O ano de 2025 deixou uma mensagem clara para o investidor de longo prazo: boas empresas não garantem bons resultados quando a alocação erra a mão. Apesar de escolhas sólidas, a carteira terminou o ano praticamente empatada em dividendos, algo raro após anos consecutivos de crescimento.
O problema não foi falta de convicção — foi excesso dela.
Movimentações financeiras do período
Compras totais: aproximadamente R$ 4.800
Vendas: cerca de R$ 310
Lucro acumulado da carteira: ~ R$ 53 mil
Dividendos históricos acumulados: mais de R$ 71 mil
Dividendos em 2025: praticamente iguais aos de 2024, com variação inferior a R$ 10
O dado mais preocupante não foi a queda, mas a estagnação, algo raro em carteiras bem balanceadas.
Distribuição atual da carteira (ações)
| Ativo | Participação | Observação-chave |
|---|---|---|
| Brava Energia (BRAV3) | 42,25% | Excesso de concentração em commodity |
| Sabesp (SBSP3) | Relevante | Tese de concessão e dividendos futuros |
| Comgás | Longo prazo | Fluxo previsível e serviço essencial |
| Horizon / Orizon (ORVR3) | Menor que desejado | Alta opcionalidade e crescimento |
Erro central: concentração exagerada em um ativo que não pagou dividendos no ano, travando o crescimento da renda.
Fundos e “ações disfarçadas”
Alguns ativos classificados como fundos foram tratados como empresas operacionais, devido à natureza do negócio:
BRZP (Porto de Itapoá)
20 Energia
Esses ativos funcionam, na prática, como infraestrutura geradora de caixa, com potencial relevante de dividendos.
Destaques positivos de rentabilidade
| Ativo | Rentabilidade acumulada |
|---|---|
| BRZP | +63% |
| Sabesp | +57% |
| Horizon | Alta consistente |
| Comgás | +31% |
Mesmo com o ano fraco em renda, a qualidade dos ativos se manteve.
O problema da liquidez: a lição da MRS
Um dos aprendizados mais importantes veio da venda da MRS Logística:
Baixíssima liquidez
Spread enorme entre compra e venda
Impossibilidade de montar posição relevante antes do anúncio de dividendos
Conclusão: empresa excelente pode ser inviável para o pequeno investidor se não tiver liquidez suficiente.
Caso Energisa (ENGI4): erro por falta de convicção
Compra na faixa de R$ 6,80 – R$ 7,00
Venda em R$ 7,50
Preço atual próximo de R$ 8,70
Erro: valuation estava correto, mas faltou confiança para manter a posição.
BR Partners (BRBI11) e a lição de Warren Buffett
Inspirado por Buffett, o aprendizado foi claro:
Não se vende um ativo apenas quando ele atinge o preço justo, mas quando fica significativamente acima do valor intrínseco.
Venda antecipada limitou ganhos
O ativo seguiu subindo para níveis bem superiores
Brava Energia (BRAV3): convicção demais cobra seu preço
Grande estudo do setor
Forte convicção na tese
Excesso de compras
Peso desproporcional na carteira
📌 Resultado:
Mesmo acreditando na recuperação futura, o excesso de alocação em um ativo sem dividendos em 2025 travou a renda total da carteira.
Por que os dividendos ficaram estagnados?
Resumo dos fatores:
Excesso de concentração em commodities
Ativos relevantes sem pagamento de dividendos no ano
Menor diversificação setorial
Desbalanceamento entre crescimento e renda
As 5 grandes lições de 2025
Liquidez importa tanto quanto qualidade
Valuation sem convicção gera vendas precoces
Preço justo não é gatilho automático de venda
Excesso de confiança desequilibra a carteira
Dividendos exigem constância, não apostas concentradas
O plano para 2026
Reequilibrar alocação
Acelerar posições em ativos geradores de caixa
Buscar 1.000 cotas/ações em BRZP e 20 Energia
Retomar crescimento consistente dos dividendos
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