A forte valorização da Bolsa brasileira nos últimos 12 meses desafia uma ideia comum entre investidores: a de que uma ação que sobe 30%, 50% ou até mais de 100% automaticamente se torna cara. Em 2026, esse raciocínio se mostra cada vez menos consistente diante da melhora estrutural dos resultados das empresas listadas.
O Ibovespa acumula alta próxima de 45% em 12 meses, superando a marca de 180 mil pontos, impulsionado pela recuperação de lucros corporativos, expectativa de queda da taxa Selic, ciclo favorável de commodities e um ambiente político-econômico que favorece ativos de risco no médio e longo prazo.
Em cenários como esse, a cotação tende a acompanhar o lucro, e não o contrário. Quando resultados crescem trimestre após trimestre, a reprecificação é natural. Ainda assim, alguns papéis seguem negociados a múltiplos baixos, mesmo após fortes altas, especialmente quando analisados pelo P/L projetado.
Bradesco sobe mais de 80%, mas segue descontado pelo lucro futuro
As ações do Bradesco acumulam alta superior a 80% em 12 meses, negociadas na faixa de R$ 18,50, mesmo após o banco enfrentar um dos ciclos mais desafiadores de inadimplência desde a pandemia.
Apesar da valorização, o papel ainda negocia a cerca de 1,1 vez o valor patrimonial e próximo de 9 vezes o lucro corrente, número que cai significativamente quando se observa o lucro projetado para 2026, estimado em R$ 28 bilhões.
Com esse resultado, o P/L projetado recua para aproximadamente 7 vezes, patamar considerado baixo para o setor bancário, especialmente em um contexto de melhora operacional, normalização do crédito e recuperação gradual da rentabilidade.
Nos últimos 12 meses, o papel entregou cerca de 7% de dividend yield, combinando valorização expressiva com geração de renda.
Metal Leve mantém margens elevadas e dividendos robustos
A Metal Leve é outro exemplo de empresa que subiu, mas ainda não perdeu atratividade nos fundamentos. O papel avançou cerca de 31% em 12 meses, negociado ao redor de R$ 34, com P/L próximo de 8 vezes.
Mesmo após um período de queda de lucro em relação a 2023, os resultados voltaram a se recuperar, refletindo margens elevadas, alto retorno sobre patrimônio e gestão eficiente. Além disso, a empresa tende a se beneficiar de um cenário de queda da Selic, que reduz custos financeiros e favorece o setor industrial.
Para 2026, o lucro projetado gira em torno de R$ 50 milhões, o que leva o P/L projetado para aproximadamente 7,1 vezes, abaixo da média histórica do ativo. Nos últimos 12 meses, a empresa entregou dividend yield próximo de 8%, reforçando o perfil de geração de caixa.
Bradespar combina alta de 55% com dividendos de dois dígitos
Mesmo após uma valorização superior a 55% em 12 meses, a Bradespar segue negociada a múltiplos considerados baixos. O papel é cotado próximo de R$ 24, com P/L em torno de 8 vezes e cerca de 1 vez o valor patrimonial.
Como holding com forte exposição ao setor de mineração, especialmente ao minério de ferro, a empresa se beneficia diretamente do atual ciclo de commodities, que tende a favorecer receitas, geração de caixa e dividendos.
Nos últimos 12 meses, o papel entregou aproximadamente 13% de dividend yield, mesmo com a forte alta da cotação. Para 2026, o lucro projetado de cerca de R$ 1,6 bilhão leva o P/L projetado para abaixo de 6 vezes, reforçando o desconto relativo do ativo.
BB Seguridade segue lateral, mas com dividendos elevados
Diferentemente dos demais papéis, a BB Seguridade teve desempenho mais contido no último ano, com variação próxima da estabilidade em 12 meses. Ainda assim, o ativo entregou cerca de 11% de dividend yield no período.
Negociada ao redor de R$ 37, a empresa apresenta P/L próximo de 8,4 vezes, número que se mantém atrativo quando analisado o lucro projetado para 2026, estimado em R$ 8,7 bilhões, resultando em P/L projetado de aproximadamente 8,3 vezes.
Além disso, a companhia mantém forte previsibilidade de resultados e um provento relevante já anunciado, reforçando o apelo para investidores focados em renda.
Projeção de dividendos para 2026 reforça atratividade
Mesmo após a forte valorização da Bolsa, as projeções de dividendos seguem elevadas para 2026, combinando renda recorrente com potencial de valorização adicional.
Projeção de dividendos em 2026
| Empresa | Dividendos projetados (R$) | Observação |
|---|---|---|
| BB Seguridade | 4,30 | Distribuição elevada e previsível |
| Bradesco ON | 1,32 | Recuperação gradual da rentabilidade |
| Bradesco PN | 1,45 | Provento cerca de 10% maior |
| Bradespar | 1,63 | Considerando payout de 40% |
| Metal Leve | 3,12 | Payout estimado de 65% |
Alta da Bolsa não elimina oportunidades em 2026
A forte valorização do Ibovespa em 2026 não significa que todas as ações ficaram caras. Em diversos casos, a alta reflete apenas a melhora dos lucros, enquanto os múltiplos seguem abaixo das médias históricas.
Bancos em recuperação, seguradoras previsíveis e empresas ligadas a commodities mostram que ainda há espaço para ganhos adicionais, tanto via valorização quanto por meio de dividendos elevados, especialmente em um cenário de queda da Selic, ciclo favorável de commodities e maior apetite por risco no mercado doméstico.
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