A Vamos (VAMO3), controlada pela Simpar, foi uma das grandes apostas do mercado em 2021. Com um modelo de negócios baseado na locação de caminhões e máquinas agrícolas, a empresa prometia crescimento acelerado, estabilidade de receita e margens elevadas. Porém, desde o IPO, as ações acumulam queda de cerca de 60%, refletindo uma combinação de expectativas frustradas, alta de juros e ajustes estruturais.
Após a cisão do braço de concessionárias, a companhia concentra-se exclusivamente na locação e gestão de frotas, o que traz mais previsibilidade e permite foco na eficiência financeira.
Por que o balanço parecia pior do que era
Nos últimos anos, diversos investidores se confundiram com números que mostravam prejuízo contábil. Isso ocorreu porque parte dos resultados de concessionárias — operação descontinuada e separada da Vamos — ainda aparecia nos demonstrativos. Na realidade, a operação principal de locação sempre foi lucrativa, e a separação dessas áreas agora permite uma leitura mais clara da performance da empresa.
Juros altos e alavancagem: o desafio atual
Com a Selic em 15% ao ano, o custo da dívida disparou. A empresa opera com alavancagem próxima de 3,4 vezes dívida líquida sobre EBITDA, o que exige disciplina na rolagem e limitação de novos investimentos. A prioridade no momento é gerar caixa, reduzir endividamento e elevar a taxa de ocupação da frota, minimizando o impacto dos juros sobre o lucro.
Esse processo tende a ser gradual, mas essencial para restaurar a confiança do mercado. A melhora operacional já começa a aparecer, com crescimento da receita e avanço na venda de seminovos, o que ajuda a liberar capital e reduzir depreciação.
Recuperação operacional e ajustes de portfólio
A Vamos mantém contratos de locação de médio e longo prazo, que garantem estabilidade no fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, o programa de venda de caminhões usados (seminovos) vem ganhando força e se tornou uma das principais estratégias para equilibrar o caixa e reduzir passivos.
O índice de ocupação, que havia caído durante a fase de distratos e devoluções em 2023, voltou a crescer em 2025, sinalizando melhor aproveitamento da frota e retomada gradual das margens.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






