O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (11) em queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, após uma sessão marcada pela mudança de humor dos investidores diante do cenário político doméstico, da queda das commodities e das expectativas para as próximas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar do recuo diário, o principal índice da B3 acumulou valorização de aproximadamente 1,1% na semana.
O mercado iniciou o pregão em terreno positivo, mas perdeu força ao longo do dia. No momento de maior pressão, o índice chegou à região dos 186,2 mil pontos antes de reduzir as perdas nas últimas horas de negociação.
Caso Banco Master aumenta cautela entre investidores
Parte da deterioração do mercado doméstico ocorreu em meio aos novos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de diversos procedimentos relacionados ao caso após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. Nem todas as informações foram tornadas públicas, já que documentos relacionados a diligências em andamento ou futuras podem continuar protegidos.
A divulgação ampliou a atenção sobre as possíveis consequências políticas das investigações. Com a proximidade das eleições, investidores passaram a avaliar de que maneira novas informações poderiam alterar expectativas sobre o cenário eleitoral e, consequentemente, a percepção de risco dos ativos brasileiros.
A movimentação ajuda a explicar por que o Ibovespa terminou em queda mesmo em uma sessão positiva nas principais bolsas de Nova York.
Commodities também pressionam a Bolsa
O ambiente externo relacionado às commodities adicionou pressão ao mercado brasileiro.
A queda do petróleo afetou empresas relevantes para a composição do Ibovespa. O Brent perdeu força depois das fortes valorizações recentes, contribuindo para o recuo das ações da Petrobras durante a sessão.
Esse movimento tem impacto relevante sobre o índice porque empresas ligadas a petróleo, mineração e outras commodities possuem participação expressiva na carteira teórica da Bolsa brasileira.
O contraste chamou atenção durante o pregão: enquanto os índices americanos avançaram, o mercado brasileiro seguiu trajetória negativa.
Dólar supera novamente os R$ 5,12
A maior aversão ao risco também apareceu no câmbio.
O dólar comercial encerrou a sessão na faixa de R$ 5,12, revertendo a queda observada mais cedo. Diferentes referências de fechamento apontaram valorização próxima de 0,4% no dia.
Na semana, porém, a moeda americana ficou praticamente estável, enquanto o Ibovespa conseguiu preservar uma alta superior a 1%.
O comportamento mostra que os investidores continuam divididos entre fatores que favorecem os ativos brasileiros — como expectativas para os juros — e o aumento das incertezas políticas.
Datafolha amplia atenção para a próxima sessão
Outro fator observado pelo mercado durante o pregão era a nova pesquisa Datafolha sobre a disputa presidencial.
O levantamento, divulgado depois do fechamento da Bolsa, mostrou Lula com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno. Em eventual segundo turno entre os dois, os percentuais são de 46% e 44%, respectivamente, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 8 e 10 de setembro e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Como os números foram publicados depois do encerramento das negociações desta sexta-feira, eventuais repercussões sobre preços de ações, dólar e juros futuros ficarão para os próximos pregões.
Juros entram no centro das atenções
Além da política, a próxima semana concentra decisões importantes para os mercados.
Investidores acompanham as reuniões do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e do Copom, no Brasil. Os movimentos das duas autoridades monetárias podem alterar expectativas para câmbio, renda fixa e Bolsa.
No cenário doméstico, a deflação de 0,32% registrada pelo IPCA de agosto reforçou as discussões sobre o espaço para redução da Selic. Nos Estados Unidos, os últimos números de inflação adicionaram incerteza sobre a trajetória dos juros americanos.
Depois de uma semana de forte volatilidade, a combinação entre Banco Master, corrida eleitoral, commodities e decisões de juros deve continuar determinando a direção do Ibovespa nos próximos pregões.
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