O ano de 2025 entrou para a história do Tesouro Direto como um dos melhores períodos para quem apostou em títulos pré-fixados. Dados consolidados mostram que o Tesouro Prefixado 2031 liderou o ranking de rentabilidade, com ganhos próximos de 21% no ano, superando inclusive outros vencimentos tradicionais, como o Prefixado 2029 e o Prefixado 2029 com juros semestrais.
Esse desempenho foi impulsionado por um movimento clássico do mercado: taxas de juros muito elevadas no início do período e queda ao longo do ano, o que favoreceu quem travou taxas altas e se beneficiou da valorização dos títulos no curto prazo.
Já os títulos indexados à inflação (IPCA+) tiveram desempenho mais moderado em 2025, com retornos médios em torno de 11%, enquanto o Tesouro Selic encerrou o ano com rentabilidade próxima de 14,5%, garantindo ganhos acima da inflação e liquidez diária.
Por que 2026 tende a ser diferente de 2025
As projeções para 2026 indicam que o cenário não deve repetir a “bonança” vista nos últimos 12 meses. A expectativa é de um ano mais equilibrado, com menos espaço para ganhos extraordinários em prazos curtos, mas ainda com oportunidades relevantes para o investidor de renda fixa.
Segundo as estimativas do mercado:
- Inflação esperada para 2026: cerca de 4%, abaixo do registrado em 2025
- Meta de inflação: 3%, ainda distante, mas no radar do Banco Central
- Taxa Selic projetada para o fim de 2026: 12,25%, partindo do patamar atual de 15%
- Projeção para 2027: Selic próxima de 10,5%
Esse movimento reflete o efeito cumulativo de juros elevados por um longo período, o que tende a desacelerar a economia e pressionar a inflação para baixo ao longo do tempo.
Tesouro Selic: segurança e juros reais elevados
Mesmo com a expectativa de queda da Selic, o Tesouro Selic segue como um dos pilares da renda fixa em 2026. Com juros ainda em dois dígitos e inflação projetada em torno de 4%, o investidor pode obter juros reais próximos de 8%, um patamar historicamente elevado.
Esse título continua indicado para quem busca:
- Baixa volatilidade
- Liquidez diária
- Proteção contra oscilações do mercado
A recomendação, porém, é redobrar a atenção em aplicações atreladas ao CDI fora do Tesouro, avaliando cuidadosamente o risco do emissor, especialmente em um cenário de maior volatilidade econômica.
Pré-fixados e IPCA+: atenção ao prazo e à marcação a mercado
Para quem deseja diversificar além do Tesouro Selic, os analistas apontam que pré-fixados e IPCA+ de prazo intermediário podem se beneficiar do fechamento da curva de juros ao longo de 2026.
Atualmente, o mercado oferece:
- Prefixados próximos de 13,5% a 14% ao ano
- IPCA+ pagando cerca de 7% acima da inflação
Se a inflação cair e as expectativas melhorarem, é natural que essas taxas recuem, gerando ganhos com marcação a mercado para quem comprou os títulos em níveis elevados. Em cenários mais otimistas, uma queda do IPCA+ de 7% para algo próximo de 4% pode representar a possibilidade de dobrar o capital em termos reais ao longo do tempo, desde que o investidor saiba lidar com a volatilidade.
2026 exige mais estratégia do investidor
O consenso do mercado é claro: 2026 não deve repetir a facilidade de ganhos de 2025, mas ainda oferece boas oportunidades para quem entende o ciclo de juros. A tendência é de taxas ainda altas, porém em trajetória de queda, o que favorece decisões mais estratégicas, especialmente em prazos intermediários e longos.
Para o investidor conservador, o Tesouro Selic segue como base da carteira. Já quem busca retornos adicionais pode encontrar valor em pré-fixados e IPCA+, desde que esteja preparado para oscilações e acompanhe de perto o cenário macroeconômico.
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