O Banco Central do Brasil (BC) decretou, nesta quarta-feira, a liquidação extrajudicial da Will Financeira, fintech digital ligada ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A decisão marca o fim de uma longa tentativa do regulador de evitar uma medida extrema e escancara o agravamento da crise financeira envolvendo o grupo.
Segundo comunicado oficial, a liquidação foi determinada após o comprometimento da situação econômico-financeira, caracterização de insolvência e a existência de vínculos de interesse com outras instituições já liquidadas do mesmo grupo.
A medida encerra definitivamente as atividades da Will Financeira e autoriza o início do processo de venda de ativos, pagamento de credores e apuração de responsabilidades.
Por que o Banco Central decidiu liquidar a Will Financeira agora
Em novembro, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outros braços do grupo, a Will Financeira foi poupada inicialmente. À época, o regulador entendeu que ainda havia alternativas menos traumáticas, como:
Regime especial de administração
Substituição da diretoria
Busca por novos controladores
Possível venda da operação
No entanto, meses depois, o cenário se deteriorou. De acordo com a avaliação do Banco Central:
Não houve avanço nas negociações para venda
Nenhum comprador considerado viável foi encontrado
As irregularidades ligadas ao grupo se agravaram
A situação patrimonial tornou-se irreversível
Diante disso, o BC concluiu que não havia mais solução intermediária, restando apenas a liquidação.
O que significa a liquidação extrajudicial na prática
A liquidação extrajudicial é uma das medidas mais severas do sistema financeiro. Ela implica:
Encerramento definitivo das operações
Bloqueio de novas movimentações
Venda de ativos da instituição
Pagamento de credores conforme prioridade legal
Investigação de eventuais irregularidades
A administração da empresa passa a ser feita por um liquidante indicado pelo Banco Central.
Impacto imediato: cartões suspensos e clientes afetados
Pouco após o anúncio do BC, a Mastercard informou a suspensão do uso dos cartões da Willbank em sua rede. Em nota, a empresa afirmou que vinha acompanhando a situação da fintech “há algum tempo” e que a decisão visa proteger o ecossistema financeiro.
Números que mostram o tamanho do problema
Segundo dados divulgados pela própria instituição antes da liquidação, a Will Financeira possuía:
| Indicador | Dados estimados |
|---|---|
| Clientes | Mais de 9 milhões |
| Movimentação financeira | Cerca de R$ 7,5 bilhões |
| Atuação | Banco digital / fintech |
O volume evidencia que a liquidação tem impacto relevante no mercado, especialmente para clientes de varejo.
Conexão com o Banco Master pesou na decisão
O Banco Central também destacou que a rede de conexões financeiras e suspeitas envolvendo o Banco Master tornou a situação da Will Financeira ainda mais delicada.
A liquidação do Banco Master já havia exigido uma atuação pesada do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com um resgate estimado em R$ 40 bilhões, valor bancado por contribuições do próprio sistema bancário.
Esse histórico aumentou a preocupação do regulador com risco sistêmico, levando à decisão final.
O que acontece agora com os clientes
Cartões: suspensos
Saldos: sujeitos às regras do processo de liquidação
FGC: pode ser acionado, conforme o tipo de produto contratado
Informações oficiais: devem ser divulgadas pelo liquidante
O Banco Central informou que novos comunicados trarão detalhes operacionais sobre o atendimento aos clientes e credores.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






