Não existe bola de cristal no mercado financeiro. O que existe é método, disciplina e análise racional. Um dos modelos mais respeitados da história dos investimentos é o criado por Benjamin Graham, autor do clássico O Investidor Inteligente.
A lógica é simples, mas poderosa:
o preço de uma ação nem sempre reflete o seu valor real. Quando isso acontece, surgem oportunidades raras para o investidor paciente.
O método de Graham se apoia em três pilares fundamentais:
Análise fundamentalista rigorosa, focada em empresas lucrativas e financeiramente saudáveis
Margem de segurança, comprando ações bem abaixo do valor justo estimado
Mentalidade de sócio, pensando no longo prazo, e não como especulador
A seguir, quatro empresas brasileiras que se encaixam perfeitamente nessa filosofia e apresentam potencial de valorização elevado aliado a dividendos robustos.
Ferbasa (FBAS3): commodity descontada com dividendos de dois dígitos
A Ferbasa é uma clássica empresa de commodities, ideal para compor entre 10% e 15% de uma carteira diversificada. Mesmo em um ciclo menos favorável, segue entregando resultados consistentes e dividendos elevados.
Destaques financeiros
Dividend yield: 10,47%
Desvalorização em 12 meses: –9%
P/L: 11,47 (abaixo do limite de 15 defendido por Graham)
P/VP: 0,73 (mercado pagando apenas 73% do valor patrimonial)
Preço justo pelo método de Graham
VPA: R$ 9,59
LPA: R$ 0,61
Preço justo estimado: R$ 11,47
Cotação aproximada: R$ 4,52
Potencial de valorização: 65,7%
Ferbasa oferece uma combinação rara: ativos reais, geração de caixa e forte margem de segurança.
Cemig (CMIG4): elétrica descontada e máquina de dividendos
A Cemig é uma das elétricas mais tradicionais do Brasil e referência quando o assunto é remuneração ao acionista.
Por que a Cemig se destaca
Dividend yield: 13,34%
Valorização em 12 meses: +10%
Histórico frequente de bonificações em ações
Múltiplos abaixo da média do setor
Preço justo pelo método de Graham
VPA: R$ 10,04
LPA: R$ 1,40
Preço justo estimado: R$ 17,78
Cotação aproximada: R$ 6,70
Potencial de valorização: 61,5%
Para quem busca renda passiva previsível e segurança operacional, Cemig permanece entre as elétricas mais descontadas da Bolsa.
Grazziotin (CGRA4): varejo fora da curva com dividendos recordes
Enquanto o setor varejista costuma ser evitado por investidores conservadores, a Grazziotin foge completamente do padrão.
Números que chamam atenção
Valorização em 12 meses: +23%
P/L: 5,63
P/VP: 0,60
Dividend yield: 25,2%
Histórico de dividendos
2015: R$ 0,84
2024: R$ 2,69
2025: R$ 6,80 (recorde)
Média dos últimos 5 anos: R$ 8,34
Preço justo pelo método de Graham
VPA: R$ 4,51
LPA: R$ 0,95
Preço justo estimado: R$ 71,97
Potencial de valorização: acima de 100%
Uma margem de segurança extremamente elevada para uma empresa lucrativa e com histórico consistente de distribuição de lucros.
Grendene (GRND3): dividendos previsíveis e valuation comprimido
A Grendene combina marca forte, geração de caixa e um dos históricos de dividendos mais estáveis da Bolsa brasileira.
Indicadores principais
Dividend yield: 11,6%
Valorização em 12 meses: +12%
P/L: 6,66
P/VP: 1,19
Média de dividendos (5 anos): 9,36%
Preço justo pelo método de Graham
Preço justo estimado: R$ 9,99
Potencial de valorização: 69,9%
Grendene é típica ação “para dormir tranquilo”, combinando previsibilidade, caixa líquido e forte remuneração ao acionista.
Valor importa mais do que preço
Essas quatro ações têm algo em comum:
estão muito abaixo do valor justo, pagam bons dividendos e oferecem margem de segurança elevada.
O método de Graham não promete ganhos rápidos, mas protege o investidor de erros graves — como pagar caro por empresas medianas ou ruins.
Mais importante do que olhar apenas P/L ou P/VP isoladamente é precificar corretamente os ativos. Seja usando o método de Graham, preço teto, Bazin, Gordon ou fluxo de caixa, o princípio é o mesmo:
comprar bem é o primeiro passo para investir bem.
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