A Cemig voltou ao radar após acumular uma queda próxima de 17% desde meados de abril. A correção aumentou o interesse pelas ações, mas a recuperação observada posteriormente reduziu parte da margem de segurança.
A companhia continua apresentando fundamentos relevantes, como concessões de longo prazo, atuação diversificada, expectativa de dividendos e um plano de investimentos próximo de R$ 44 bilhões até 2030. O ponto de atenção é que parte desse potencial pode levar alguns anos para aparecer nos resultados.
Cemig prepara ciclo bilionário de investimentos
A Cemig atua em distribuição, geração, transmissão, comercialização de energia e gás natural. A distribuição é seu principal negócio e concentra a maior parcela dos investimentos planejados.
Do total previsto até 2030, aproximadamente R$ 29 bilhões devem ser destinados à rede de distribuição. A empresa busca ampliar e modernizar seus ativos antes da próxima revisão tarifária periódica, prevista para 2028.
Os investimentos reconhecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica podem ser incorporados à base regulatória da companhia. Na prática, isso permite que a empresa receba uma remuneração sobre os ativos utilizados na prestação do serviço.
A Cemig pretende investir aproximadamente R$ 21,90 bilhões na distribuição entre 2023 e 2027, valor cerca de três vezes superior ao aplicado no ciclo anterior.
Revisão tarifária pode impulsionar resultados em 2028
O principal catalisador da tese está em 2028. Até lá, o crescimento do lucro pode ser mais limitado, especialmente por causa dos juros elevados, do aumento da dívida e da ausência de uma revisão tarifária mais expressiva.
As projeções apresentadas no esboço indicam lucro líquido próximo de R$ 3,70 bilhões em 2026 e 2027. Para 2028, a estimativa avançaria para aproximadamente R$ 5,40 bilhões.
Esse salto dependerá do reconhecimento dos investimentos realizados pela companhia e das condições definidas pela Aneel. Portanto, as projeções não são garantidas.
| Indicador | Número estimado |
| Investimentos até 2030 | R$ 44 bilhões |
| Recursos para distribuição | R$ 29 bilhões |
| Investimentos entre 2023 e 2027 | R$ 21,90 bilhões |
| Lucro projetado para 2026 | R$ 3,70 bilhões |
| Lucro projetado para 2028 | R$ 5,40 bilhões |
| Alavancagem | 2,45 vezes |
| Dividendo projetado | Cerca de R$ 1 por ação |
Dividendos ainda são atrativos?
A Cemig determina em seu estatuto um dividendo obrigatório equivalente a pelo menos 50% do lucro líquido ajustado. No entanto, o pagamento pode variar conforme a necessidade de caixa, os investimentos e o nível de endividamento.
A projeção de aproximadamente R$ 1 por ação representaria um dividend yield perto de 9%, considerando preços ao redor de R$ 11. Esse retorno é estimado e não deve ser tratado como garantido.
O grande programa de investimentos poderá fazer a companhia reter uma parcela maior dos recursos, especialmente se os custos financeiros continuarem elevados.
Cemig, Copel, CPFL ou Celesc?
A Copel já começa a colher os efeitos de investimentos realizados antes de sua revisão tarifária. A companhia também passou por uma transformação após a privatização, reduzindo a percepção de risco político, mas suas ações passaram a negociar com múltiplos mais elevados.
A CPFL Energia oferece maior previsibilidade e gestão privada. Em contrapartida, normalmente apresenta desconto menor, pois sua eficiência operacional já costuma estar refletida no preço.
A Celesc pode oferecer uma margem de segurança superior, mas possui menor liquidez, dívida mais elevada e maior risco político. Por isso, o desconto precisa ser analisado junto com os riscos.
| Empresa | Destaque | Ponto de atenção |
| Cemig | Dividendos e revisão tarifária em 2028 | Dívida e risco político |
| Copel | Eficiência após privatização | Preço mais elevado |
| CPFL | Previsibilidade operacional | Menor desconto |
| Celesc | Potencial de reprecificação | Baixa liquidez |
CMIG4 ainda é oportunidade?
Considerando uma cotação próxima de R$ 11,40 e um preço-teto estimado de R$ 12,50, a margem de segurança seria inferior a 10%. Isso mostra que a ação ainda pode apresentar potencial, mas já não está tão descontada quanto anteriormente.
A tese permanece interessante para investidores que procuram dividendos, exposição ao setor elétrico e crescimento de longo prazo. Entretanto, quem busca uma margem de segurança maior pode preferir esperar uma nova correção.
Preços próximos de R$ 10 tornariam a relação entre risco e retorno mais atrativa. Já uma valorização para a faixa de R$ 13 a R$ 14 poderia indicar que boa parte dos ganhos esperados para 2028 já estaria incorporada.
A Cemig continua sendo uma empresa sólida e com potencial de crescimento. A oportunidade, porém, está ficando mais apertada à medida que CMIG4 recupera valor na Bolsa.
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