A Minerva Foods (BEEF3) registrou lucro líquido de R$ 87,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 52,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número chamou atenção do mercado, mas não resume sozinho o desempenho da companhia. No mesmo trimestre, a receita líquida alcançou R$ 13,4 bilhões e o Ebitda consolidado somou R$ 1,118 bilhão, alta anual de 16,2%.
O resultado mostra um balanço dividido em duas leituras: de um lado, a queda expressiva do lucro líquido; de outro, a melhora operacional, puxada por maior receita, avanço no Ebitda e ganhos relacionados à integração de ativos adquiridos nos últimos anos. O próprio esboço da análise destaca que a queda do lucro não veio de uma piora direta das operações, mas principalmente do peso do resultado financeiro e do endividamento da companhia.
O que derrubou o lucro da Minerva?
A principal pressão sobre o lucro da Minerva veio da linha financeira. A empresa ainda carrega uma estrutura de dívida relevante, consequência de investimentos e aquisições realizados para ampliar sua presença no setor de proteína animal. Com juros elevados, esse endividamento pesa no resultado final e reduz o lucro líquido mesmo quando a operação cresce.
Outro fator importante foi o custo do gado. O setor de frigoríficos enfrentou aumento no preço da arroba, o que pressionou margens. Mesmo assim, a Minerva conseguiu ampliar o Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Segundo dados divulgados ao mercado, a margem Ebitda ficou em 8,3% no 1T26, levemente abaixo dos 8,6% registrados um ano antes. Isso mostra que a empresa cresceu em escala, mas ainda enfrenta pressão de custos.
Principais números da Minerva no 1T26
| Indicador | Resultado no 1T26 | Leitura |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 87,3 milhões | Queda de 52,8% na comparação anual |
| Receita líquida | R$ 13,4 bilhões | Avanço operacional relevante |
| Ebitda consolidado | R$ 1,118 bilhão | Alta anual de 16,2% |
| Margem Ebitda | 8,3% | Margem pressionada, mas ainda positiva |
| Receita líquida em 12 meses | R$ 57 bilhões | Recorde no acumulado |
| Ebitda em 12 meses | R$ 5 bilhões | Recorde operacional no período |
A leitura dos números indica que a Minerva não teve um trimestre fraco do ponto de vista operacional. A companhia vendeu mais, gerou mais receita e ampliou o Ebitda. O problema ficou concentrado na última linha do balanço, onde juros, dívida e despesas financeiras tiveram impacto direto.
Safra vê potencial de alta para BEEF3
Apesar da queda no lucro, o Safra manteve visão positiva para as ações da Minerva. O banco destacou que o Ebitda de R$ 1,118 bilhão ficou 10% acima de sua projeção e 9% acima do consenso de mercado. Com isso, manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 8,50 para BEEF3, o que representava potencial de valorização de cerca de 114% no momento da análise.
Esse otimismo se apoia na tese de que a empresa pode capturar ganhos de escala com os ativos adquiridos, melhorar eficiência operacional e reduzir gradualmente a pressão da dívida. No entanto, essa visão depende de uma execução consistente da gestão e de um cenário menos apertado para custos e juros.
Endividamento segue como maior ponto de atenção
O endividamento continua sendo o principal risco para o investidor. A Minerva encerrou março com alavancagem líquida de 2,7 vezes dívida líquida/Ebitda, estável em relação ao fim de 2025. A companhia também mantinha posição de caixa próxima de R$ 11 bilhões, o que ajuda a dar fôlego financeiro ao negócio.
A empresa vem adotando medidas para reorganizar sua dívida. Em 2026, a Minerva já havia recomprado cerca de US$ 228,9 milhões em bonds, dentro de uma estratégia de desalavancagem e alongamento do perfil financeiro. Desde 2025, o volume acumulado recomprado chegava a US$ 613,7 milhões.
Essa movimentação é positiva, mas não elimina o risco. Enquanto a dívida continuar elevada e os juros seguirem pressionando o resultado financeiro, o lucro líquido pode continuar oscilando.
A queda do lucro é um sinal de alerta?
Sim, a queda do lucro exige atenção. Mas ela não deve ser analisada de forma isolada. O balanço mostra que a Minerva cresceu operacionalmente, ampliou receita e entregou Ebitda acima das expectativas de parte do mercado.
O alerta maior está no fato de que a empresa ainda precisa transformar esse avanço operacional em lucro líquido mais forte e consistente. Para isso, será necessário reduzir o peso da dívida, preservar margens e manter a integração dos ativos adquiridos sem perda de eficiência.
Vale a pena acompanhar BEEF3?
BEEF3 segue como uma ação de maior risco, mas com potencial de valorização relevante segundo alguns analistas. O papel pode atrair investidores dispostos a aceitar volatilidade em troca de uma tese de recuperação operacional e financeira.
Para perfis conservadores, a cautela ainda é necessária. A queda do lucro líquido, o endividamento e a pressão de custos no setor de proteína animal continuam sendo pontos sensíveis.
O balanço do 1T26 mostra que a Minerva não está parada: a operação cresce, o Ebitda avança e a receita bate patamares elevados. A dúvida do mercado é se a companhia conseguirá converter esse crescimento em lucro mais robusto nos próximos trimestres.
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