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Início » Últimas Notícias » CSAN3 pode voltar a pagar dividendos após venda bilionária
Dividendos

CSAN3 pode voltar a pagar dividendos após venda bilionária

Venda de propriedades agrícolas fortalece o plano de redução das dívidas, mas a retomada dos pagamentos aos acionistas ainda depende da melhora financeira da holding
Felipe AndradePor Felipe Andrade18 de junho de 20264 minutos lidos
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A venda de terras agrícolas por R$ 1,85 bilhão aumentou a expectativa de melhora financeira da Cosan, mas ainda não representa uma confirmação de novos dividendos para os acionistas de CSAN3.

A operação anunciada pelo Grupo Radar envolve 41.214 hectares no Mato Grosso, equivalentes a aproximadamente 12% de seu portfólio de propriedades agrícolas. A parcela econômica atribuível à Cosan é estimada em cerca de R$ 586 milhões. O fechamento, entretanto, permanece sujeito ao cumprimento das condições previstas no contrato.

O negócio reforça a estratégia de desinvestimento, simplificação do portfólio e redução da alavancagem. Apesar disso, o investidor deve evitar considerar o valor da venda como dividendo, pois a companhia não anunciou que os recursos serão distribuídos aos acionistas.

Cosan não anunciou dividendos em 2026

Até 18 de junho de 2026, o histórico oficial da Cosan ainda indica como último pagamento o dividendo realizado em 28 de junho de 2024. Na ocasião, foram distribuídos R$ 840 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 0,45 por ação.

Não há registro de pagamento em 2025 nem de novo dividendo aprovado em 2026 na página de proventos da companhia. Portanto, o dividend yield recente de CSAN3 permanece zerado quando considerado apenas o período posterior ao último pagamento.

O estatuto da Cosan estabelece um dividendo mínimo obrigatório correspondente a 25% do lucro líquido ajustado. Essa regra, porém, não significa pagamento garantido todos os anos. A distribuição depende da existência de lucro ajustado e das deliberações societárias aplicáveis.

Histórico recente dos dividendos de CSAN3

Data do pagamentoExercício de referênciaValor total distribuídoValor por ação
28/06/20242023R$ 840,00 milhõesR$ 0,45
31/05/20232022R$ 800,00 milhõesR$ 0,43
20/05/20222021R$ 799,98 milhõesR$ 0,43
28/12/20212021 parcialR$ 700,02 milhõesR$ 0,37
20/05/20212020R$ 481,00 milhõesR$ 1,03
15/06/20202019R$ 576,03 milhõesR$ 1,50

Os valores por ação devem ser interpretados com cautela. Em 2021, a Cosan realizou um desdobramento de ações, o que reduz a comparabilidade direta com pagamentos anteriores.

Além disso, a companhia concluiu aumentos de capital em novembro de 2025. Em fevereiro de 2026, a Cosan tinha aproximadamente 3,97 bilhões de ações emitidas, das quais cerca de 59,72 milhões estavam em tesouraria.

Com um número maior de ações, um mesmo montante total de dividendos passa a ser dividido entre mais papéis. Como exemplo meramente matemático, uma distribuição de R$ 840 milhões atualmente representaria aproximadamente R$ 0,21 por ação, considerando as ações emitidas e descontando os papéis em tesouraria. Isso não é uma projeção nem um dividendo anunciado.

Quanto renderam os últimos dividendos

Considerando apenas o último pagamento confirmado de R$ 0,45 por ação, o valor recebido teria sido:

Quantidade de açõesDividendo bruto estimado
100 açõesR$ 45,00
1.000 açõesR$ 450,00
5.000 açõesR$ 2.250,00
10.000 açõesR$ 4.500,00

A tabela representa o pagamento de 2024 e não uma previsão para 2026.

Venda de terras pode ajudar os dividendos futuros

A venda das propriedades agrícolas fortalece o caixa e pode contribuir para a redução das despesas financeiras. Porém, a prioridade da administração continua sendo melhorar a estrutura de capital.

Em setembro de 2025, o diretor financeiro da Cosan afirmou que a remuneração aos acionistas dependeria de fatores como endividamento, cobertura de juros, ambiente macroeconômico e nível da Selic. Naquele momento, a empresa indicou que os dividendos ainda não eram a prioridade imediata.

Analistas também passaram a trabalhar com premissas mais conservadoras para os pagamentos no curto prazo, justamente por causa do foco na desalavancagem. A avaliação é que a melhora do balanço pode abrir espaço para proventos futuramente, mas esse processo ainda exige redução consistente da dívida e geração de caixa.

Assim, a venda das terras é positiva para a tese de recuperação de CSAN3, mas não transforma a ação imediatamente em uma pagadora de dividendos. O investidor deverá acompanhar a conclusão da operação, o destino dos recursos e os próximos resultados financeiros antes de considerar uma retomada dos proventos.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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