Os investidores do Banco do Brasil se aproximam de um período importante para avaliar a recuperação da instituição e a possibilidade de novos pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio.
O banco divulgará os resultados do segundo trimestre de 2026 em 12 de agosto. No dia seguinte, 13 de agosto, a administração realizará a apresentação pública do balanço, conforme o calendário oficial de Relações com Investidores.
A divulgação deverá mostrar se houve melhora na qualidade da carteira de crédito, principalmente no agronegócio, segmento que pressionou os resultados do banco nos últimos trimestres.
Embora exista expectativa por novos proventos, os valores e as datas somente estarão confirmados após uma comunicação oficial. Portanto, eventuais projeções não devem ser tratadas como pagamento garantido.
Principais pontos para acompanhar em BBAS3
| Indicador ou evento | Informação |
|---|---|
| Divulgação do resultado do 2º trimestre | 12 de agosto de 2026 |
| Apresentação pública do balanço | 13 de agosto de 2026 |
| Cotação indicada pelo RI em 24 de julho | Aproximadamente R$ 20,00 |
| Contrato com os Correios | Até R$ 2,30 bilhões |
| Prazo do contrato | 60 meses |
| Recursos anunciados para o Plano Safra | Cerca de R$ 210 bilhões |
| Principal risco | Inadimplência e custo do crédito |
Plano Safra mantém Banco do Brasil como líder no crédito rural
Entre os principais movimentos recentes está a disponibilização de aproximadamente R$ 210 bilhões pelo Banco do Brasil para financiar a safra 2026/2027.
O volume ficou próximo dos R$ 209 bilhões desembolsados no ciclo anterior. A maior parcela deverá atender produtores empresariais, cooperativas, agroindústrias e operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização.
Outra parte dos recursos será direcionada a pequenos e médios produtores e à agricultura familiar.
O Plano Safra nacional 2026/2027 reúne R$ 610,30 bilhões em recursos para diferentes grupos de produtores. O ciclo começou em 1º de julho de 2026 e seguirá até 30 de junho de 2027.
Para o Banco do Brasil, a manutenção da liderança no agronegócio preserva relacionamentos com produtores e abre espaço para receitas provenientes de seguros, cartões, investimentos e outros serviços financeiros.
O desafio, porém, será crescer sem provocar uma nova elevação das perdas com empréstimos. Depois do avanço da inadimplência rural, o mercado espera concessões mais seletivas, garantias mais robustas e maior controle de riscos.
Contrato de R$ 2,30 bilhões com os Correios chama atenção
O Banco do Brasil também firmou um novo contrato de até R$ 2,30 bilhões com os Correios para a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos no Brasil e no exterior.
O acordo entrou em vigor em 2 de julho e terá duração de cinco anos. Dessa forma, o valor corresponde ao limite total do contrato durante 60 meses, e não a uma despesa contabilizada integralmente em um único trimestre.
O banco informou que a contratação direta ocorreu por inviabilidade de competição. Segundo a instituição, aproximadamente 97,84% das despesas envolvem serviços sujeitos ao monopólio postal dos Correios.
Ainda assim, o contrato deverá continuar sendo acompanhado pelos investidores, principalmente por envolver duas empresas controladas pelo governo e levantar questionamentos sobre custos, eficiência e governança.
Dividendos dependerão da recuperação do lucro
A capacidade de pagamento de dividendos do Banco do Brasil está diretamente ligada ao lucro, à inadimplência, às provisões para perdas e ao nível de capital da instituição.
O banco encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 20,69 bilhões, uma queda de 45,40% em relação a 2024. O resultado foi afetado principalmente pelo aumento da inadimplência e pelas novas regras contábeis.
Para 2026, a remuneração aos acionistas deverá ser mais conservadora do que nos períodos de maior lucratividade. Mesmo que o banco mantenha pagamentos recorrentes, os valores por ação podem permanecer inferiores aos registrados nos melhores anos.
Também é importante lembrar que comprar ações apenas para receber um dividendo não garante lucro. Após a data de corte, o preço do papel costuma ser ajustado pelo valor do provento.

BBAS3 está barata?
Com as ações próximas de R$ 20,00, o Banco do Brasil continua negociado abaixo de seu valor patrimonial, condição que pode atrair investidores interessados em empresas descontadas.
O preço reduzido, entretanto, reflete riscos reais: inadimplência elevada, aumento das provisões, menor rentabilidade, exposição ao agronegócio e possibilidade de interferência política.
O balanço de 12 de agosto será determinante para mostrar se o pior momento do ciclo de crédito ficou para trás. Uma recuperação do lucro e uma redução das perdas poderiam fortalecer a perspectiva de dividendos. Caso a inadimplência continue elevada, a ação poderá permanecer pressionada.
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