O Bradesco se prepara para divulgar seu balanço do 3º trimestre de 2025 no dia 29 de outubro, após o fechamento do mercado, e as expectativas são otimistas. Segundo relatório da XP Investimentos, o banco deve apresentar lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, refletindo a retomada do crescimento em linhas estratégicas e a recuperação gradual das margens.
Nos últimos meses, o Bradesco vem mostrando sinais claros de recuperação operacional, sustentada por receitas de serviços, crédito para pequenas e médias empresas e principalmente pela força do segmento de seguros, previdência e capitalização, que hoje representa uma fatia significativa do lucro consolidado do grupo.
Com ativos totais superiores a R$ 2 trilhões e patrimônio líquido de R$ 174 bilhões, o Bradesco se mantém como uma das instituições mais sólidas do país. Seu P/L (Preço/Lucro) gira em torno de 9, enquanto o P/VPA (Preço/Valor Patrimonial) está na casa de 1,0 — um nível considerado atrativo para investidores que buscam empresas de valor com bom retorno sobre capital.
Desempenho das ações: valorização expressiva e dividend yield de quase 8%
As ações preferenciais (BBDC4), que são as mais negociadas na Bolsa, acumulam alta de cerca de 24% no ano, cotadas na faixa de R$ 17,60, e entregam um dividend yield próximo de 8%.
Já as ações ordinárias (BBDC3), cotadas em torno de R$ 15, também vêm em trajetória positiva, com P/L menor (7) e P/VPA de 0,9, o que indica maior desconto frente ao valor patrimonial e um bom potencial para investidores de longo prazo.
A principal diferença entre as duas classes está na liquidez e no nível de proteção (tag along).
BBDC4: oferece 80% de tag along, mas tem liquidez superior, o que a torna preferida para quem faz operações com opções.
BBDC3: possui 100% de tag along, oferecendo maior proteção em caso de mudanças de controle, sendo interessante para investidores que acumulam ações para longo prazo.
Segundo analistas, ambas as classes podem se beneficiar de um ciclo de melhora gradual no setor bancário, especialmente com o avanço do crédito, aumento da base de clientes e melhora nas margens financeiras.
Margens e seguros: pilares da recuperação do Bradesco
O ponto mais observado no resultado do Bradesco será o avanço das margens financeiras. Após períodos de compressão devido à inadimplência e ao ambiente de juros elevados, o banco começa a apresentar melhora consistente, impulsionada pela diversificação de receitas e eficiência operacional.
O segmento de seguros, previdência e capitalização deve ser o destaque do trimestre. Esse braço, que representa parcela expressiva do lucro do grupo, vem apresentando crescimento de dois dígitos e ajudando a compensar eventuais pressões nas linhas de crédito.
Além disso, a área de serviços bancários e gestão de investimentos — que inclui tarifas, administração de fundos e cartões — tem ampliado sua contribuição no resultado, reforçando a estratégia do Bradesco de reduzir a dependência do crédito tradicional.
A XP mantém recomendação neutra para BBDC4, com preço-alvo de R$ 17, o que indica que o papel já se aproxima do valor considerado justo pelos analistas. Ainda assim, há expectativa de surpresas positivas se o banco demonstrar aceleração de lucro e estabilidade nas provisões.
Dividendos e JCP: Bradesco mantém pagamentos mensais e pode elevar distribuição
O Bradesco continua remunerando seus acionistas de forma constante, com pagamentos mensais de Juros sobre Capital Próprio (JCP) no valor de R$ 0,01 por ação.
Em 29 de setembro, o banco realizou pagamento bruto de R$ 0,27 por ação ON (BBDC3) e R$ 0,29 por ação PN (BBDC4), referente ao cronograma de JCPs periódicos. Essa prática mantém o Bradesco entre as instituições mais previsíveis na distribuição de dividendos mensais no setor financeiro.
Com o resultado forte esperado para o trimestre, o mercado começa a precificar a possibilidade de JCP adicional no fim do ano, especialmente se o lucro ultrapassar as estimativas de R$ 6,2 bilhões.
Itaú (ITUB4) deve liderar lucros entre os grandes bancos
O Itaú Unibanco deve mais uma vez ocupar o topo do ranking de lucratividade entre os grandes bancos. A XP projeta lucro líquido de R$ 11,7 bilhões no 3º trimestre, com ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) estimado em 23% — o mais alto do setor.
O balanço será divulgado em 4 de novembro, após o fechamento do mercado, e o banco realizará sua tradicional conferência de resultados no dia 5.
A corretora recomenda compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 45, destacando o crescimento da plataforma digital, a forte geração de caixa e o aumento das receitas de serviços financeiros.
O Itaú vem se beneficiando do fortalecimento do ecossistema digital, com melhor experiência no app e aumento na oferta de produtos de investimento, crédito e seguros, fatores que impulsionaram o ganho de participação em segmentos de maior rentabilidade.
Além disso, o banco tem mostrado eficiência operacional crescente, controlando custos e aumentando a rentabilidade, mesmo em um cenário de Selic elevada e economia desaquecida.
Setor bancário: solidez e rentabilidade em meio a um cenário desafiador
Apesar da alta dos juros e da inadimplência em patamar elevado, os grandes bancos brasileiros continuam apresentando lucros bilionários e retornos acima da média mundial.
A combinação de alto nível de capitalização, diversificação de receitas e prudência na concessão de crédito tem garantido a resiliência do setor.
Para os investidores, a temporada de balanços promete fortes movimentações na Bolsa, com atenção especial às ações BBDC3, BBDC4 e ITUB4, que devem reagir diretamente aos números divulgados no final de outubro e início de novembro.
Agenda de resultados e próximos passos
Bradesco (BBDC3 e BBDC4) – Divulgação do 3T25 em 29 de outubro, após o fechamento do mercado.
Itaú Unibanco (ITUB4) – Divulgação do 3T25 em 4 de novembro, com teleconferência no dia seguinte.
Os investidores devem acompanhar de perto essas datas, já que o desempenho de Bradesco e Itaú tende a influenciar todo o setor financeiro, inclusive ações como Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11).
Dois gigantes disputando liderança e confiança dos investidores
O Bradesco entra na temporada de resultados com melhora nas margens e diversificação de lucros, enquanto o Itaú deve reforçar sua posição de banco mais rentável do país.
Com lucros projetados de R$ 6,2 bilhões e R$ 11,7 bilhões, respectivamente, ambos devem consolidar sua imagem como investimentos defensivos e previsíveis, especialmente em tempos de juros altos e volatilidade global.
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