A possibilidade de novos dividendos da VALE3 voltou ao centro das atenções após a Vale divulgar um desempenho operacional consistente no segundo trimestre de 2026. A mineradora aumentou a produção e as vendas em suas principais áreas, criando uma base mais favorável para a geração de caixa.
A produção de minério de ferro chegou a 84,30 milhões de toneladas entre abril e junho, crescimento anual de 1%. Foi o melhor resultado da companhia para um segundo trimestre desde 2018, impulsionado pelo desempenho recorde do complexo S11D e pela entrada de volumes adicionais dos projetos Capanema e VGR1.
Cobre e níquel também avançaram. A produção de cobre alcançou o maior volume para o período desde 2017, enquanto o níquel apresentou o melhor segundo trimestre desde 2020. As vendas pagáveis de cobre somaram 97,60 mil toneladas, aumento de 8,60 mil toneladas em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Esses números serão importantes para o resultado financeiro que a Vale divulgará em 30 de julho de 2026, após o fechamento do mercado. A teleconferência com analistas e investidores acontecerá em 31 de julho, às 11h, pelo horário de Brasília.
Primeiro trimestre mostrou melhora operacional
A expectativa por novos proventos também encontra apoio no balanço do primeiro trimestre. A Vale registrou EBITDA proforma de US$ 3,90 bilhões, alta anual de 21%, beneficiada pelo crescimento das vendas e pelos preços mais favoráveis de seus principais produtos.
A unidade de metais básicos, formada principalmente por cobre e níquel, dobrou seu EBITDA na comparação anual, de US$ 600 milhões para US$ 1,20 bilhão. No níquel, os custos totais recuaram 48%, para US$ 8.184 por tonelada, refletindo receitas maiores com subprodutos e ganhos de eficiência.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 813 milhões, aumento de US$ 309 milhões em um ano. A companhia também desembolsou US$ 2,70 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio durante o trimestre.
Por outro lado, a dívida líquida expandida avançou US$ 2,20 bilhões e encerrou março em US$ 17,80 bilhões. O valor permanece dentro da faixa de referência da empresa, mas está mais próximo do limite superior de US$ 20 bilhões, fator que pode influenciar a decisão sobre distribuições extraordinárias.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Produção de minério no 2T26 | 84,30 milhões de toneladas |
| EBITDA proforma no 1T26 | US$ 3,90 bilhões |
| Fluxo de caixa livre recorrente | US$ 813 milhões |
| Dividendos e JCP pagos no 1T26 | US$ 2,70 bilhões |
| Dívida líquida expandida | US$ 17,80 bilhões |
Quanto a Vale poderá pagar em dividendos?
Até o momento, a companhia não anunciou um novo valor de dividendos relacionado ao segundo trimestre. Uma projeção apresentada no esboço utilizado para esta análise calcula um possível pagamento entre R$ 1,30 e R$ 1,50 por ação, mas essa faixa não representa orientação oficial da empresa.
O valor efetivo dependerá do lucro, da geração de caixa, dos investimentos, da dívida e das decisões do Conselho de Administração. O desempenho operacional positivo aumenta a expectativa, porém não garante distribuição extraordinária.
A Vale mantém um programa de investimentos estimado entre US$ 5,40 bilhões e US$ 5,70 bilhões para 2026. No primeiro trimestre, o capex foi de US$ 1,10 bilhão.
VALE3 ainda pode subir?
Além dos dividendos, investidores acompanham a possibilidade de uma reavaliação das ações. Uma volatilidade menor do minério de ferro tende a tornar a geração de caixa das mineradoras mais previsível, reduzindo o prêmio de risco exigido pelo mercado. Essa é uma das principais teses apresentadas no material que serviu de base para a análise.
O cenário, entretanto, continua condicionado à economia chinesa, ao preço do minério, ao câmbio e aos custos operacionais. Para quem acompanha VALE3 com foco em renda, o balanço de 30 de julho será decisivo para estimar a capacidade de pagamento de novos proventos no restante de 2026.
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