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Início » Últimas Notícias » Raízen ganha novo prazo para tirar RAIZ4 dos centavos; veja os riscos para o investidor
Ações

Raízen ganha novo prazo para tirar RAIZ4 dos centavos; veja os riscos para o investidor

B3 teria estendido até março de 2027 o prazo para a companhia manter as ações acima de R$ 1, enquanto recuperação extrajudicial prevê forte diluição dos atuais acionistas
Carlos MenezesPor Carlos Menezes20 de julho de 20264 minutos lidos
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A Raízen ganhou mais tempo para tentar elevar a cotação de suas ações preferenciais, negociadas sob o código RAIZ4, acima de R$ 1. Conforme o comunicado mencionado pela companhia, o novo prazo para regularização terminaria em 31 de março de 2027.

Com isso, a empresa evita, pelo menos temporariamente, a necessidade de realizar um grupamento de ações. Essa operação reduz a quantidade de papéis em circulação e eleva proporcionalmente o preço de cada ação, sem alterar imediatamente o valor total investido pelo acionista.

O adiamento, no entanto, não resolve os problemas financeiros da Raízen. A recuperação da cotação dependerá principalmente da execução da reestruturação extrajudicial, da redução do endividamento e da melhora da capacidade de geração de caixa.

A companhia já havia recebido outros prazos depois que suas ações permaneceram negociadas abaixo de R$ 1. O novo limite coincide com uma das principais datas previstas para a conclusão da reestruturação financeira da empresa, segundo o esboço analisado.

Recuperação extrajudicial envolve cerca de R$ 65 bilhões

O plano apresentado pela Raízen envolve aproximadamente R$ 65,4 bilhões em dívidas submetidas à recuperação extrajudicial. A dívida total informada no material da reestruturação alcançava cerca de R$ 75,35 bilhões.

A proposta recebeu apoio de mais de 75% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos pelo processo, percentual necessário para o avanço da negociação com os credores.

Entre as principais medidas está a conversão de aproximadamente 45% da dívida reestruturada em ações. Os outros 55% seriam substituídos por novos instrumentos financeiros, com prazos e condições de pagamento reformulados.

Principais dados da reestruturaçãoValores e condições
Dívida total informadaR$ 75,35 bilhões
Dívida sujeita à recuperaçãoCerca de R$ 65,4 bilhões
Conversão estimada em ações45% da dívida
Dívida reperfilada55% da dívida
Aporte confirmado da ShellR$ 3,5 bilhões
Potencial aporte da AguassantaAté R$ 500 milhões
Preço de referência das novas açõesR$ 0,25
Prazo citado para RAIZ4 superar R$ 131 de março de 2027

Shell poderá receber 14 bilhões de novas ações

A Shell se comprometeu a realizar um aporte de R$ 3,5 bilhões, tendo como referência o preço de R$ 0,25 por ação. Nessa condição, o investimento poderá resultar na emissão de aproximadamente 14 bilhões de novas ações ordinárias.

A Aguassanta, veículo ligado à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, poderá investir até R$ 500 milhões. Caso o aporte seja realizado integralmente pelo mesmo valor de referência, poderão ser emitidas mais 2 bilhões de ações.

O material usado como base também aponta que a participação da Shell está confirmada, enquanto o investimento relacionado à Aguassanta ainda é apresentado como potencial.

Para os atuais acionistas, o principal risco é a diluição. Com a entrada de bilhões de novos papéis no mercado e a conversão de dívidas em capital, cada ação atualmente existente poderá representar uma parcela significativamente menor da companhia.

Raízen deverá ser dividida em duas empresas

A reestruturação prevê a separação das operações em duas unidades autônomas. A Raízen Energia ficará concentrada nos negócios de açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis reunirá a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.

A segregação deverá ocorrer após a conclusão do plano e depende do cumprimento de diferentes condições, incluindo acordos com credores, definição da distribuição das dívidas e tratamento dos passivos tributários.

O esboço aponta passivos tributários próximos de R$ 28,7 bilhões, dos quais cerca de R$ 25 bilhões estariam ligados a tributos federais. A forma como essas obrigações serão distribuídas entre as duas futuras empresas será determinante para avaliar a saúde financeira de cada operação.

RAIZ4 ainda é uma ação de alto risco?

Apesar da prorrogação do prazo concedido para a recuperação da cotação, RAIZ4 continua sendo um ativo altamente especulativo. A empresa precisa concluir uma das maiores reestruturações extrajudiciais já realizadas no Brasil, reduzir seu endividamento e recuperar a confiança do mercado.

O aporte da Shell e o apoio dos credores representam avanços importantes. Entretanto, a emissão de bilhões de novas ações, a possível perda de participação dos atuais acionistas, os passivos tributários e a futura separação dos negócios mantêm elevado o nível de incerteza.

Portanto, o novo prazo reduz o risco imediato de grupamento, mas não elimina a possibilidade de forte diluição ou novas quedas. Antes de investir, o acionista precisa acompanhar a homologação do plano, os próximos balanços, a evolução da dívida e as condições definitivas da reorganização societária.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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