A Vale encerrou 2025 com produção de aproximadamente 336 milhões de toneladas de minério de ferro, mantendo-se entre as maiores produtoras globais e reforçando estabilidade operacional.
Além do minério de ferro, a companhia apresentou crescimento relevante em metais estratégicos:
| Produto | Produção 2025 | Variação anual |
|---|---|---|
| Minério de ferro | ~336 Mt | +2% a +3% |
| Cobre | ~380 mil toneladas | +9% |
| Níquel | ~177 mil toneladas | +10% |
O minério de ferro continua representando cerca de 80% da receita total da companhia, mantendo a dependência do ciclo da commodity. No entanto, cobre e níquel ganham relevância estratégica no longo prazo.
Cobre pode ser o principal vetor de valorização
A Vale projeta expansão relevante no cobre até 2030 e 2035. A expectativa é que a produção avance para algo próximo de:
420–500 mil toneladas até 2030
Até 600 mil toneladas ou mais até 2035
Esse crescimento está ligado principalmente aos ativos de Carajás e à ampliação de projetos existentes.
O diferencial competitivo está na intensidade de capital: a empresa afirma conseguir expandir produção com custo por tonelada inferior à média do setor, o que tende a elevar retorno sobre capital investido.
Se o braço de cobre e níquel for precificado com múltiplos semelhantes aos de ativos globais de transição energética, ele pode representar parcela significativa do valor total da companhia.
Indicadores fundamentalistas atualizados
Com a ação negociando próxima da faixa de R$ 85 a R$ 90, a Vale apresenta os seguintes indicadores aproximados:
| Indicador | Valor estimado |
|---|---|
| Valor de mercado | ~US$ 75 bilhões |
| EV (valor da firma) | ~US$ 85–90 bilhões |
| EBITDA projetado 2026 | ~US$ 17 bilhões |
| EV/EBITDA | ~4,5x a 5x |
| Dividend yield projetado 2026 | 6% a 8% |
O múltiplo EV/EBITDA segue abaixo de grandes pares internacionais do setor, que negociam próximos de 6x a 7x.
Caso a Vale fosse reprecificada aos níveis médios globais, haveria potencial adicional de valorização relevante.
Fluxo de caixa livre pode sustentar dividendos elevados
A projeção de fluxo de caixa livre para 2026 gira entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5,5 bilhões, dependendo do preço médio do minério de ferro.
Se grande parte desse valor for distribuída aos acionistas, o dividend yield pode permanecer entre 6% e 8%, mesmo após a forte alta das ações desde 2025.
Historicamente, a Vale já apresentou dividend yields médios acima de 10% em anos mais favoráveis do ciclo do minério. Para 2026, a expectativa é menor que o pico histórico, mas ainda atrativa frente ao mercado brasileiro.
Redução de custos fortalece margens
Outro ponto estratégico importante é a redução gradual do custo C1 por tonelada. Mesmo com produção estável, a eficiência operacional pode ampliar margens, principalmente se o minério se mantiver em patamares sustentáveis no mercado internacional.
Essa disciplina de capital também permite que a empresa:
Invista no crescimento do cobre
Mantenha controle de endividamento
Preserve capacidade de pagamento de dividendos
Vale ainda está barata?
Apesar da valorização superior a 80% desde o fundo de 2025, os números indicam que:
O segmento principal negocia com desconto frente aos pares
O cobre pode dobrar de tamanho até 2035
A geração de caixa segue robusta
O dividend yield permanece competitivo
A tese central é simples: minério gera caixa hoje, cobre pode impulsionar reprecificação futura e o mercado ainda pode não estar refletindo totalmente esse potencial no preço da ação.
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