Em meio ao Ibovespa renovando máximas e a forte valorização de diversas blue chips, o Banco BMG (BMGB4) começa a chamar atenção por um conjunto raro: crescimento expressivo de lucro, dividend yield acima de 11% e múltiplos ainda comprimidos.
Mesmo após uma valorização próxima de 40% nos últimos 12 meses, as ações voltaram a orbitar a faixa dos R$ 5,00, mantendo um nível de desconto relevante quando analisadas sob a ótica de patrimônio, rentabilidade e geração de caixa.
O principal destaque é o desempenho de 2025.
Lucro quase dobra e patrimônio cresce
O Banco BMG encerrou 2025 com aproximadamente R$ 560 milhões de lucro líquido, contra cerca de R$ 250 milhões em 2024. Na prática, o resultado praticamente dobrou em apenas um ano.
Evolução do lucro
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido | ~R$ 250 mi | ~R$ 560 mi | +120% |
| ROE médio anual | ~9% | ~14% | +5 p.p. |
| ROE 4T25 (trimestralizado) | — | ~19% | Forte alta |
| Dividend Yield atual | — | >11% | Elevado |
Esse crescimento teve impacto direto no patrimônio líquido. Como parte relevante do lucro foi retida, o banco fortaleceu sua base de capital. Isso tende a pressionar o indicador P/VP para baixo, caso o preço não acompanhe integralmente o aumento patrimonial — ampliando a percepção de desconto.
ROE em forte recuperação: ponto central da tese
Historicamente, um dos principais pontos fracos do Banco BMG foi a rentabilidade. Em 2023, o retorno sobre o patrimônio era significativamente inferior ao observado hoje.
Em 2025, o banco encerra o ano com ROE médio ao redor de 14%, chegando a aproximadamente 19% no último trimestre, o que indica melhora operacional consistente.
Ainda não é um ROE de 20% ou mais — como observado em grandes bancos privados —, mas justamente por isso o mercado ainda não precificou o ativo como uma empresa de alta qualidade plena.
A tese é clara:
Se o ROE continuar subindo, o múltiplo tende a expandir.
Se a rentabilidade estabilizar nesse novo patamar, o desconto pode diminuir gradualmente.
Inadimplência cai e melhora qualidade da carteira
Outro avanço importante foi na qualidade do crédito.
A inadimplência acima de 90 dias, que já esteve próxima de 5%, recuou para cerca de 3,5% no final de 2025. Isso representa melhora relevante frente aos níveis anteriores e, em determinados momentos, posicionou o banco com qualidade de crédito superior à média de grandes instituições expostas ao agro.
Essa queda impacta diretamente o PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). Apesar de oscilações trimestrais — inclusive com aumento pontual no 4T25 —, o movimento estrutural de 2025 foi de controle e redução no acumulado anual.
O impacto do PDD no trimestre:
| Indicador | 3T25 | 4T25 |
|---|---|---|
| PDD | ~R$ 300 mi | ~R$ 383 mi |
| Resultado operacional | ~R$ 217 mi | ~R$ 136 mi |
Mesmo com maior provisão no último trimestre, o lucro líquido avançou para R$ 172 milhões, beneficiado por crédito tributário não recorrente, fechando o ano em forte expansão.
Basileia saudável e estrutura de capital equilibrada
O índice de Basileia do Banco BMG está ao redor de 13%, dentro de uma faixa considerada confortável (12% a 16%).
Isso indica que o banco mantém capital próprio suficiente para sustentar suas operações de crédito, sem comprometer excessivamente sua alavancagem.
Em bancos, equilíbrio é fundamental:
Basileia muito baixa gera risco.
Basileia muito alta pode limitar crescimento.
O BMG está em um nível intermediário, permitindo expansão com controle de risco.
Dividendos acima de 11%: destaque no setor
Com dividend yield superior a 11%, o Banco BMG se posiciona entre os maiores pagadores médios do setor bancário nos últimos anos.
Considerando projeções conservadoras de payout — inferiores ao percentual já distribuído em anos anteriores — o banco ainda conseguiria sustentar um retorno atrativo ao acionista.
Mesmo assumindo:
Lucro levemente abaixo de 2025
Payout mais moderado
Crescimento controlado
O dividendo projetado ainda gira em torno de dois dígitos.
Para um banco que ainda está em fase de melhoria operacional, isso chama atenção.
Valuation: ainda entre as ações mais baratas
Com preço próximo de R$ 5,00, a ação segue negociando a múltiplos comprimidos frente:
Crescimento recente do lucro
Melhora no ROE
Redução da inadimplência
Fortalecimento patrimonial
Dentro de rankings de ações mais descontadas do Ibovespa, o Banco BMG aparece entre as primeiras posições, refletindo o fato de que o mercado ainda exige prêmio de risco relevante.
O ponto central é:
O desconto existe porque o banco ainda está em processo de consolidação de qualidade.
Se continuar entregando melhoria operacional, o espaço para reprecificação permanece aberto.
Riscos que precisam ser monitorados
Apesar do cenário favorável, o investimento não é isento de riscos:
Volatilidade no PDD
Sensibilidade ao ciclo de crédito
Dependência da manutenção da qualidade da carteira
Crescimento sustentável do ROE
Caso a rentabilidade volte a deteriorar ou a inadimplência volte a subir, o ativo pode lateralizar ou perder tração.
Oportunidade ainda existe?
O Banco BMG combina hoje:
Lucro quase dobrado
ROE em forte recuperação
Inadimplência em queda estrutural
Dividend yield acima de 11%
Múltiplos ainda comprimidos
Mesmo após valorização relevante nos últimos 12 meses, o ativo ainda apresenta características de ação descontada em transição operacional.
O mercado começa a reconhecer a melhora.
Se os próximos trimestres confirmarem consistência, o desconto pode diminuir — e o momento de oportunidade pode não durar muito tempo.
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