a empresa indicou que os dividendos ainda não eram a prioridade imediata.
Analistas também passaram a trabalhar com premissas mais conservadoras para os pagamentos no curto prazo, justamente por causa do foco na desalavancagem. A avaliação é que a melhora do balanço pode abrir espaço para proventos futuramente, mas esse processo ainda exige redução consistente da dívida e geração de caixa.
Assim, a venda das terras é positiva para a tese de recuperação de CSAN3, mas não transforma a ação imediatamente em uma pagadora de dividendos. O investidor deverá acompanhar a conclusão da operação, o destino dos recursos e os próximos resultados financeiros antes de considerar uma retomada dos proventos.
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