As ações do Banrisul chamaram atenção do mercado em 2025 ao acumularem valorização superior a 70% no ano, mesmo após um longo período de desconfiança dos investidores. O movimento não veio por acaso: o banco registrou o maior lucro de sua história, ultrapassando R$ 1,3 bilhão, praticamente dobrando o resultado do ano anterior.
Esse avanço marca uma virada operacional importante para uma instituição que, até pouco tempo atrás, sofria com baixa rentabilidade, crescimento fraco e percepção elevada de risco.
Desconto extremo sobre o patrimônio ainda chama atenção
Mesmo após a forte alta das ações, o Banrisul segue negociando com P/VP em torno de 0,56, o que significa que o investidor paga cerca de R$ 0,56 para cada R$ 1,00 de patrimônio líquido do banco.
Com um patrimônio líquido superior a R$ 11 bilhões e valor de mercado ao redor de R$ 6,5 bilhões, o desconto permanece entre os maiores do setor bancário brasileiro, colocando o banco entre as ações mais baratas da B3 em termos patrimoniais.
Crescimento consistente do lucro impulsiona reprecificação
Diferentemente de outros bancos descontados que seguem entregando resultados fracos, o Banrisul apresentou crescimento progressivo e disciplinado:
Crescimento anual do lucro próximo de 66%
Alta trimestral em torno de 13%
Evolução consistente ao longo dos últimos trimestres
Esse movimento reforça a tese de que o desconto histórico começou a ser reduzido não por especulação, mas por melhora real na entrega operacional.
ROE ainda baixo, mas em trajetória de recuperação
Apesar da melhora nos números, a rentabilidade ainda é um ponto de atenção. O ROE saiu da casa de 8% para níveis próximos de 11%, avanço relevante, mas ainda inferior ao de grandes bancos e até de algumas small caps do setor.
Isso ocorre porque o Banrisul possui uma base patrimonial muito elevada, o que exige um lucro expressivo para elevar a rentabilidade. Ainda assim, a direção do movimento é clara: rentabilidade em recuperação, com espaço para avanços adicionais caso a eficiência operacional continue melhorando.
Inadimplência cresce na pessoa física e acende alerta
O principal ponto de risco do Banrisul está na composição da carteira de crédito, fortemente concentrada em pessoa física. Enquanto a inadimplência da pessoa jurídica caiu de forma expressiva — saindo de patamares acima de 3% para cerca de 1,8% —, a inadimplência da pessoa física avançou, pressionada pelo ambiente de juros elevados.
No consolidado, a inadimplência total subiu para algo próximo de 2,6%, o que tende a gerar maiores despesas com provisões (PDD) nos próximos trimestres, limitando a velocidade de crescimento do lucro.
Estrutura de custos segue elevada
Outro desafio relevante é o alto custo administrativo. Nos primeiros nove meses do ano, as despesas administrativas superaram R$ 3,5 bilhões, consumindo grande parte da margem financeira.
Na prática, sobra pouco mais de R$ 1 bilhão da margem financeira após despesas, o que explica por que a melhora do lucro ainda não se traduz em uma rentabilidade mais robusta.
Dividendos seguem atrativos, mas sem grande margem de segurança
Com a valorização das ações, o dividend yield projetado para 2026 gira em torno de 9% a 10%, abaixo dos níveis observados em anos anteriores, mas ainda competitivo frente ao setor bancário.
O preço teto estimado fica próximo de R$ 14,50, enquanto as ações negociam levemente acima desse patamar. Isso indica margem de segurança reduzida no curto prazo, apesar de a tese de recuperação operacional seguir válida.
Entre as ações mais baratas da Bolsa com potencial de valorização
Mesmo após a forte alta, o Banrisul segue figurando entre as empresas mais descontadas do Ibovespa quando combinados preço baixo e lucro positivo. Diferentemente de companhias baratas que acumulam prejuízos, o banco entrega lucro relevante e crescente, o que sustenta a tese de reprecificação gradual.
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O Banrisul não é uma tese clássica de longo prazo, mas se destaca como uma oportunidade de valorização baseada em recuperação operacional. O potencial depende diretamente da continuidade da melhora nos resultados, controle da inadimplência e eficiência na gestão de custos.
Para investidores que buscam valor, turnaround e assimetria, o banco ainda oferece espaço, embora o momento atual exija mais cautela do que no início do movimento.
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