A PRIO voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar dados operacionais que reforçam uma mudança relevante de patamar. A companhia encerrou 2025 com produção recorde, ampliou sua escala após a aquisição de Peregrino e começa a entrar em uma fase em que o foco deixa de ser investimento pesado e passa a ser geração de caixa e eficiência operacional.
Esse novo momento reacende a tese de valorização da PRIO3 para 2026, especialmente em um cenário em que investidores buscam empresas capazes de crescer mesmo com petróleo em níveis mais conservadores.
Produção recorde muda o jogo da PRIO
A produção média diária registrada em dezembro ficou próxima de 156 mil barris de óleo equivalente por dia, o maior patamar da história da companhia. O número ainda reflete apenas parte da capacidade plena dos ativos recém-incorporados, o que abre espaço para manutenção de níveis elevados ao longo de 2026.
Com mais escala, a empresa passa a diluir custos fixos, otimizar logística e aumentar a previsibilidade do fluxo de caixa. Em petróleo, essa combinação costuma ser determinante para reprecificação das ações.
Custo operacional elevado é temporário
O lifting cost da PRIO chegou recentemente à casa dos US$ 17 por barril, um patamar elevado quando comparado ao histórico da empresa. No entanto, esse nível está diretamente ligado ao processo de integração de ativos, ajustes operacionais e investimentos iniciais.
A expectativa do mercado é que, ao longo dos próximos trimestres, esse custo volte gradualmente para a faixa de US$ 11 a US$ 12 por barril, o que teria impacto direto na margem operacional e no EBITDA. Para uma empresa de petróleo, essa redução é um dos principais motores de geração de valor.
Dívida maior, mas com capacidade de pagamento ampliada
A aquisição de Peregrino elevou a dívida líquida da PRIO, mas também aumentou de forma significativa sua capacidade de geração de caixa. Esse tipo de movimento é comum no setor: grandes desembolsos no curto prazo para garantir décadas de produção futura.
Com a produção em patamar elevado e custos em queda, a companhia tende a desalavancar rapidamente, reduzindo a percepção de risco financeiro já a partir de 2026. Em ciclos anteriores, movimentos semelhantes foram acompanhados por forte valorização das ações.
Aumento de capital não altera a tese
Recentemente, a PRIO homologou um aumento de capital de aproximadamente R$ 91 milhões, com a emissão de pouco mais de 3 milhões de novas ações, ligado ao exercício de opções antigas.
O impacto é marginal frente ao tamanho da empresa. Não há diluição relevante e, na prática, há reforço de caixa em um momento estratégico, sem comprometer a tese de longo prazo.
Números atuais da PRIO3
| Indicador | PRIO3 | Interpretação |
|---|---|---|
| Preço da ação | R$ 46,40 | Próximo das máximas recentes |
| Valor de mercado | R$ 37,8 bilhões | Empresa já em estágio de grande porte |
| Produção diária | ~156 mil boepd | Recorde histórico |
| Lifting cost atual | ~US$ 17/barril | Pressionado no curto prazo |
| Lifting cost esperado | US$ 11–12/barril | Normalização operacional |
| EV/EBITDA | ~7,4x | Múltiplo ainda competitivo |
| Liquidez diária | Alta | Forte presença institucional |
Valuation indica espaço para reprecificação
Mesmo após a alta recente, a PRIO3 ainda negocia a múltiplos considerados atrativos para empresas de petróleo com ativos maduros e previsibilidade operacional. Trabalhando com projeções conservadoras de produção e margens, o mercado já começa a enxergar preços justos na faixa de R$ 60 a R$ 70 ao longo de 2026.
Em cenários mais favoráveis, com petróleo mais valorizado ou margens acima do esperado, essa avaliação pode ser ainda maior.
Dividendos entram no radar
Outro ponto que começa a ganhar relevância é a possibilidade de retorno direto ao acionista nos próximos anos. Com a dívida sob controle e forte geração de caixa, a PRIO pode passar a avaliar dividendos ou recompras, o que mudaria o perfil da ação e atrairia um novo público investidor.
Uma nova fase para PRIO3
A PRIO entra em 2026 mais madura, maior e com riscos operacionais menores do que em ciclos anteriores. Produção elevada, custos em queda e desalavancagem formam uma combinação que costuma anteceder movimentos importantes de valorização no setor de óleo e gás.
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