A Renault finalmente mostrou a versão de produção da Niagara, sua nova picape intermediária desenvolvida para a América Latina. Depois de meses de antecipações, o modelo aparece pronto para entrar em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro, colocando Fiat Toro, Ram Rampage, Ford Maverick e a futura Volkswagen Tukan diretamente em sua linha de confronto.
Produzida na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina, a Niagara utiliza uma evolução da plataforma RGMP, arquitetura também relacionada aos projetos de Kardian e Boreal. A fabricante afirma que o modelo foi desenvolvido, projetado e produzido integralmente na América Latina.
Niagara tem quase 5 metros e porte acima da Oroch
A nova picape mede 4,94 metros de comprimento nas configurações 4×4 e 4,91 metros nas versões 4×2. A altura chega a 1,72 metro, enquanto as rodas podem ter 17 ou 18 polegadas, dependendo da configuração.
O porte deixa claro que a Niagara não é uma simples substituta direta da Oroch. A Renault avançou para uma faixa superior, buscando compradores que querem capacidade de carga, mas também conforto próximo ao encontrado em SUVs médios.
Na configuração mostrada pela Autoesporte, o modelo tem cerca de 22,3 centímetros de distância do solo, suspensão independente McPherson na dianteira e multilink na traseira, além de freios a disco nas quatro rodas.
Caçamba de 938 litros suporta 654 kg
Um dos números mais importantes está na traseira. A caçamba oferece 938 litros de volume e capacidade para transportar até 654 kg. A tampa utiliza abertura por botão e há tomada de 12 volts e pontos de fixação para cargas.
A própria Renault confirma oficialmente os 938 litros e os 654 kg de capacidade. O modelo também pode rebocar até 710 kg, número que a marca apresenta como o melhor da categoria.
A capacidade de carga fica abaixo dos 750 kg disponíveis em determinadas versões da Fiat Toro, mas a Niagara tenta compensar com espaço, reboque e uma proposta de cabine mais sofisticada.
Motor 1.3 turbo trabalha com câmbio de dupla embreagem
Debaixo do capô está o conhecido 1.3 turbo flex de quatro cilindros com injeção direta. No material brasileiro, a Renault informa potência de 158 cv na configuração apresentada.
A transmissão automática é de dupla embreagem e seis marchas. A gama também terá opção manual de seis velocidades nas configurações mais simples.
A estratégia permite organizar a Niagara em versões 4×2 mais acessíveis e uma configuração superior com tração automática 4×4. Nesse sistema, a força pode ser distribuída entre os eixos de acordo com as condições de aderência.
A Renault também confirmou que a arquitetura da picape está preparada para receber motorização híbrida posteriormente, ampliando a eletrificação da linha latino-americana.
Interior aproxima Niagara do Renault Boreal
Dentro da cabine, a influência do Boreal fica ainda mais evidente. A Niagara recebe painel digital e central multimídia, conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto e sistema OpenR Link com serviços Google integrados.
Entre os equipamentos previstos nas versões superiores aparecem câmera 360 graus, iluminação ambiente personalizável, seletor de modos de condução, freio de estacionamento eletrônico e banco do motorista com ajustes elétricos.
A lista de assistências também é extensa. A Renault já divulgou recursos como frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de tráfego cruzado traseiro, sensores dianteiros e traseiros e sistema de câmeras ao redor do veículo.
O banco traseiro também ganhou atenção. Além do espaço para passageiros, existe um compartimento de aproximadamente 36 litros atrás dos assentos, que podem ser rebatidos para liberar a área.
Renault escolhe confronto direto com a Fiat Toro
A Niagara representa uma mudança importante na estratégia da Renault. Em vez de disputar somente o espaço das picapes compactas, a marca passa a atacar o território das intermediárias, justamente onde a Fiat Toro construiu uma forte presença no Brasil.
O posicionamento será reforçado pela combinação entre carroceria monobloco, cabine com características de SUV e versões com tração 4×4.
Os preços brasileiros ainda não foram divulgados. A expectativa é de que os valores e a composição definitiva da gama sejam apresentados no lançamento comercial previsto para novembro.
O preço será decisivo. Se a Renault conseguir posicionar a Niagara competitivamente entre as versões superiores da Chevrolet Montana e a faixa ocupada por Fiat Toro e Ram Rampage, a nova picape poderá se transformar em uma das principais novidades do segmento.
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