O Banco Bradesco chega a 2026 em um patamar diferente daquele observado no auge da crise de crédito do varejo. A reestruturação da carteira, a redução gradual das provisões para devedores duvidosos e a melhora na originação das novas safras mudaram o perfil de risco do banco. O resultado foi uma recuperação consistente da rentabilidade, com maior previsibilidade de lucros e retomada do pagamento de proventos em níveis mais atrativos.
Mesmo após a forte valorização acumulada no último ciclo de alta, o papel ainda negocia a múltiplos que não refletem totalmente a normalização do retorno sobre o patrimônio (ROE) projetada para o biênio 2026–2027.
Resultados operacionais: lucro recorrente volta ao centro da tese
A virada operacional se consolidou com crescimento sequencial do lucro recorrente e avanço das margens com clientes. O banco passou a priorizar crédito com garantias, melhor precificação de risco e maior eficiência na concessão, o que reduziu volatilidade e custo de crédito.
Principais vetores da melhora:
Carteira de crédito mais saudável e diversificada
Inadimplência controlada e provisões mais estáveis
Avanço gradual do ROE, com expectativa de superar a média histórica recente
Despesas operacionais sob controle, com ajustes no footprint físico e digital
Esse conjunto reforça a capacidade de geração de caixa e sustenta a retomada dos dividendos como parte relevante do retorno ao acionista.
Dividendos em 2026: normalização ganha tração
A política de proventos do Bradesco passou por ajustes para preservar o retorno líquido ao acionista diante das mudanças tributárias sobre JCP. Com lucro mais previsível, a expectativa é de payout ao redor de 50% a 55% em 2026, combinando dividendos e JCP.
Projeção indicativa de dividendos – BBDC3 (2026)
| Indicador | Estimativa |
|---|---|
| Lucro líquido projetado | R$ 22–24 bilhões |
| Payout estimado | 50% a 55% |
| Dividendo por ação (DPA) | R$ 1,20 a R$ 1,35 |
| Dividend yield implícito* | ~6% |
| *Considerando preço de mercado próximo às cotações atuais do início de 2026. |
A expectativa é de que BBDC4 apresente rendimento ligeiramente superior, em função das características da classe preferencial, enquanto BBDC3 se destaca pelo desconto relativo e maior proteção em tag along.
Valuation: ainda descontado frente ao novo ciclo
Mesmo após a recuperação das cotações, o Bradesco segue negociado a múltiplos abaixo do histórico de ciclos mais maduros do setor bancário. O P/L permanece em patamar conservador para um banco que volta a crescer com qualidade, enquanto o P/VP não embute plenamente a expansão do ROE projetada.
Preço-teto estimado para BBDC3 em 2026
A partir de uma estratégia focada em renda, o preço-teto varia conforme o retorno mínimo exigido:
| Yield desejado | Preço-teto estimado |
|---|---|
| 6% | ~R$ 17,35 |
| 8% | ~R$ 13,00 |
| 10% | ~R$ 10,40 |
Para investidores que aceitam yield menor em troca de potencial de valorização, há espaço para preços mais elevados à medida que o lucro projetado se materializa.
BBDC3 ou BBDC4: qual faz mais sentido em 2026?
BBDC3 (ordinária): maior tag along, desconto relativo e dividend yield competitivo após a normalização dos lucros.
BBDC4 (preferencial): maior liquidez e, historicamente, leve vantagem em proventos.
Para estratégias focadas em longo prazo e renda previsível, BBDC3 volta ao radar em 2026 como alternativa de custo-benefício interessante, especialmente em correções de curto prazo.
O que ainda exige atenção
Apesar do cenário mais favorável, alguns pontos seguem no radar:
Velocidade da valorização recente pode gerar períodos de lateralização
Sensibilidade a mudanças no ciclo de juros
Necessidade de manutenção da disciplina de crédito para sustentar o ROE
Nenhum desses fatores invalida a tese, mas reforça a importância de preço de entrada e visão de médio a longo prazo.
Em 2026, o Bradesco deixa de ser apenas uma história de recuperação e passa a se posicionar como tese de normalização de dividendos com valuation ainda atrativo. BBDC3 combina desconto relativo, maior proteção ao acionista e dividendos em trajetória de alta, o que sustenta a atratividade do papel mesmo após a forte recuperação recente.
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