A Embraer chega ao segundo semestre de 2026 com uma combinação que ajuda a explicar por que suas ações continuam no radar da Bolsa: receita recorde, carteira de pedidos histórica, aumento das entregas e projeções financeiras mais fortes.
Ao mesmo tempo, a valorização acumulada nos últimos anos elevou os múltiplos da companhia e deixou menos espaço para erros. A discussão, portanto, já não é apenas se a empresa cresce, mas se esse crescimento será suficiente para justificar o preço pago atualmente pelo mercado.
O código de negociação atual das ações da Embraer na B3 é EMBJ3.
Embraer bate recorde de receita e melhora projeções
No segundo trimestre de 2026, a Embraer registrou R$ 11,3 bilhões em receita, maior resultado já obtido pela companhia entre abril e junho. O EBIT ajustado alcançou cerca de R$ 1,5 bilhão, com margem de 13,4%, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
O desempenho levou a fabricante a elevar suas metas para o ano. A projeção de margem EBIT ajustada passou para uma faixa entre 10% e 10,6%, enquanto a expectativa de fluxo de caixa livre ajustado, excluindo Eve, subiu para pelo menos US$ 400 milhões.
| Indicador | Dados recentes |
|---|---|
| Receita no 2T26 | R$ 11,3 bilhões |
| EBIT ajustado | R$ 1,5 bilhão |
| Margem EBIT ajustada | 13,4% |
| Lucro líquido ajustado | R$ 1,1 bilhão |
| Backlog | US$ 34,5 bilhões |
| Aeronaves entregues no 2T26 | 65 |
| Meta de margem EBIT em 2026 | 10% a 10,6% |
| Fluxo de caixa livre projetado | ≥ US$ 400 milhões |
Backlog de US$ 34,5 bilhões sustenta crescimento
Um dos principais pilares da tese da Embraer EMBJ3 está na carteira de pedidos. O backlog alcançou US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, estabelecendo o sétimo recorde trimestral consecutivo.
O valor cresceu 7% frente ao primeiro trimestre e 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Evolução aproximada do backlog:
2T25: US$ 29,7 bi
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1T26: US$ 32,2 bi
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2T26: US$ 34,5 bi
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A Aviação Comercial responde por US$ 15,1 bilhões da carteira. Aviação Executiva soma US$ 7,8 bilhões, Defesa & Segurança chega a US$ 6,1 bilhões e Serviços & Suporte alcança US$ 5,5 bilhões.
Essa diversificação reduz a dependência de uma única área e aumenta a previsibilidade das receitas futuras.
Produção também começa a acompanhar os pedidos
A existência de grandes encomendas não basta. Para transformar backlog em receita e caixa, a Embraer precisa entregar aeronaves dentro do cronograma.
Nesse ponto, os números também melhoraram.
A companhia entregou 65 aeronaves no segundo trimestre, crescimento de 48% sobre os três primeiros meses do ano e de 7% na comparação anual. No primeiro semestre foram 109 aeronaves, cerca de 20% acima das 91 unidades entregues no mesmo intervalo de 2025.
A capacidade de acelerar a produção será um dos indicadores mais importantes para acompanhar nos próximos balanços.
EMBJ3 está cara?
O crescimento operacional veio acompanhado de uma forte valorização das ações. Com cotação de referência em R$ 95,27 no fechamento de 9 de setembro, a Embraer acumulava alta de aproximadamente 7,8% em 2026, depois de avançar 58,97% em 2025 e 150,96% em 2024.
Pelos números dos últimos 12 meses, EMBJ3 negociava perto de 30,3 vezes o lucro, com P/VP de aproximadamente 3,94 e dividend yield ao redor de 1%.
Isso reforça uma característica importante: Embraer continua sendo essencialmente uma tese de crescimento e valorização de capital, e não uma ação voltada à geração de renda com dividendos.
Mesmo assim, o mercado ainda enxergava espaço para avanço. O consenso consultado apontava preço-alvo médio de R$ 111,23, aproximadamente 16,8% acima da referência de R$ 95,27, embora as estimativas variassem significativamente entre analistas.

Quais são os principais riscos?
A maior ameaça pode estar justamente nas expectativas elevadas. Quanto mais caro o valuation, maior tende a ser a reação da Bolsa caso entregas, margens ou geração de caixa decepcionem.
Há ainda riscos ligados à natureza cíclica da aviação, à variação cambial, às cadeias globais de fornecimento e às relações comerciais internacionais.
Em contrapartida, a companhia apresenta dívida líquida relativamente baixa: cerca de R$ 1,58 bilhão diante de R$ 11,17 bilhões em disponibilidades e patrimônio líquido de R$ 17,9 bilhões, segundo dados baseados no balanço de junho.
Embraer cresce, mas preço exige execução
Os fundamentos da Embraer estão mais fortes do que no início do ano. O backlog atingiu novo recorde, as entregas avançaram, a receita alcançou máxima histórica para um segundo trimestre e a administração elevou suas próprias projeções.
O contraponto está no preço.
Com EMBJ3 negociando perto de 30 vezes o lucro dos últimos 12 meses, parte relevante do crescimento esperado já está incorporada à cotação. Isso significa que novos ganhos dependerão cada vez mais da capacidade da Embraer de converter sua carteira bilionária de pedidos em entregas, margens maiores, lucro e geração de caixa.
Para o investidor, portanto, a questão central deixa de ser apenas se a Embraer é uma companhia de qualidade. O ponto passa a ser quanto dessa qualidade já está refletido no preço da ação.
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