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Início » Últimas Notícias » ITUB4 fica mais barata que ITUB3 em movimento raro e acende alerta no setor bancário
Ações

ITUB4 fica mais barata que ITUB3 em movimento raro e acende alerta no setor bancário

Correção nas ações de bancos reacende debate sobre Itaú e Bradesco, enquanto analistas veem múltiplos abaixo da média e dividendos ainda atrativos.
Felipe AndradePor Felipe Andrade27 de maio de 20268 minutos lidos
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ITUB4 fica mais barata que ITUB3 em movimento raro e acende alerta no setor bancário

As ações de bancos brasileiros voltaram ao centro das atenções após uma correção relevante no setor financeiro. Segundo o esboço analisado, o índice financeiro IFNC acumulou queda de cerca de 15% em relação ao pico de abril, movimento que atingiu de forma ainda mais intensa alguns papéis do setor.

Entre os nomes mais observados estão Itaú Unibanco e Bradesco, dois dos maiores bancos privados do país. A queda recente abriu uma discussão importante para investidores: os bancos estão baratos ou apenas refletem um cenário mais desafiador para crédito, inadimplência e juros?

O ponto que mais chama atenção, porém, está no Itaú: ITUB4 passou a ser negociada abaixo de ITUB3, algo considerado raro na série histórica recente e que, segundo a análise do esboço, não acontecia de forma relevante há cerca de 25 anos.

O que está acontecendo com as ações de bancos?

A correção dos bancos ocorre em um momento de revisão de expectativas para o setor financeiro. Mesmo com lucros elevados, investidores passaram a observar com mais cautela fatores como:

  • inadimplência;
  • custo de crédito;
  • desaceleração econômica;
  • juros ainda elevados;
  • venda de ações por investidores estrangeiros;
  • comparação entre bancos mais eficientes e bancos em recuperação.

No caso dos bancos listados na Bolsa, o esboço aponta que muitos papéis passaram a negociar com múltiplos de preço sobre lucro abaixo da média histórica. Isso significa que o mercado está pagando menos por cada real de lucro projetado dessas instituições.

Múltiplos dos bancos indicam desconto em relação à média

Um dos principais argumentos apresentados no esboço é que os bancos estão negociando abaixo de suas médias históricas de valuation.

Indicador citado no esboçoSituação atual aproximadaLeitura para o investidor
P/L projetado do setor bancáriocerca de 6,9 vezesAbaixo da média histórica
Média histórica recenteentre 8 e 9,5 vezesIndica possível desconto
Bradesco e Santanderperto de 6 vezes lucroMúltiplos considerados baixos
Itaúcerca de 8 vezes lucroAbaixo da média histórica do banco
Banco do Brasilperto de 5,7 vezes lucroDesconto, mas com riscos específicos

Em períodos de queda de juros, bancos costumam ser negociados com múltiplos maiores. Por isso, parte do mercado avalia que, se houver um ciclo de alívio monetário no futuro, os papéis poderiam se beneficiar tanto da expansão dos lucros quanto da melhora dos múltiplos.

Itaú: banco segue eficiente, mas ITUB4 chama atenção

O Itaú continua sendo apresentado como o banco de maior qualidade operacional entre os grandes nomes do setor. O esboço destaca que a instituição mantém:

  • lucro anual projetado acima de R$ 50 bilhões;
  • retorno sobre patrimônio líquido historicamente elevado;
  • inadimplência abaixo dos pares;
  • forte geração de caixa;
  • receitas relevantes em serviços e seguros;
  • índice de eficiência em melhora.

Um dos dados mais fortes é a inadimplência. Enquanto parte dos bancos trabalha com inadimplência acima de 4% em atrasos superiores a 90 dias, o Itaú aparece com índice próximo de 1,9%, sinalizando uma carteira de crédito mais controlada.

O fato raro: ITUB4 abaixo de ITUB3

O ponto mais curioso da análise está na relação entre ITUB4 e ITUB3.

Historicamente, as ações preferenciais do Itaú, negociadas sob o código ITUB4, costumavam ter preço superior ou próximo ao das ações ordinárias, ITUB3. No entanto, segundo o esboço, a relação entre os papéis caiu para cerca de 0,98, indicando que ITUB4 passou a valer menos que ITUB3.

ComparaçãoITUB3ITUB4
Desempenho em 12 meses sem dividendoscerca de +24,7%cerca de +8,8%
Desempenho em 12 meses com dividendoscerca de +36%cerca de +18%
Relação ITUB4/ITUB3—cerca de 0,98
Dividendos por açãoiguaisiguais
Leitura do esboçomais valorizadamais barata no momento

Esse descolamento é relevante porque ITUB3 e ITUB4 pagam o mesmo dividendo por ação. Assim, quando ITUB4 fica mais barata, ela tende a apresentar dividend yield maior, considerando a mesma distribuição de proventos.

Uma possível explicação levantada é a maior presença de investidores estrangeiros em ITUB4. Com vendas frequentes por parte desses investidores, o papel preferencial teria sofrido pressão mais forte.

Itaú ainda oferece retorno esperado relevante?

Mesmo após a valorização dos últimos anos, o esboço aponta que o Itaú ainda não estaria necessariamente caro. A análise considera:

  • valor de mercado próximo de R$ 430 bilhões;
  • lucro esperado de cerca de R$ 50 bilhões;
  • payout estimado de 65%;
  • dividend yield potencial próximo de 7,5%;
  • crescimento anual esperado perto de 7,4%, caso o banco mantenha forte retorno sobre patrimônio.

Com isso, o retorno esperado da ação ficaria próximo de 15,4% ao ano, algo equivalente, na análise apresentada, a aproximadamente IPCA + 8,9% ao ano.

Ainda assim, o texto ressalta que esse retorno não seria “espetacular”, mas considerado relevante para um banco de grande porte, alta eficiência e liderança na América Latina.

Bradesco: ação descontada, mas com desafios maiores

Se o Itaú chama atenção pela qualidade, o Bradesco aparece no esboço como um caso de recuperação com maior potencial, mas também com mais riscos.

O banco vem mostrando melhora nos resultados, com lucro trimestral citado em cerca de R$ 6,8 bilhões, avanço no retorno sobre patrimônio e crescimento das receitas. Porém, a inadimplência ainda preocupa.

Indicador citadoBradescoItaú
Lucro trimestral aproximadoR$ 6,8 bilhõesR$ 12 bilhões
Inadimplência acima de 90 diascerca de 4,19%cerca de 1,9%
Índice de eficiênciacerca de 49,2%perto de 34%
Retorno sobre patrimôniocerca de 15,8%acima de 20%
Perfilrecuperaçãoqualidade superior

O principal desafio do Bradesco está na eficiência. O banco ainda possui uma estrutura mais pesada do que o Itaú, mas também há espaço para melhora caso consiga reduzir custos, enxugar agências e aumentar a rentabilidade.

Bradesco Seguros sustenta parte importante do lucro

Um dos pontos mais relevantes do Bradesco é o peso da área de seguros, previdência e capitalização. Segundo o esboço, esse braço gerou cerca de R$ 2,8 bilhões de lucro no trimestre, com retorno próximo de 22%.

A análise aponta que a Bradesco Seguros é tão relevante que, se fosse avaliada separadamente, poderia representar uma fatia expressiva do valor de mercado total do banco.

Isso reforça uma leitura importante: o Bradesco não é apenas um banco tradicional. Parte considerável de sua força vem de um negócio de seguros robusto, rentável e com capacidade recorrente de geração de lucro.

BBDC3 ou BBDC4: qual aparece mais atrativa?

Assim como no Itaú, o esboço também compara ações ordinárias e preferenciais do Bradesco.

Segundo a análise, BBDC3 aparece com múltiplos ligeiramente mais atrativos que BBDC4, incluindo preço sobre lucro, preço sobre valor patrimonial e dividend yield.

ComparaçãoBBDC3BBDC4
P/L aproximadomais baixomais alto
P/VPAmais baixomais alto
Dividend yieldcerca de 8,88%cerca de 8,55%
Liquidezmenormaior
Leituramais baratamais negociada

Apesar disso, muitos investidores preferem BBDC4 pela maior liquidez, especialmente quem realiza operações frequentes no mercado.

Dividendos seguem no radar dos investidores

Tanto Itaú quanto Bradesco continuam sendo acompanhados por investidores que buscam renda passiva. O Itaú costuma distribuir pequenos juros sobre capital próprio mensais, além de pagamentos trimestrais e dividendos maiores em determinados períodos.

O Bradesco também mantém tradição de pagamentos mensais e trimestrais. Segundo o esboço, os proventos do banco cresceram nos últimos anos e podem ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões no ano, considerando a projeção apresentada.

BancoPerfil de pagamentoDestaque
ItaúJCP mensal, pagamentos trimestrais e dividendos maioresMaior qualidade operacional
BradescoProventos mensais e trimestraisMaior desconto e potencial de recuperação
SantanderPayout mínimo citado de 50%Dividend yield estimado elevado
Banco do BrasilMúltiplo baixoRisco ligado à carteira agro

Itaú ou Bradesco: qual parece melhor após a queda?

A resposta depende do perfil do investidor.

O Itaú aparece como o banco mais sólido, eficiente e previsível. Tem melhor qualidade de crédito, maior rentabilidade e histórico consistente de criação de valor.

O Bradesco, por outro lado, parece mais descontado e com potencial maior de recuperação, caso consiga melhorar eficiência, controlar inadimplência e elevar seu retorno sobre patrimônio.

Perfil do investidorBanco que pode chamar mais atenção
Busca qualidade e previsibilidadeItaú
Aceita mais risco por maior potencial de recuperaçãoBradesco
Foco em dividendos recorrentesAmbos
Foco em eficiência operacionalItaú
Foco em ação descontadaBradesco

O que observar daqui para frente

Para avaliar se a queda representa oportunidade ou alerta, investidores devem acompanhar alguns pontos-chave nos próximos balanços:

  1. Inadimplência: se os atrasos continuarem subindo, o setor pode sofrer nova pressão.
  2. Margem financeira: bancos precisam preservar rentabilidade mesmo com crédito mais seletivo.
  3. Eficiência: redução de custos será decisiva, especialmente para o Bradesco.
  4. Dividendos: manutenção dos pagamentos pode sustentar o interesse dos investidores.
  5. Juros no Brasil: uma eventual queda da Selic pode favorecer reprecificação dos bancos.
  6. Fluxo estrangeiro: vendas externas podem continuar pressionando papéis mais líquidos, como ITUB4.

A queda recente das ações de bancos colocou Itaú e Bradesco novamente no radar do mercado. O Itaú segue como referência de qualidade, eficiência e baixa inadimplência, mas o movimento raro de ITUB4 abaixo de ITUB3 chamou atenção por abrir uma distorção incomum entre os papéis.

O Bradesco, por sua vez, aparece como um caso de maior desconto, com potencial de recuperação, mas ainda dependente de melhora operacional e controle da inadimplência.

No cenário atual, o setor bancário mostra sinais de preço mais baixo em relação à média histórica, mas isso não elimina os riscos. Para o investidor, a pergunta central não é apenas se Itaú ou Bradesco estão baratos, mas se os lucros projetados, a qualidade do crédito e os dividendos serão sustentáveis nos próximos anos.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra ou venda de ações. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões de investimento.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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