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Início » Últimas Notícias » Petrobras dispara 30% no ano e investidor questiona: ainda vale comprar PETR4?
Ações

Petrobras dispara 30% no ano e investidor questiona: ainda vale comprar PETR4?

Estrangeiro injeta R$ 36 bilhões na Bolsa em 2026, impulsiona Petrobras e reacende debate sobre preço justo, eleição e projeção de dividendos
Carlos MenezesPor Carlos Menezes23 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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As ações da Petrobras (PETR4) operam próximas de R$ 38,64, acumulando valorização de aproximadamente 30% desde o início de janeiro. Em determinados momentos do pregão, o papel chegou a subir cerca de 2% no dia, reforçando a forte tendência de alta observada nas últimas semanas.

Desde maio do ano anterior, a valorização supera 40%, consolidando um movimento que surpreendeu parte dos investidores locais, especialmente em um ano eleitoral — historicamente associado a maior volatilidade.

A pergunta que se impõe no mercado é: quem está comprando Petrobras nesses níveis?

O estrangeiro assumiu o protagonismo na Bolsa

Nos últimos 12 meses, a B3 registrou entrada líquida de aproximadamente R$ 50 bilhões em capital estrangeiro. Apenas em 2026, o fluxo já soma cerca de R$ 36,6 bilhões — concentrando a maior parte do movimento recente.

Grande parte desses recursos encontra na Petrobras um destino natural por três fatores principais:

  • Elevada liquidez média diária

  • Peso relevante no índice Ibovespa

  • Valuation ainda considerado atrativo frente a mercados desenvolvidos

A estatal representa mais de 10% do Ibovespa, considerando PETR3 e PETR4. Assim, qualquer fluxo expressivo direcionado ao Brasil impacta diretamente a cotação da companhia.

Enquanto investidores locais demonstram cautela diante do cenário político e do ciclo eleitoral, o investidor estrangeiro tem priorizado:

  • Valuation descontado

  • Múltiplos abaixo da média global

  • Possível enfraquecimento do dólar

  • Rotação de capital para emergentes

Empresas americanas negociando a 30x, 40x ou 50x lucro tornam companhias como Petrobras, ainda abaixo de 5x EV/EBITDA, relativamente atrativas.

Petrobras ainda está barata?

A percepção de “barateza” diminuiu. Hoje a companhia negocia próxima de:

  • 1,18x valor patrimonial

  • Quase 5x EV/EBITDA

Historicamente, em anos eleitorais como 2018 e 2022, o múltiplo chegou a níveis inferiores. Em momentos anteriores, a empresa foi negociada a cerca de 3x EBITDA — patamar considerado extremamente descontado.

O atual nível já não configura barganha evidente, especialmente considerando:

  • Alta acumulada de quase 30% no ano

  • Possível desaceleração no preço do petróleo

  • Risco político embutido no ciclo eleitoral

Petróleo Brent: fator decisivo para a próxima perna

O Brent acumulou alta de aproximadamente 21% desde dezembro, negociando na faixa de US$ 70–71 por barril.

Parte desse movimento foi impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo:

  • Rússia e Ucrânia

  • Irã e Israel

  • China e Taiwan

Contudo, projeções de grandes bancos internacionais indicam possível normalização do Brent para a faixa de US$ 60 ao longo de 2026, caso as tensões diminuam.

Uma correção no petróleo tende a pressionar as ações da Petrobras, principalmente após a forte valorização recente.

Balanço do 4T25 e dividendos: o que esperar?

A Petrobras divulgará os resultados do quarto trimestre de 2025 no dia 5 de março. Historicamente, o quarto trimestre costuma vir acompanhado de múltiplos anúncios de dividendos.

Histórico recente de anúncios no 4º trimestre:

  • 2022: 3 anúncios

  • 2023: 4 anúncios (incluindo extraordinários)

  • 2024: 2 anúncios

A atual política prevê distribuição trimestral, mas o valor pode ser impactado por:

  • Aquisição de participações no pré-sal

  • Saídas de caixa pontuais

  • Estratégia de desalavancagem

Projeção de dividendos para o 4T25

Com base em estimativas do mercado, os dividendos ordinários podem variar entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,7 bilhão.

Considerando dólar médio de R$ 5,30:

CenárioDividendos (US$)Total em R$Dividendo por ação estimado
Conservador1,3 bi~R$ 6,9 bi~R$ 0,53
Intermediário1,6 bi~R$ 8,4 bi~R$ 0,66
Otimista1,7 bi~R$ 9,0 bi~R$ 0,70

O mercado já trabalha com dividendos ordinários inferiores aos picos recentes, principalmente devido a compromissos financeiros assumidos no período.

Dividendos extraordinários não estão descartados, mas não são consenso.

Eleição e preço teto: prudência ou oportunidade?

Anos eleitorais costumam gerar:

  • Aumento de volatilidade

  • Ruído político

  • Oscilações abruptas no preço das ações

Com a ação próxima de R$ 39 e acima do valor patrimonial histórico médio, parte dos investidores prefere aguardar correções antes de ampliar posição.

Quem construiu posição na faixa entre R$ 29 e R$ 32 já acumula retorno superior a 20%, o que reforça a estratégia de compra em momentos de estresse e não após movimentos esticados.

Petrobras segue forte, mas risco-retorno mudou

A Petrobras não para de subir, impulsionada principalmente pelo investidor estrangeiro e pelo fluxo para mercados emergentes.

Contudo, o cenário atual combina:

  • Forte valorização recente

  • Eleição no radar

  • Possível acomodação do petróleo

  • Dividendos menores que os picos anteriores

A discussão deixou de ser se a Petrobras estava barata — isso ocorreu meses atrás — e passou a ser se o atual patamar ainda oferece margem de segurança adequada.

Com o balanço do 4T25 e o anúncio de dividendos se aproximando, o mercado terá novos elementos para precificar o próximo movimento da PETR4.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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