A Petrobras apresentou resultados consistentes no terceiro trimestre de 2025, registrando crescimento significativo frente ao trimestre anterior e reafirmando o compromisso com a sua política de remuneração aos acionistas. A empresa reportou elevação do lucro, expansão do Ebitda ajustado e manutenção da relação dívida líquida sobre Ebitda em nível considerado confortável, o que sustenta a continuidade da distribuição de dividendos relevantes.
Principais indicadores do 3T25
Receita de vendas atingiu US$ 23,4 bilhões, crescimento de cerca de 11,6% frente ao 2T25 e avanço de 0,5% frente ao 3T24.
Lucro líquido ultrapassou US$ 6 bilhões, com crescimento de 27,3% sobre o 2T25 e de 2,7% frente ao 3T24.
Ebitda ajustado atingiu aproximadamente US$ 11,7 bilhões, alta de 26,9% sobre o trimestre anterior e avanço modesto de 2,2% sobre o 3T24.
A relação dívida líquida/Ebitda dos últimos 12 meses permaneceu em cerca de 1,5 vezes, estável em relação ao trimestre anterior e dentro da faixa considerada adequada para manter a política de dividendos.
O preço médio do barril de petróleo Brent foi de cerca de US$ 69, acima dos US$ 67 do trimestre anterior, porém inferior ao patamar de US$ 80 observados no mesmo período do ano anterior.
O câmbio médio usado nos cálculos foi de aproximadamente R$ 5,45 por US$ no 3T25, inferior às médias do trimestre anterior.
Política de proventos e calendário para acionistas
O conselho de administração da Petrobras aprovou a distribuição de proventos no montante de R$ 12,16 bilhões, o que equivale a R$ 0,94 por ação (ordinária ou preferencial). Essa distribuição será feita em duas parcelas de R$ 0,47 por ação, com pagamento previsto para 20 de fevereiro de 2026 e 20 de março de 2026, respectivamente. A data-com para os acionistas que desejam ter direito aos proventos está fixada em 22 de dezembro de 2025.
Além disso, a empresa comunicou que até 11 de dezembro definirá se a remuneração será classificada como dividendos ou juros sobre capital próprio, conforme sua política de remuneração: a companhia prevê distribuir 45% do fluxo de caixa livre, desde que o endividamento bruto se mantenha igual ou inferior a US$ 75 bilhões.
Análise da alavancagem e sustentabilidade do pagamento
Apesar de o endividamento líquido/EBITDA ter se mantido em 1,5×, a comparação com o período acumulado dos primeiros nove meses de 2024 para os mesmos de 2025 mostra que a alavancagem subiu de 0,95× para 1,5×. Ainda assim, trata-se de um patamar com folga frente à meta interna da empresa, o que reforça a viabilidade da continuidade da remuneração aos acionistas.
Esse controle da alavancagem, aliado à geração de caixa robusta e à política clara de dividir parte relevante do caixa livre, torna a ação da Petrobras atrativa para investidores que buscam rendimento por meio de dividendos, com certa previsibilidade.
Cenário de risco e considerações para o investidor
Embora os números do trimestre sejam positivos, alguns fatores merecem atenção:
A queda no preço do petróleo frente ao ano anterior pode limitar margens futuras.
Os ciclos de investimento da empresa em exploração, produção e refino exigem atenção, pois aumentos de capex podem pressionar o fluxo de caixa livre e, consequentemente, os dividendos.
O câmbio e o ambiente tarifário interno de combustíveis no Brasil continuam como variáveis de risco para a empresa estatal.
Assim, embora a política de pagamento de dividendos esteja ativa e bem sustentada, recomenda-se que o investidor avalie o contexto macroeconômico, o nível de risco país e o plano estratégico da empresa para os próximos anos.
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