As ações da Petrobras (PETR4) operam próximas de R$ 38,64, acumulando valorização de aproximadamente 30% desde o início de janeiro. Em determinados momentos do pregão, o papel chegou a subir cerca de 2% no dia, reforçando a forte tendência de alta observada nas últimas semanas.
Desde maio do ano anterior, a valorização supera 40%, consolidando um movimento que surpreendeu parte dos investidores locais, especialmente em um ano eleitoral — historicamente associado a maior volatilidade.
A pergunta que se impõe no mercado é: quem está comprando Petrobras nesses níveis?
O estrangeiro assumiu o protagonismo na Bolsa
Nos últimos 12 meses, a B3 registrou entrada líquida de aproximadamente R$ 50 bilhões em capital estrangeiro. Apenas em 2026, o fluxo já soma cerca de R$ 36,6 bilhões — concentrando a maior parte do movimento recente.
Grande parte desses recursos encontra na Petrobras um destino natural por três fatores principais:
Elevada liquidez média diária
Peso relevante no índice Ibovespa
Valuation ainda considerado atrativo frente a mercados desenvolvidos
A estatal representa mais de 10% do Ibovespa, considerando PETR3 e PETR4. Assim, qualquer fluxo expressivo direcionado ao Brasil impacta diretamente a cotação da companhia.
Enquanto investidores locais demonstram cautela diante do cenário político e do ciclo eleitoral, o investidor estrangeiro tem priorizado:
Valuation descontado
Múltiplos abaixo da média global
Possível enfraquecimento do dólar
Rotação de capital para emergentes
Empresas americanas negociando a 30x, 40x ou 50x lucro tornam companhias como Petrobras, ainda abaixo de 5x EV/EBITDA, relativamente atrativas.
Petrobras ainda está barata?
A percepção de “barateza” diminuiu. Hoje a companhia negocia próxima de:
1,18x valor patrimonial
Quase 5x EV/EBITDA
Historicamente, em anos eleitorais como 2018 e 2022, o múltiplo chegou a níveis inferiores. Em momentos anteriores, a empresa foi negociada a cerca de 3x EBITDA — patamar considerado extremamente descontado.
O atual nível já não configura barganha evidente, especialmente considerando:
Alta acumulada de quase 30% no ano
Possível desaceleração no preço do petróleo
Risco político embutido no ciclo eleitoral
Petróleo Brent: fator decisivo para a próxima perna
O Brent acumulou alta de aproximadamente 21% desde dezembro, negociando na faixa de US$ 70–71 por barril.
Parte desse movimento foi impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo:
Rússia e Ucrânia
Irã e Israel
China e Taiwan
Contudo, projeções de grandes bancos internacionais indicam possível normalização do Brent para a faixa de US$ 60 ao longo de 2026, caso as tensões diminuam.
Uma correção no petróleo tende a pressionar as ações da Petrobras, principalmente após a forte valorização recente.
Balanço do 4T25 e dividendos: o que esperar?
A Petrobras divulgará os resultados do quarto trimestre de 2025 no dia 5 de março. Historicamente, o quarto trimestre costuma vir acompanhado de múltiplos anúncios de dividendos.
Histórico recente de anúncios no 4º trimestre:
2022: 3 anúncios
2023: 4 anúncios (incluindo extraordinários)
2024: 2 anúncios
A atual política prevê distribuição trimestral, mas o valor pode ser impactado por:
Aquisição de participações no pré-sal
Saídas de caixa pontuais
Estratégia de desalavancagem
Projeção de dividendos para o 4T25
Com base em estimativas do mercado, os dividendos ordinários podem variar entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,7 bilhão.
Considerando dólar médio de R$ 5,30:
| Cenário | Dividendos (US$) | Total em R$ | Dividendo por ação estimado |
|---|---|---|---|
| Conservador | 1,3 bi | ~R$ 6,9 bi | ~R$ 0,53 |
| Intermediário | 1,6 bi | ~R$ 8,4 bi | ~R$ 0,66 |
| Otimista | 1,7 bi | ~R$ 9,0 bi | ~R$ 0,70 |
O mercado já trabalha com dividendos ordinários inferiores aos picos recentes, principalmente devido a compromissos financeiros assumidos no período.
Dividendos extraordinários não estão descartados, mas não são consenso.
Eleição e preço teto: prudência ou oportunidade?
Anos eleitorais costumam gerar:
Aumento de volatilidade
Ruído político
Oscilações abruptas no preço das ações
Com a ação próxima de R$ 39 e acima do valor patrimonial histórico médio, parte dos investidores prefere aguardar correções antes de ampliar posição.
Quem construiu posição na faixa entre R$ 29 e R$ 32 já acumula retorno superior a 20%, o que reforça a estratégia de compra em momentos de estresse e não após movimentos esticados.
Petrobras segue forte, mas risco-retorno mudou
A Petrobras não para de subir, impulsionada principalmente pelo investidor estrangeiro e pelo fluxo para mercados emergentes.
Contudo, o cenário atual combina:
Forte valorização recente
Eleição no radar
Possível acomodação do petróleo
Dividendos menores que os picos anteriores
A discussão deixou de ser se a Petrobras estava barata — isso ocorreu meses atrás — e passou a ser se o atual patamar ainda oferece margem de segurança adequada.
Com o balanço do 4T25 e o anúncio de dividendos se aproximando, o mercado terá novos elementos para precificar o próximo movimento da PETR4.
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