A semana começa movimentada no mercado financeiro brasileiro. Nesta segunda-feira, 17 de novembro de 2025, o Ibovespa inicia o pregão embalado pelo forte desempenho da semana passada e pelo avanço das commodities, enquanto investidores acompanham balanços corporativos e a agenda econômica nacional e internacional.
Ibovespa sobe 31% no ano e quase renova recorde
O índice brasileiro fechou a sexta-feira em alta de 0,37%, aos 157.738 pontos, ficando a apenas 10 pontos de um novo recorde histórico. Durante parte do dia, o Ibovespa chegou a superar os 158 mil pontos, mas perdeu força no fim do pregão.
Com o fechamento, o índice acumulou:
+2,39% na semana
+5,48% no mês de novembro
+31% no ano
O principal impulso veio da forte valorização do petróleo, após um ataque com drone atingir um depósito russo na região do Mar Negro — área estratégica para exportações. O temor de redução de oferta fez a commodity subir mais de 2% e puxou ações como Petrobras.
Maiores altas e quedas da sexta-feira
Entre as maiores altas do pregão:
MBRF: +12%, favorecida por euforia pós-resultados e short squeeze
Braskem: +7,8%, em meio à expectativa de acordo societário
Magazine Luiza: +5,8%, impulsionada por sinais de retomada cíclica
Entre as quedas:
EDUX: -7%, após resultado considerado fraco
Hapvida: -5,8%, refletindo aversão após números mais fracos
Cemig: -5,31%, com pressão sobre a visão de distribuição no trimestre
Fluxo estrangeiro volta ao positivo
Os dados mais recentes mostram entrada de R$ 762 milhões na quinta-feira (13).
No acumulado:
+R$ 2,5 bilhões em novembro
+R$ 27,8 bilhões no ano
Com a proximidade da decisão do Federal Reserve em dezembro, o Brasil tem se destacado entre emergentes, especialmente por valuation descontado em dólar.
Mercados internacionais começam a semana mistos
Nos EUA, os índices futuros operavam próximos da estabilidade:
Dow Jones: +0,01%
S&P 500: -0,26%
Nasdaq: -0,49%
No radar dos investidores estão os dados econômicos que não foram divulgados durante o shutdown de 43 dias, incluindo o Payroll desta quinta-feira, considerado determinante para a política de juros.
A divulgação do balanço da Nvidia, marcada para quarta-feira, também pode mexer com as bolsas globais diante do debate sobre uma possível bolha de inteligência artificial.
China e Europa
Xangai: -0,46%
Alemanha (DAX): -0,43%
Reino Unido: -0,02%
França: -0,24%
Commodities
Petróleo Brent: estabilidade perto de US$ 64
Minério de ferro em Dalian: +1,81%, acima de US$ 110 a tonelada
Dólar: R$ 5,29 (+0,02%)
O minério teve movimento considerado mais técnico, sem novos fatores macroeconômicos relevantes.
Balanços DO 3T25: CPFL, Banrisul E JHSF
CPFL Energia (CPFE3)
A empresa apresentou um trimestre sólido, puxado principalmente pelo segmento de distribuição.
Destaques:
Receita líquida: R$ 11,3 bilhões (+4,4% a/a)
Ebitda: R$ 3,2 bilhões (+3% a/a)
Lucro líquido: R$ 1,4 bilhão (+3% a/a)
Dívida líquida/Ebitda: 2,2x
A companhia segue realizando investimentos pesados em distribuição, e o resultado veio dentro das expectativas.
Banrisul (BRSR6)
O banco registrou forte crescimento anual do lucro, apesar de pressões pontuais.
Resultados:
Lucro líquido: R$ 329 milhões (+67% a/a)
Margem financeira: R$ 1,66 bilhão (+11% a/a)
Receitas de tarifas: R$ 632 milhões (estável)
Inadimplência 90 dias: 2,6% (leve alta)
ROE: 12,2%
Basileia: 17,9%
Apesar de despesas trabalhistas e fiscais, o desempenho é considerado positivo.
JHSF (JHSF3)
A holding de alto padrão surpreendeu com um trimestre excepcional, reflexo da expansão em seus negócios de luxo.
Destaques:
Receita líquida: R$ 517 milhões (+38% a/a)
Ebitda: R$ 338 milhões (+42% a/a)
Lucro líquido: R$ 304 milhões (+118% a/a)
Margem líquida: 59%
Todos os segmentos cresceram, mostrando resiliência do público de alta renda em ambiente de juros elevados.
Agenda econômica do dia
Boletim Focus: inflação 2025 caiu de 4,55% para 4,46%; câmbio projetado foi revisado para R$ 5,40
IBC-Br de setembro: queda de 0,20%, pior que a projeção de -0,10%
Pagamentos de proventos: JCP da Equatorial; dividendos da Caixa Seguridade; vários dados-com do dia
O que esperar do mercado hoje
Com o fim da temporada de balanços, o mercado volta totalmente para o ambiente externo, especialmente:
indicadores atrasados dos EUA,
expectativa por corte de juros do Fed,
comportamento das commodities,
fluxo estrangeiro.
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