O mercado financeiro está dividido sobre as oportunidades no setor bancário brasileiro. Enquanto Itaú (ITUB4) e Itaúsa (ITSA4) continuam sendo recomendadas por analistas devido à solidez e previsibilidade de resultados, Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) enfrentam um momento de maior incerteza.
Um relatório recente do Goldman Sachs, citado pelo canal Top Ações, elevou a recomendação do Bradesco de venda para neutro e manteve o Banco do Brasil na mesma categoria, destacando riscos específicos no curto prazo. Já Itaú e Itaúsa seguem com recomendação de compra, impulsionadas por margens robustas, alta rentabilidade e gestão eficiente.
Banco do Brasil enfrenta o pior momento do ciclo do agro
De acordo com a análise, o Banco do Brasil é hoje o mais descontado entre os grandes bancos, com P/VPA de 0,66, muito abaixo da média histórica de 0,94. Apesar do valuation atrativo, o cenário do agronegócio — principal motor de crescimento do banco nos últimos anos — trouxe uma combinação de inadimplência elevada, vencimentos concentrados de crédito rural e Selic alta que pressionam os lucros de 2025.
No terceiro trimestre de 2025, quase 38% dos financiamentos do agro devem vencer, representando o ponto mais crítico da carteira. A expectativa é de melhora gradual apenas a partir do final de 2026, quando o banco tende a apresentar um resultado mais “limpo” após o pico dos vencimentos e renegociações.
Mesmo assim, o upside projetado para as ações BBAS3 é de 25,5%, com preço-alvo de R$ 26,32, mas os analistas alertam que os riscos no curto prazo podem limitar o movimento de alta.
Bradesco mostra recuperação mais consistente
Já o Bradesco começa a apresentar sinais de recuperação. O lucro deve crescer cerca de 4% em relação ao trimestre anterior, impulsionado pela melhora no segmento de seguros, pela expansão da carteira de crédito e pela margem financeira líquida em alta.
A ação BBDC4 acumula valorização de 20% nos últimos meses e ainda negocia com P/VPA de 0,90, abaixo da média de 1,3. O consenso de mercado é compra, com potencial de valorização entre 11% e 18%, dependendo da classe de ação. O avanço, porém, deve ser gradual, acompanhando a melhora dos lucros e a recuperação econômica.
Itaú e Itaúsa continuam sendo os preferidos do mercado
Enquanto isso, Itaú (ITUB4) e Itaúsa (ITSA4) seguem como as apostas mais seguras entre os bancos. O Itaú mantém ROE de 22,4%, o mais alto do setor, sustentado por eficiência operacional, boa gestão de risco e diversificação de receitas.
O Goldman Sachs vê upside de 10,8% para ITUB4 e 17% para ITSA4, que apesar de ser uma holding, tem 90% de seu portfólio concentrado no Itaú. Analistas consideram os papéis “esticados”, mas justificadamente caros por refletirem o desempenho consistente da instituição.
Santander (SANB3) é o mais vulnerável
O Santander Brasil (SANB3) foi o único banco com rebaixamento de recomendação — de neutro para venda — com preço-alvo reduzido de R$ 28 para R$ 26. A justificativa está no crescimento mais lento da carteira de crédito e no aumento do custo de risco.
Segundo o Goldman, o Santander enfrenta margens sob pressão e retorno sobre o patrimônio inferior aos pares nacionais.
O cenário macro e o impacto da política fiscal
Além dos fundamentos bancários, o ambiente macroeconômico continua influenciando o setor. A curva de juros futuros, que recuou de 13,9% para 11%, abre espaço para valorização da Bolsa. No entanto, a dívida pública brasileira em trajetória de alta — estimada para 84,9% do PIB em 2026 — é vista como um fator de risco relevante.
A falta de controle fiscal e o enfraquecimento das metas de superávit podem restringir cortes mais agressivos na Selic, limitando a retomada do crédito e, consequentemente, dos lucros bancários.
Hora de paciência e seletividade
Para investidores, o momento exige cautela e seletividade. O Banco do Brasil oferece um desconto tentador, mas enfrenta desafios conjunturais. O Bradesco está em recuperação, mas ainda depende de melhora nos resultados trimestrais. Já Itaú e Itaúsa continuam sendo apostas sólidas para quem busca dividendos consistentes e estabilidade.
O consenso entre analistas é claro: não é hora de aumentar posição em BBAS3 ou BBDC4, mas sim observar o movimento do mercado e aproveitar oportunidades quando a curva de juros e o agro mostrarem sinais concretos de recuperação.
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