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Ações

Petrobras (PETR4) lucra R$ 52,4 bilhões e aprova R$ 17,4 bilhões em dividendos e JCP

Resultado quase dobrou em um ano, sustentado por petróleo mais caro e produção recorde; ações caíram 3% após o balanço e proventos serão pagos em novembro e dezembro.
Felipe AndradePor Felipe Andrade10 de agosto de 20268 minutos lidos
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Petrobras (PETR4) lucra R$ 52,4 bilhões e aprova R$ 17,4 bilhões em dividendos e JCP

A Petrobras (PETR3; PETR4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões atribuível aos seus acionistas, avanço de 96,8% sobre o mesmo período de 2025 e de 60,6% frente ao primeiro trimestre deste ano. O Conselho de Administração também aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), equivalentes ao valor bruto de R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial.

O balanço foi forte, mas não provocou alta imediata dos papéis. Na sexta-feira, 7 de agosto, as ações da companhia fecharam em queda de 3%, em um pregão no qual o Ibovespa recuou 1,7%. O movimento mostra que um resultado positivo, isoladamente, não determina o comportamento de uma ação no curto prazo.

Lucro da Petrobras quase dobra no segundo trimestre

Os números divulgados pela estatal mostram melhora simultânea de receita, resultado operacional e geração de caixa. A receita de vendas chegou a R$ 169,5 bilhões, 42,3% acima da registrada um ano antes.

O EBITDA ajustado — indicador que ajuda a medir a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 93,8 bilhões, alta anual de 79,6%. Sem os eventos classificados como exclusivos, o EBITDA ajustado alcançou R$ 100,6 bilhões.

Já o lucro líquido sem eventos exclusivos foi de R$ 55,8 bilhões. Nesse recorte, a expansão foi de 134,2% sobre o primeiro trimestre e de 140,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. Essa comparação não deve ser confundida com a alta de 96,8% do lucro líquido contábil na base anual.

Os dados constam do relatório de desempenho do 2T26 divulgado pela Petrobras.

Indicador2T26Ante o 1T26Ante o 2T25
Receita de vendasR$ 169,5 bilhões+37,1%+42,3%
Lucro líquido dos acionistasR$ 52,4 bilhões+60,6%+96,8%
EBITDA ajustadoR$ 93,8 bilhões+57,3%+79,6%
Fluxo de caixa operacionalR$ 61,8 bilhões+40,6%+45,7%
Fluxo de caixa livreR$ 38,6 bilhões+92,3%+100,6%

Produção recorde e Brent mais alto impulsionaram o balanço

Dois fatores foram decisivos para o desempenho: o aumento da produção e a valorização do petróleo. O Brent médio ficou em US$ 104,52 por barril no trimestre, 54,1% acima do nível observado no mesmo período de 2025.

A produção própria de óleo, líquidos de gás natural e gás natural atingiu o recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O volume cresceu 14,1% em um ano e 3,4% na comparação trimestral, segundo a Agência Petrobras.

O avanço foi favorecido pelo aumento da eficiência dos ativos, pelo ganho de produção de plataformas já instaladas e pela entrada em operação da P-79, no campo de Búzios. Somente a melhora da eficiência acrescentou cerca de 70 mil barris por dia na comparação anual.

No refino, o fator de utilização das refinarias chegou a 101,2%, enquanto a produção de derivados avançou. Esse desempenho permitiu ampliar a participação de combustíveis produzidos pela própria companhia nas vendas e reduzir a necessidade de importações em um cenário de preços internacionais elevados.

Geração de caixa cresceu, mas capital de giro exige atenção

O fluxo de caixa operacional alcançou R$ 61,8 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre somou R$ 38,6 bilhões. O caixa livre é especialmente relevante para o acionista porque serve de referência para investimentos, redução de dívida e remuneração aos investidores.

Apesar do avanço, o capital de giro consumiu R$ 15,8 bilhões no trimestre. Entre os fatores citados pela companhia estão R$ 9,7 bilhões em valores a receber relacionados ao programa de subvenção de combustíveis e uma redução de R$ 3,9 bilhões na conta de fornecedores.

O resultado também foi afetado por R$ 4,87 bilhões em despesas com o imposto de exportação sobre petróleo bruto e diesel. Esses itens não anulam a força do trimestre, mas mostram que lucro contábil e entrada efetiva de dinheiro podem ocorrer em momentos diferentes.

A Petrobras investiu R$ 26,7 bilhões, ou US$ 5,3 bilhões, no período. Desse total, 82% foi destinado à exploração e produção, com foco na continuidade da expansão dos volumes.

Dívida recua no trimestre, mas sobe na comparação anual

A dívida bruta encerrou junho em US$ 70,8 bilhões, queda de 0,6% frente a março, mas alta de 4% em relação a junho de 2025. O valor permaneceu abaixo do limite de US$ 75 bilhões previsto no Plano de Negócios 2026–2030.

A dívida líquida ficou em US$ 60,4 bilhões, recuo de 2,7% no trimestre e aumento de 3,1% em 12 meses. A leitura, portanto, exige a indicação do período comparado: houve melhora sequencial, mas o endividamento ainda estava acima do nível de um ano antes.

Dividendos da Petrobras: veja valores e datas

Os R$ 17,4 bilhões aprovados serão pagos em duas parcelas iguais. Terão direito aos proventos os investidores com ações PETR3 ou PETR4 em carteira ao final de 21 de agosto de 2026. Os papéis passarão a ser negociados sem direito a essa distribuição a partir de 24 de agosto.

ParcelaPagamentoValor bruto por açãoDistribuição
1ª parcela23 de novembro de 2026R$ 0,67407131Integralmente em JCP
2ª parcela21 de dezembro de 2026R$ 0,67407131R$ 0,47156696 em dividendos e R$ 0,20250435 em JCP
Total—R$ 1,34814262Dividendos e JCP

Os valores de JCP são apresentados em termos brutos e estão sujeitos à retenção de imposto conforme a legislação aplicável e a situação tributária do investidor. Na tabela oficial de proventos da Petrobras, as duas parcelas aparecem com situação “a pagar”.

Comprar a ação depois da data-base apenas para receber o provento não gera ganho automático. A partir da data “ex”, a cotação tende a sofrer ajuste relacionado ao valor distribuído, embora o preço também continue sujeito às demais forças do mercado.

Por que PETR4 caiu mesmo após o resultado forte?

A queda de 3% das ações na sessão seguinte ao balanço ocorreu ao mesmo tempo que o Ibovespa perdeu 1,7%, conforme registrado pela Reuters. Parte do movimento, portanto, aconteceu em um ambiente de maior aversão ao risco na Bolsa.

Também é possível que o mercado já tivesse incorporado parte do desempenho antes da divulgação financeira. A produção recorde havia sido informada em 28 de julho, e a alta do petróleo já indicava um trimestre mais favorável para a companhia.

Outro ponto é a sustentabilidade do resultado. O Brent médio subiu mais de 50% em um ano e teve papel relevante no aumento do lucro. Se o preço do barril recuar, o câmbio se tornar desfavorável ou os custos e investimentos crescerem, a geração de caixa e a capacidade de distribuição futura podem mudar.

Assim, a reação negativa não significa necessariamente que o mercado considerou o balanço ruim. Ela pode refletir realização de ganhos, expectativas já elevadas e avaliação dos riscos à frente. Não há uma causa única confirmada para o movimento diário da ação.

O que pode mexer com PETR3 e PETR4 nos próximos meses

O investidor deve acompanhar a trajetória do Brent, o ritmo de produção do pré-sal, a utilização das refinarias e a conversão do lucro em caixa. Também merecem atenção os investimentos previstos, o comportamento da dívida e o recebimento dos valores vinculados à subvenção de combustíveis.

A distribuição anunciada é relevante, mas não permite projetar automaticamente os mesmos valores para os próximos trimestres. Os proventos futuros dependerão da geração de caixa livre, do preço do petróleo, do câmbio, das necessidades de investimento, do nível de endividamento e das decisões formais da administração.

O QUE OBSERVAR AGORA

Principal ponto de atenção: a capacidade da Petrobras de sustentar produção elevada e forte geração de caixa se o preço do Brent deixar os níveis registrados no segundo trimestre.

Risco ou limitação: o resultado permanece exposto à volatilidade do petróleo e do câmbio, a custos de investimento, medidas tributárias, política de preços e decisões da companhia sobre a destinação do caixa.

Próximo dado importante: o relatório de produção e vendas e o balanço do terceiro trimestre de 2026, que mostrarão se os recordes operacionais e a conversão de lucro em caixa tiveram continuidade.

O balanço do 2T26 combinou produção recorde, petróleo mais caro e forte geração de caixa. Para o acionista, os R$ 17,4 bilhões já aprovados trazem datas e valores definidos. A cautela está em não tratar um trimestre excepcional como garantia de repetição, nem interpretar a queda de um único pregão como diagnóstico definitivo sobre a companhia.

Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista financeiro. Com ampla experiência em renda variável e mercados globais, já atuou em corretoras e casas de análise. Em A Revista, oferece análises sobre bolsa de valores, câmbio e commodities, com foco em tendências e oportunidades para investidores.

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