O BTHF, head fund do BTG Pactual, divulgou seu relatório mensal referente aos dados de dezembro, marcando também um ano desde que passou a ser negociado na B3.
Antes listado no mercado balcão, o fundo ganhou visibilidade após incorporar o BCF e migrar definitivamente para o ambiente de Bolsa. Mesmo com essa evolução estrutural e maior transparência, o BTHF ainda negocia com deságio relevante.
Atualmente, a cota patrimonial gira em torno de R$ 10,25, enquanto a cota de mercado está próxima de R$ 9,03 um desconto expressivo que reforça o cenário observado nos chamados “head funds”, que continuam negociando abaixo do valor patrimonial.
BTHF mantém deságio relevante mesmo após ganho de capital milionário e aumento extraordinário na distribuição.
Resultado mensal surpreende e distribuição supera expectativa
O fundo apresentou resultado de aproximadamente R$ 0,11 por cota no período, enquanto a distribuição foi elevada para R$ 0,106 acima do patamar recorrente, que gira próximo de R$ 0,09.
Essa distribuição mais robusta foi impulsionada principalmente por ganhos de capital relevantes no período, especialmente ligados a eventos envolvendo ativos incorporados e movimentações estratégicas da carteira.
Entre os principais fatores:
- Ganho de capital estimado em cerca de R$ 5,5 milhões
- Reinvestimento de aproximadamente R$ 50 milhões em novas posições
- Forte atividade de realocação de portfólio
Importante destacar que o ganho de capital não é integralmente distribuído. Parte significativa foi realocada estrategicamente para fortalecer a carteira.
Venda da Z Tower gera potencial de R$ 46 milhões em mais-valias
Um dos pontos centrais do relatório foi o desinvestimento no ativo Z Tower, negociado com o fundo TRXF11.
Segundo o BTHF, o ativo foi vendido a um valor aproximado de R$ 22.500 por metro quadrado, frente a um custo histórico na faixa de R$ 17 mil por metro quadrado. Isso representa uma valorização expressiva e potencial geração de até R$ 46 milhões em mais-valias.
No entanto, há um ponto técnico relevante:
O TRXF11 reportou aquisição com valor de referência próximo a R$ 20 mil/m², gerando diferença de cerca de R$ 2 mil por metro quadrado na precificação.
Essa divergência pode estar relacionada:
- À metodologia de apuração (valor patrimonial vs valor de mercado)
- À consideração do preço da cota do fundo recebido na troca
- À forma de contabilização do ativo na operação
Mesmo com essa diferença, do ponto de vista estratégico, o BTHF considera a operação altamente vantajosa.
Troca por cotas do TRXF11 aumenta FFO estimado
A transação não foi realizada em dinheiro. O BTHF recebeu cotas do TRXF11 como parte da operação.
Com isso:
- O fundo substituiu receita de aluguel do ativo por receita de dividendos do TRXF11
- Estima-se aumento de aproximadamente 9% no FFO (fluxo de caixa operacional) em comparação à receita anterior
Por outro lado, o fundo abre mão da possível valorização futura direta do imóvel, passando a depender do desempenho do TRXF11.
Até o momento, o BTHF já teria realizado cerca de R$ 35 milhões a R$ 50 milhões na venda das cotas recebidas, reduzindo risco de pressão vendedora futura.
Carteira diversificada, mas com forte exposição a FIIs
A composição atual do portfólio está distribuída aproximadamente da seguinte forma:
- 39,2% em fundos de tijolo
- 22,5% em fundos de papel
- 15,9% em CRIs
- 14,4% em caixa
- 5,9% em ativos reais
- 2,1% em ações
Essa estrutura mostra perfil híbrido, com foco relevante em FIIs e ativos estruturados.
Vale destacar que fundos com participação relevante em ativos reais podem apresentar menor volatilidade patrimonial, já que esses ativos dependem de reavaliações formais para alterar seu valor contábil.
Head funds ainda seguem descontados na Bolsa
O relatório também reforça uma tese já debatida no mercado: os head funds continuam negociando com desconto relevante frente ao valor patrimonial.
Mesmo após valorização recente do setor, muitos fundos dessa categoria ainda operam abaixo do P/VP 1, o que pode indicar:
- Oportunidade estrutural de valorização
- Precificação conservadora por parte do mercado
- Percepção de risco maior em fundos multiestratégia
Com expectativa de queda gradual das taxas de juros nos próximos anos, o cenário pode favorecer reprecificação positiva desses ativos.
Perspectivas para 2026 e próximos relatórios
O fundo ainda não divulgou guidance formal para o primeiro semestre, mas o mercado aguarda definição no próximo relatório.
Se mantiver a geração operacional atual e seguir capturando ganhos estratégicos, o BTHF pode:
- Sustentar dividendos acima da média do setor
- Reduzir gradualmente o deságio
- Ampliar ganho patrimonial com eventual valorização dos ativos
Com gestão do BTG Pactual e histórico recente de movimentações oportunísticas, o fundo segue como um dos nomes mais observados entre os head funds do mercado brasileiro.
O desempenho futuro dependerá da execução das realocações, comportamento das taxas de juros e da liquidez das posições adquiridas.
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