O escândalo envolvendo o Banco Master entra em uma nova fase e promete deixar marcas profundas no sistema financeiro brasileiro. Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) já iniciou o ressarcimento dos investidores, as investigações da Polícia Federal avançam e apontam para um custo que pode ultrapassar R$ 50 bilhões, valor que deverá ser absorvido principalmente pelos grandes bancos — e, indiretamente, pela sociedade.
A Polícia Federal marcou 11 novos depoimentos para a próxima semana, autorizados pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). As oitivas envolvem ex-sócios, ex-diretores do Banco Master e nomes ligados ao Banco de Brasília (BRB).
Investigação avança e pressiona o STF
A nova fase da operação Compliance Zero enfrenta obstáculos técnicos e jurídicos. A PF ainda analisa um grande volume de materiais apreendidos na segunda fase da operação, que teve novamente como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que segue usando tornozeleira eletrônica.
Além disso, o caso passou a gerar desconforto institucional dentro do STF. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, antecipou sua volta a Brasília para discutir os impactos da crise e a permanência de Dias Toffoli na relatoria, após decisões consideradas atípicas, que provocaram críticas da PF, da Procuradoria-Geral da República e até de advogados de investigados.
Quem vai pagar a conta do Banco Master?
A resposta curta: os grandes bancos — e, no fim, todos nós.
O Estatuto do Fundo Garantidor de Crédito prevê que, em situações de sinistro dessa magnitude, seja feita uma chamada de capital. Isso significa que os bancos terão que reforçar o caixa do FGC, seja antecipando contribuições futuras, aumentando depósitos ou fazendo ambos.
Bancos mais impactados
Os maiores aportes devem vir de instituições como:
Banco do Brasil
Caixa Econômica Federal
Itaú
Bradesco
Santander
Fontes do mercado indicam que cada grande banco pode ser chamado a aportar entre R$ 3 bilhões e R$ 6 bilhões, dependendo do tamanho final do rombo.
Dimensão do rombo estimado
| Situação analisada | Valor estimado |
|---|---|
| Ressarcimento básico do FGC | R$ 41 bilhões |
| Estimativa revisada | R$ 45 bilhões |
| Com liquidação do Will Bank (100% do Master) | Até R$ 50 bilhões |
O Will Bank, controlado integralmente pelo Banco Master, é visto como um fator de risco adicional. Caso sua liquidação seja confirmada, o impacto no FGC aumenta significativamente.
Dinheiro público entra na conta
Parte relevante desse custo envolve recursos públicos. A Caixa Econômica Federal é 100% estatal, e o Banco do Brasil, embora seja uma economia mista, tem controle majoritário do governo federal.
Na prática, isso significa que dinheiro público será usado para recompor o FGC, elevando ainda mais a sensibilidade política do caso.
Efeito final: juros e tarifas mais altos
Especialistas alertam que, após o aporte obrigatório, os bancos tendem a repassar o custo:
aumento de tarifas bancárias
juros mais altos em empréstimos e financiamentos
menor oferta de crédito
Ou seja, mesmo quem nunca teve relação com o Banco Master poderá sentir os efeitos no dia a dia.
Banco Central prepara mudanças após o escândalo
O Banco Central já discute novas regras para evitar que o FGC seja usado como modelo de negócio, como ocorreu no Banco Master.
A principal proposta é a criação de um índice de liquidez de ativos, que funcionaria como uma “nota” para cada banco:
Bancos com baixa liquidez só poderão captar recursos garantidos pelo FGC se comprarem títulos do Tesouro Nacional para lastrear o risco.
A ideia é impedir captações agressivas pagando até 140% do CDI, sustentadas por ativos de baixa qualidade.
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