A Raízen ganhou mais tempo para tentar elevar a cotação de suas ações preferenciais, negociadas sob o código RAIZ4, acima de R$ 1. Conforme o comunicado mencionado pela companhia, o novo prazo para regularização terminaria em 31 de março de 2027.
Com isso, a empresa evita, pelo menos temporariamente, a necessidade de realizar um grupamento de ações. Essa operação reduz a quantidade de papéis em circulação e eleva proporcionalmente o preço de cada ação, sem alterar imediatamente o valor total investido pelo acionista.
O adiamento, no entanto, não resolve os problemas financeiros da Raízen. A recuperação da cotação dependerá principalmente da execução da reestruturação extrajudicial, da redução do endividamento e da melhora da capacidade de geração de caixa.
A companhia já havia recebido outros prazos depois que suas ações permaneceram negociadas abaixo de R$ 1. O novo limite coincide com uma das principais datas previstas para a conclusão da reestruturação financeira da empresa, segundo o esboço analisado.
Recuperação extrajudicial envolve cerca de R$ 65 bilhões
O plano apresentado pela Raízen envolve aproximadamente R$ 65,4 bilhões em dívidas submetidas à recuperação extrajudicial. A dívida total informada no material da reestruturação alcançava cerca de R$ 75,35 bilhões.
A proposta recebeu apoio de mais de 75% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos pelo processo, percentual necessário para o avanço da negociação com os credores.
Entre as principais medidas está a conversão de aproximadamente 45% da dívida reestruturada em ações. Os outros 55% seriam substituídos por novos instrumentos financeiros, com prazos e condições de pagamento reformulados.
| Principais dados da reestruturação | Valores e condições |
|---|---|
| Dívida total informada | R$ 75,35 bilhões |
| Dívida sujeita à recuperação | Cerca de R$ 65,4 bilhões |
| Conversão estimada em ações | 45% da dívida |
| Dívida reperfilada | 55% da dívida |
| Aporte confirmado da Shell | R$ 3,5 bilhões |
| Potencial aporte da Aguassanta | Até R$ 500 milhões |
| Preço de referência das novas ações | R$ 0,25 |
| Prazo citado para RAIZ4 superar R$ 1 | 31 de março de 2027 |
Shell poderá receber 14 bilhões de novas ações
A Shell se comprometeu a realizar um aporte de R$ 3,5 bilhões, tendo como referência o preço de R$ 0,25 por ação. Nessa condição, o investimento poderá resultar na emissão de aproximadamente 14 bilhões de novas ações ordinárias.
A Aguassanta, veículo ligado à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, poderá investir até R$ 500 milhões. Caso o aporte seja realizado integralmente pelo mesmo valor de referência, poderão ser emitidas mais 2 bilhões de ações.
O material usado como base também aponta que a participação da Shell está confirmada, enquanto o investimento relacionado à Aguassanta ainda é apresentado como potencial.
Para os atuais acionistas, o principal risco é a diluição. Com a entrada de bilhões de novos papéis no mercado e a conversão de dívidas em capital, cada ação atualmente existente poderá representar uma parcela significativamente menor da companhia.
Raízen deverá ser dividida em duas empresas
A reestruturação prevê a separação das operações em duas unidades autônomas. A Raízen Energia ficará concentrada nos negócios de açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis reunirá a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.
A segregação deverá ocorrer após a conclusão do plano e depende do cumprimento de diferentes condições, incluindo acordos com credores, definição da distribuição das dívidas e tratamento dos passivos tributários.
O esboço aponta passivos tributários próximos de R$ 28,7 bilhões, dos quais cerca de R$ 25 bilhões estariam ligados a tributos federais. A forma como essas obrigações serão distribuídas entre as duas futuras empresas será determinante para avaliar a saúde financeira de cada operação.
RAIZ4 ainda é uma ação de alto risco?
Apesar da prorrogação do prazo concedido para a recuperação da cotação, RAIZ4 continua sendo um ativo altamente especulativo. A empresa precisa concluir uma das maiores reestruturações extrajudiciais já realizadas no Brasil, reduzir seu endividamento e recuperar a confiança do mercado.
O aporte da Shell e o apoio dos credores representam avanços importantes. Entretanto, a emissão de bilhões de novas ações, a possível perda de participação dos atuais acionistas, os passivos tributários e a futura separação dos negócios mantêm elevado o nível de incerteza.
Portanto, o novo prazo reduz o risco imediato de grupamento, mas não elimina a possibilidade de forte diluição ou novas quedas. Antes de investir, o acionista precisa acompanhar a homologação do plano, os próximos balanços, a evolução da dívida e as condições definitivas da reorganização societária.
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