A Petroreconcavo (RECV3) volta a chamar atenção do mercado por apresentar um dos valuations mais descontados do Ibovespa. Mesmo com a queda expressiva do preço do petróleo Brent em 2025, a empresa segue mostrando resiliência operacional, bom controle de alavancagem e capacidade de geração de caixa, além de distribuir dividendos consistentes.
As ações da companhia voltaram a ser negociadas na faixa de R$ 12,00, próximas das mínimas desde 2021. O movimento reflete a pressão sobre o setor petroleiro com o barril do Brent oscilando entre US$ 60 e US$ 66, patamar muito inferior ao registrado em 2021 e 2022, quando a commodity superava os US$ 100.
Esse ciclo de baixa afeta diretamente a receita e as margens da Petroreconcavo, mas também abre espaço para investidores que buscam tese de valor e renda em um papel que segue com múltiplos muito abaixo da média histórica.
Resultados do 3º trimestre de 2025
No balanço do 3T25, a companhia registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 122 milhões, representando uma queda de cerca de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita líquida atingiu R$ 786 milhões, também em retração anual, reflexo direto da redução no preço do barril e do aumento dos custos de produção. O EBITDA somou R$ 350 milhões, queda próxima de 20%, com margem em torno de 44%.
Mesmo com os desafios operacionais, a Petroreconcavo preserva uma estrutura de capital sólida. A dívida líquida/EBITDA permanece ao redor de 1x, nível considerado confortável para o setor. A empresa mantém uma estratégia de investimento concentrada em desenvolvimento de reservas e aquisições de ativos estratégicos, com destaque para a UPGN Guamaré, em fase de integração.
Lucro menor, mas geração de caixa consistente
Embora o lucro operacional tenha caído em função do custo elevado de exploração e do aumento do custo do produto vendido, a companhia conseguiu apresentar resultado financeiro positivo, revertendo perdas registradas no ano anterior. Essa melhora financeira foi o principal fator que impediu uma queda ainda mais acentuada do lucro líquido.
A empresa reduziu seu caixa em cerca de 40% no comparativo trimestral, impactada por investimentos e pagamento de juros sobre capital próprio, mas manteve o endividamento sob controle e alongado, com perfil de amortização confortável.
Dividendos e projeções de rendimento
A Petroreconcavo continua sendo uma das empresas com maior potencial de dividendos da Bolsa. Mesmo considerando o cenário mais conservador, com payout de 70%, o dividend yield projetado fica próximo de 10% ao ano, podendo chegar a 17–18% em um cenário de recuperação do Brent e de normalização do fluxo de caixa.
A política de dividendos permanece alinhada à geração de resultados e ao ciclo de investimentos. Com endividamento reduzido e bom retorno sobre o patrimônio, a companhia consegue remunerar o acionista mesmo em períodos de baixa das commodities.
Valuation e preço-teto
Nos preços atuais, a Petroreconcavo segue negociada com forte desconto em relação ao seu valor intrínseco:
P/L (preço/lucro): em torno de 5,5x, abaixo da média histórica de 10,8x.
P/VP (preço/valor patrimonial): aproximadamente 0,85x, indicando 15% de desconto sobre o patrimônio líquido.
ROE (retorno sobre patrimônio): cerca de 15%, equivalente à taxa Selic, mas com potencial de valorização adicional pelo desconto nas cotações.
Com base em um yield alvo de 10%, o preço-teto estimado permanece próximo de R$ 12,00, o que significa que, mesmo após leve valorização, a ação segue atrativa para quem busca posicionamento gradual em empresas de energia com foco em dividendos.
Riscos e pontos de atenção
Comportamento do Brent: o principal risco segue sendo o preço internacional do petróleo.
Custos de produção: aumento contínuo do lift cost pressiona margens e lucros.
Capex elevado: investimentos e aquisição de ativos podem consumir parte do caixa.
Volatilidade cambial: afeta exportações, custos e endividamento.
Regulação e impostos: mudanças tributárias sobre o setor de óleo e gás podem impactar resultados futuros.
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A Petroreconcavo permanece uma small cap de alta eficiência operacional, com boa gestão de dívida, margens resilientes e forte capacidade de distribuir lucros. Apesar da queda nos resultados do 3º trimestre de 2025, a ação segue barata em todos os múltiplos e com rentabilidade acima da média do setor.
Para investidores de longo prazo e perfil de renda, a RECV3 continua representando uma oportunidade de compra gradual, aproveitando o momento de baixa para buscar valorização futura e fluxo de dividendos consistente. A retomada do Brent e o controle de custos são os principais gatilhos para recuperação da cotação.
Resumo executivo
Lucro líquido 3T25: R$ 122 milhões (-23% a/a)
Receita líquida: R$ 786 milhões
EBITDA: R$ 350 milhões (margem ~44%)
Dívida líquida/EBITDA: 1x
Dividend yield projetado: até 10% (cenário conservador)
Preço-teto estimado: R$ 12,00
Desconto patrimonial: ~15%
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