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Início » Últimas Notícias » Tesouro Selic ou IPCA+? O que pode acontecer com seus investimentos até 2028 após a decisão do Copom
Renda Fixa

Tesouro Selic ou IPCA+? O que pode acontecer com seus investimentos até 2028 após a decisão do Copom

Com o mercado dividido sobre os próximos passos do Copom, simulações revelam como diferentes cenários de juros podem impactar o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+ até 2028
Felipe AndradePor Felipe Andrade26 de janeiro de 20264 minutos lidos
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A última semana de janeiro de 2026 concentra uma das decisões mais aguardadas do mercado financeiro: a primeira reunião do Copom do ano. Com a taxa Selic ainda em patamar elevado, investidores tentam antecipar se o ciclo de juros finalmente começará a virar — e, mais importante, como isso pode afetar aplicações em renda fixa nos próximos anos.

A decisão do comitê não impacta apenas o curto prazo. Ela influencia toda a curva de juros, afetando diretamente títulos públicos como Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+. Para quem investe ou pretende investir nesses papéis, entender os ciclos econômicos e a lógica da marcação a mercado deixa de ser opcional.

A lógica que poucos entendem: juros e preço dos títulos

Existe uma relação inversa — quase uma gangorra — entre taxa de juros e preço dos títulos públicos:

  • Juros caem → preço dos títulos sobe

  • Juros sobem → preço dos títulos cai

Esse mecanismo é especialmente relevante para títulos com marcação a mercado, como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado. Já o Tesouro Selic segue uma lógica diferente, o que muda completamente o risco envolvido.

Com o Banco Central no centro dessas decisões, compreender essa dinâmica ajuda o investidor a evitar sustos e a tomar decisões mais racionais ao longo do ciclo.

Três cenários para a Selic em 2028

Para analisar o impacto nos investimentos, três cenários possíveis foram projetados até 2028:

Cenário Base (Boletim Focus)

  • Selic em torno de 10% ao ano

  • Inflação próxima de 4,5%

  • Cenário considerado o “oficial” pelo mercado

Cenário Otimista

  • Selic em 8,5%

  • Pressupõe ajuste fiscal consistente e controle da dívida pública

  • Menor prêmio de risco exigido pelo mercado

Cenário Pessimista

  • Selic em 13,5%

  • Mantém juros elevados por desequilíbrio fiscal e instabilidade econômica

  • Apesar de ruim para a economia, é mais rentável para aplicações pós-fixadas

Tesouro Selic: segurança, liquidez e previsibilidade

O Tesouro Selic é amplamente utilizado como reserva de emergência por um motivo simples: não sofre marcação a mercado. Seu rendimento acompanha a taxa Selic vigente.

Em uma aplicação hipotética de R$ 10 mil, os resultados brutos anuais seriam aproximadamente:

  • Selic 10% → R$ 1.000 ao ano (R$ 79/mês)

  • Selic 8,5% → R$ 850 ao ano (R$ 68/mês)

  • Selic 13,5% → R$ 1.350 ao ano (R$ 106/mês)

Mesmo com juros mais baixos, o Tesouro Selic não gera perdas nominais. O que muda é apenas o ritmo de crescimento do capital. Por isso, ele continua sendo o instrumento mais indicado para recursos que exigem liquidez e baixo risco.

Tesouro IPCA+: onde mora o risco — e a oportunidade

O Tesouro IPCA+ funciona de forma diferente. Ele protege o poder de compra no longo prazo, mas está sujeito à marcação a mercado.

Em uma simulação com R$ 10 mil investidos em janeiro de 2026 em um título IPCA+ com vencimento em 2040:

Cenário Base (Selic 10%)

  • Rentabilidade contratada em 2028: R$ 12.530

  • Valor de mercado dos títulos: R$ 13.920

  • Ganho extra se vender antes do vencimento: +R$ 1.390

Cenário Otimista (Selic 8,5%)

  • Forte valorização do preço unitário

  • Valor de mercado pode chegar a R$ 16 mil

  • Lucro adicional superior a R$ 4 mil na venda antecipada

Cenário Pessimista (Selic 13,5%)

  • Valor de mercado cai para cerca de R$ 11.424

  • Ainda há lucro sobre o capital investido

  • Rentabilidade menor se houver venda antecipada

O ponto-chave é simples:
A perda só se concretiza se o investidor vender antes do vencimento em um cenário desfavorável.

Levar até o vencimento muda tudo

Independentemente do cenário, quem mantém o Tesouro IPCA+ até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada: IPCA + juro real.

Nesse exemplo, o capital de R$ 10 mil poderia se transformar em algo próximo de R$ 51 mil em 2040, sem depender das oscilações do mercado no meio do caminho.

Isso mostra que o risco da marcação a mercado está muito mais ligado ao prazo do investimento do que ao produto em si.

O que o investidor precisa decidir agora

A decisão que realmente importa não é tentar adivinhar a Selic de 2028, mas responder a três perguntas essenciais:

  1. Vou precisar desse dinheiro antes do vencimento?

  2. Tenho tolerância a oscilações temporárias no valor do investimento?

  3. Meu objetivo é liquidez ou ganho real de longo prazo?

Sem essas respostas, qualquer decisão vira aposta — e não estratégia.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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