O recente conflito no Oriente Médio revelou um novo capítulo na evolução das guerras modernas: o uso massivo de inteligência artificial para coordenar ataques militares complexos. Em uma operação considerada histórica por analistas militares, os Estados Unidos testaram em larga escala um modelo avançado de combate baseado em algoritmos, enxames de drones e análise automatizada de dados.
A operação, conhecida como Scorpion Strike, utilizou centenas de drones e sistemas de inteligência artificial para executar um ataque altamente coordenado contra alvos estratégicos no Irã. O episódio sinaliza uma mudança profunda na forma como os conflitos armados podem ser travados nas próximas décadas.
Especialistas afirmam que a combinação entre IA, drones e redes de comunicação por satélite cria um novo paradigma militar, no qual decisões estratégicas passam a ser parcialmente orientadas por sistemas automatizados capazes de analisar milhares de informações em segundos.
Enxames de drones e inteligência artificial no campo de batalha
Durante a operação, os Estados Unidos utilizaram drones Lucas, modelos desenvolvidos a partir da engenharia reversa de drones iranianos de baixo custo. Essas aeronaves não tripuladas foram usadas inicialmente como iscas para ativar radares e sistemas antimísseis iranianos.
Ao detectar os sinais de defesa aérea, os sistemas de inteligência artificial identificavam as posições exatas dos radares, permitindo que os drones carregados com até 18 quilos de explosivos atacassem diretamente os sistemas de defesa.
Além disso, o ataque foi reforçado por mísseis Tomahawk e caças de última geração, criando uma estratégia de saturação do campo de batalha. Esse tipo de abordagem busca sobrecarregar as defesas inimigas com uma enorme quantidade de alvos simultâneos, dificultando qualquer reação eficaz.
A estratégia lembra o conceito conhecido como “enxame de drones kamikaze”, no qual centenas ou até milhares de drones operam juntos, coordenados por inteligência artificial.
Origem da estratégia vem da China
Apesar da operação ter sido executada pelos Estados Unidos, especialistas destacam que a ideia de ataques massivos com drones não nasceu no Ocidente.
Segundo analistas militares, a estratégia vem sendo estudada pela China há pelo menos uma década, com foco em conflitos de grande escala no Indo-Pacífico.
A principal vantagem desse modelo é a capacidade de usar equipamentos relativamente baratos para destruir alvos militares extremamente caros, como navios de guerra, sistemas de defesa aérea ou bases militares.
A lógica é simples:
em vez de depender apenas de armamentos sofisticados e caros, os exércitos passam a usar grandes quantidades de drones baratos coordenados por software inteligente.
O papel da inteligência artificial na guerra moderna
De acordo com o professor de geopolítica Craig Jones, da Universidade de Newcastle, a inteligência artificial militar tem três funções principais nos conflitos atuais.
1. Análise de inteligência
A IA é usada para processar enormes volumes de dados militares, incluindo:
imagens de satélite
comunicações interceptadas
documentos secretos
movimentações de tropas
Esse tipo de análise permite identificar padrões e ameaças muito mais rápido do que seria possível para analistas humanos.
2. Identificação de alvos
Com base nos dados analisados, os algoritmos conseguem identificar posições estratégicas, como radares, bases militares ou depósitos de armas.
Essa etapa reduz o tempo entre a coleta de informações e o ataque.
3. Simulação do campo de batalha
A inteligência artificial também pode simular cenários de guerra, como se fosse um videogame estratégico.
Essas simulações permitem prever:
possíveis reações do inimigo
rotas de ataque mais eficientes
riscos operacionais
Com isso, comandantes militares podem escolher estratégias com maior probabilidade de sucesso.
Big Techs entram na corrida armamentista
Inicialmente, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos tentou desenvolver sua própria inteligência artificial militar em parceria com empresas tradicionais da indústria de defesa, como a Lockheed Martin.
No entanto, diante da rápida evolução tecnológica da China, Washington passou a buscar apoio também no setor de tecnologia, aproximando-se de startups e gigantes da inteligência artificial.
Entre elas está a empresa Anthropic, fundada pelos irmãos Dario Amodei e Daniela Amodei, ex-pesquisadores da OpenAI.
A companhia desenvolveu um sistema de inteligência artificial chamado Claude, que teria sido utilizado em experimentos militares recentes.
No verão passado, a empresa assinou um contrato de US$ 200 milhões com o governo americano para fornecer tecnologia de IA ao setor de defesa.
Conflito político entre governo e empresas de tecnologia
Apesar da parceria, o relacionamento entre o governo dos Estados Unidos e empresas de inteligência artificial tem sido marcado por tensões.
A Anthropic incluiu em seus contratos uma cláusula que proíbe o uso de seus modelos de IA em armas capazes de atacar alvos de forma totalmente autônoma, sem supervisão humana.
Essa restrição gerou críticas dentro do governo.
O então secretário de defesa Pete Hegseth acusou a empresa de colocar “a ideologia do Vale do Silício acima da segurança nacional”, defendendo que o Departamento de Defesa tivesse acesso irrestrito aos modelos de inteligência artificial.
Pouco antes da operação militar, o presidente Donald Trump chegou a ordenar que a Anthropic fosse removida de alguns sistemas de defesa, ampliando o conflito entre governo e empresas tecnológicas.
Satélites e redes digitais coordenam os ataques
Outro elemento fundamental da operação foi o uso da rede de satélites SpaceX, por meio do sistema Starlink satellite network, criado por Elon Musk.
Graças a essa infraestrutura, os drones puderam trocar informações entre si em tempo real, compartilhando suas posições e reorganizando a formação caso algum deles fosse abatido.
Essa capacidade transforma os drones em um sistema coletivo inteligente, capaz de continuar operando mesmo quando parte da frota é destruída.
China acelera corrida global por drones militares
Enquanto os Estados Unidos apostam em software avançado e inteligência artificial mais sofisticada, a China segue uma estratégia diferente: produção em escala massiva.
Recentemente, Pequim demonstrou tecnologia capaz de controlar 200 drones simultaneamente com apenas um operador humano.
O plano chinês prevê produzir até 1 milhão de drones militares até o final do ano, com custo médio de cerca de US$ 10 mil por unidade.
Já drones americanos mais sofisticados podem custar até US$ 35 mil cada, tornando o modelo chinês muito mais barato para uso em larga escala.
Além disso, a China tem investido fortemente em sistemas de guerra eletrônica capazes de interferir na comunicação dos drones inimigos, neutralizando ataques no ar.
Taiwan é o centro da disputa tecnológica
Grande parte dessa corrida tecnológica tem um foco estratégico claro: Taiwan.
Os Estados Unidos querem demonstrar que uma eventual invasão chinesa à ilha poderia ser enfrentada com uma nova geração de armas baseadas em inteligência artificial.
A estratégia envolve o uso de grandes enxames de drones para atacar navios militares e sistemas de defesa, reduzindo drasticamente o custo das operações militares.
Se esse modelo se provar eficiente, poderá mudar o equilíbrio militar no Indo-Pacífico.
Guerra e inovação tecnológica caminham juntas
Apesar das disputas políticas entre empresas e governos, especialistas acreditam que o desenvolvimento da inteligência artificial militar continuará avançando rapidamente.
Segundo o professor Craig Jones, esses sistemas já fazem parte da infraestrutura militar moderna, conectando redes de satélites, drones, centros de comando e sistemas de análise de dados.
Desligar essas tecnologias não seria simples.
Além disso, com bilhões de dólares em contratos militares, muitas empresas de tecnologia devem continuar participando dessa corrida armamentista.
Historicamente, diversas inovações tecnológicas — da internet ao GPS — nasceram em projetos militares.
Agora, a inteligência artificial pode se tornar a próxima grande revolução tecnológica impulsionada pela guerra.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






