O Google ampliou a disponibilidade do Gemini Spark, seu novo agente pessoal de inteligência artificial capaz de executar tarefas de forma contínua e trabalhar em segundo plano. O Brasil está entre os mercados onde o recurso pode ser utilizado por usuários elegíveis dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra.
Segundo a documentação oficial do Gemini, o Spark está disponível atualmente nos países em que os aplicativos Gemini são oferecidos, com exceção do Espaço Econômico Europeu, Reino Unido, Suíça e Nigéria. O Brasil não aparece entre as regiões excluídas. Para utilizar a ferramenta, é necessário ter pelo menos 18 anos, acessar o Gemini com uma conta pessoal do Google, manter a atividade do Gemini habilitada e possuir uma assinatura AI Pro ou Ultra.
A novidade representa uma mudança importante na maneira como o Google pretende posicionar o Gemini. Em vez de funcionar apenas como um chatbot que responde perguntas ou gera conteúdo, o Spark foi desenvolvido para receber objetivos, dividir atividades em etapas e executar ações em nome do usuário.
O Google define o Gemini Spark como um agente pessoal de IA disponível 24 horas por dia e capaz de continuar determinadas tarefas em segundo plano. A tecnologia foi anunciada durante o Google I/O 2026 e utiliza modelos da família Gemini, além da infraestrutura agêntica Google Antigravity.
O que é o Gemini Spark
O Gemini Spark funciona como uma camada de automação dentro do ecossistema Gemini. O usuário descreve em linguagem natural aquilo que pretende fazer e o agente pode planejar diferentes etapas necessárias para chegar ao resultado.
Entre os exemplos apresentados pelo próprio Google estão organizar a caixa de entrada, resumir ou arquivar newsletters, cancelar inscrições em listas de e-mail, acompanhar assuntos específicos e produzir pesquisas aprofundadas estruturadas conforme o objetivo do usuário.
Isso significa que comandos complexos deixam de exigir uma sequência manual de instruções.
Em vez de solicitar individualmente uma pesquisa, depois pedir um resumo e posteriormente transformar as informações em outro formato, o usuário pode determinar o objetivo final e permitir que o Spark organize parte do fluxo.
O Google afirma que o agente foi projetado para operar de maneira autônoma, mas sob orientação do usuário. A empresa também estabeleceu mecanismos para que determinadas ações consideradas relevantes ou sensíveis precisem de confirmação antes de serem concluídas.
Gmail, Drive e Agenda ampliam possibilidades de automação
Um dos principais diferenciais do Gemini Spark está na integração com os serviços do próprio Google.
O Gemini já consegue trabalhar com conteúdos armazenados em aplicativos do Google Workspace, incluindo Gmail, Google Agenda, Drive, Documentos, Planilhas, Apresentações, Keep e Tarefas, dependendo das permissões concedidas pelo usuário.
Com isso, uma pessoa pode, por exemplo, pedir que o agente localize determinados e-mails, organize informações importantes e transforme os dados encontrados em um formato mais útil para acompanhamento.
A ferramenta também pode ser utilizada em fluxos recorrentes. O Google diferencia as programações do Spark das ações programadas comuns existentes nas conversas do Gemini. No Spark, a proposta é entregar tarefas ao agente para que sejam executadas automaticamente segundo uma condição ou um horário determinado.
Uma programação poderia solicitar, por exemplo, um levantamento diário sobre determinado assunto ou uma verificação baseada no surgimento de uma condição previamente definida.
Spark pode continuar trabalhando em segundo plano
Outra característica importante está na possibilidade de determinadas tarefas continuarem sendo executadas mesmo depois que o usuário deixa o Gemini.
No anúncio realizado durante o Google I/O 2026, o Google apresentou o Spark como um agente que pode trabalhar em segundo plano mesmo quando telefone ou notebook não estão sendo utilizados.
Há, porém, diferenças dependendo do tipo de tarefa.
Quando o Spark utiliza um navegador remoto, determinada atividade pode continuar mesmo após o dispositivo ser fechado. Algumas etapas, como autenticação em sites, podem interromper temporariamente o processo até que o próprio usuário assuma o controle. Já determinados fluxos ligados ao navegador Chrome local podem exigir que computador e navegador permaneçam funcionando.
Essa arquitetura permite que o Gemini se aproxime do conceito de agentes autônomos, capazes de acompanhar uma atividade durante períodos mais longos em vez de depender permanentemente de uma janela de chat aberta.
Tarefas sensíveis continuam exigindo atenção
Apesar do avanço na autonomia, o Google alerta que o Gemini Spark ainda pode cometer erros.
A recomendação oficial é evitar inserir diretamente em tarefas informações como senhas, dados de pagamento ou outros conteúdos considerados sensíveis. Para determinadas operações, o usuário pode precisar assumir o controle do navegador e preencher pessoalmente essas informações.
O Google também recomenda cautela ao criar tarefas programadas envolvendo informações confidenciais, principalmente porque algumas delas podem ser executadas quando o usuário estiver desconectado.
A empresa afirma ainda que certas operações podem exigir confirmação antes da conclusão. Essa abordagem faz parte da estratégia adotada desde a apresentação do Spark, quando o Google destacou que ações mais importantes deveriam permanecer sob supervisão do usuário.
Gemini deixa de ser apenas um chatbot
O lançamento do Spark reforça uma das principais tendências atuais da inteligência artificial: a transição de assistentes que apenas produzem respostas para agentes capazes de executar ações.
No site brasileiro do Gemini, o próprio Google apresenta o Spark como um “agente pessoal” capaz de dividir grandes objetivos em etapas e conectar aplicativos para ajudar o usuário a avançar em suas tarefas.
A mudança pode ter impacto principalmente sobre usuários que querem automatizar rotinas sem precisar configurar códigos, APIs ou plataformas independentes.
O comando continua sendo feito principalmente em linguagem natural. A complexidade passa a ficar por trás da interface, enquanto o usuário descreve o resultado esperado.
Quem pode usar o Gemini Spark no Brasil
Neste momento, o acesso não está previsto para usuários da versão gratuita ou do plano AI Plus.
A Central de Ajuda do Google estabelece como requisito uma assinatura Google AI Pro ou Google AI Ultra, além de conta Google pessoal e idade mínima de 18 anos. Contas corporativas ou educacionais não são compatíveis com o Spark neste estágio da disponibilidade.
No Brasil, o Google apresenta atualmente o AI Pro por R$ 96,99 mensais, enquanto o AI Ultra aparece a partir de R$ 779,90 mensais. Valores e condições podem ser alterados pela empresa.
O recurso pode ser utilizado pelo aplicativo móvel do Gemini, pelo aplicativo Gemini para Mac e pela versão web. A disponibilidade efetiva pode variar entre contas durante etapas de distribuição do produto.
Spark coloca Google na disputa pelos agentes pessoais de IA
A chegada do Gemini Spark amplia a disputa das grandes empresas de tecnologia por uma nova geração de assistentes digitais.
A diferença fundamental está no objetivo: em vez de esperar continuamente uma nova pergunta, agentes como o Spark podem receber uma missão, consultar diferentes fontes, executar etapas e retornar ao usuário quando o trabalho avançar ou exigir uma decisão.
Para o Google, existe ainda uma vantagem estratégica: Gmail, Drive, Agenda, Documentos e outros serviços já concentram parte significativa da rotina digital de milhões de usuários.
Ao conectar um agente de inteligência artificial diretamente a esse ecossistema, a companhia tenta transformar o Gemini de ferramenta utilizada eventualmente para consultas em uma plataforma permanente de automação pessoal.
O Spark ainda está em uma fase inicial de desenvolvimento, mas sua expansão para mercados como o Brasil mostra que o Google começou a levar essa estratégia para além dos primeiros testes realizados nos Estados Unidos. A partir de agora, a disputa no mercado de IA passa a envolver não apenas quem oferece as melhores respostas, mas também qual assistente consegue efetivamente realizar mais tarefas pelo usuário.
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