A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) voltou a ganhar destaque no mercado de capitais ao entregar um dividend yield de aproximadamente 13,6% nos últimos 12 meses, reforçando sua posição como uma das elétricas mais rentáveis da Bolsa. Além da distribuição generosa de proventos, a empresa conseguiu reduzir o endividamento e manter uma política de dividendos estável, o que tem atraído investidores interessados em renda recorrente.
Nos últimos quatro anos, a Cemig também anunciou mais de 70% em bonificação de ações, impulsionando a valorização das cotas e aumentando o retorno total dos acionistas. Entre 2020 e 2024, a companhia apresentou crescimento expressivo em lucro, receita e eficiência operacional, superando concorrentes como Taesa (TAEE11), Alupar (ALUP11) e ISA Cteep (TRPL4) em diversos indicadores.
Lucros em alta e distribuição consistente de dividendos
De 2018 a 2025, a receita líquida da Cemig saltou de R$ 22 bilhões para R$ 41 bilhões, praticamente dobrando em menos de uma década. O lucro líquido cresceu 73% nos últimos cinco anos, impulsionado por ganhos de eficiência e pela venda estratégica de ativos.
A política de dividendos da empresa determina que pelo menos 50% do lucro líquido seja distribuído aos acionistas, conforme o estatuto social. Em 2024, os proventos somaram R$ 0,81 por ação, o que corresponde a um dividend yield de cerca de 8% sobre o preço atual de R$ 10,89.
Mesmo que parte dos dividendos anteriores tenha sido impulsionada por vendas de ativos, a média histórica de distribuição da Cemig segue próxima de 10% ao ano, garantindo estabilidade aos investidores que buscam fluxo de renda constante.
Dívida sob controle e solidez financeira reconhecida
Um dos principais destaques recentes da Cemig é a redução do custo médio da dívida, que caiu de 15% para cerca de 12% ao ano. Essa queda foi possível por meio de recompra de títulos, novas emissões com juros menores e melhor gestão de passivos. A agência Fitch Ratings atribuiu rating AAA às debêntures da companhia, confirmando a solidez financeira e a baixa percepção de risco de crédito.
O índice de alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) está em torno de 1,5x, considerado saudável para o setor elétrico. Com isso, a Cemig tem espaço para investir em distribuição e transmissão, áreas que concentram a maior parte da geração de caixa. A empresa planeja investir mais de R$ 36 bilhões entre 2019 e 2029, reforçando sua presença em todo o território mineiro e em outros estados.
Comparativo: Cemig supera rivais em rentabilidade
Nos últimos cinco anos, a Cemig apresentou desempenho superior ao de outras grandes elétricas listadas na B3.
Cemig (CMIG4): +237%
Alupar (ALUP11): +103%
Taesa (TAEE11): +115%
ISA Cteep (TRPL4): +67%
Em termos de crescimento de receita, a ISA Cteep lidera com alta de 47%, enquanto a Cemig registrou avanço de 24%. Ainda assim, a mineira se destaca no crescimento de lucros e na geração de caixa, resultado de maior eficiência operacional e controle de custos.
Valuation atrativo e privatização no radar
A ação CMIG4 é negociada atualmente a um preço/lucro (P/L) de 4,7, abaixo da média do setor, que gira em torno de 8. O preço/valor patrimonial (P/VP) está em 1,09, indicando leve desconto em relação ao valor contábil. Segundo o método de Benjamin Graham, o preço justo estimado seria de R$ 22,54, o que revela margem de segurança mesmo com cenários conservadores.
Analistas apontam, porém, que o grande gatilho de valorização da Cemig continua sendo uma eventual privatização. Sem esse movimento, o potencial de alta é considerado limitado, com preço teto estimado entre R$ 9,00 e R$ 10,00. A privatização, se concretizada, poderia destravar valor significativo e colocar a empresa em um novo patamar de rentabilidade e governança.
As ações da Cemig acumulam alta de 8% nos últimos 12 meses, sendo cotadas a R$ 10,77. O papel apresenta suporte técnico na faixa dos R$ 10,45 e resistência próxima a R$ 11,20. Caso rompa essa barreira, analistas projetam alvos em torno de R$ 12,00 no curto prazo.
O baixo free float (cerca de 4%) e o volume reduzido de aluguel de ações indicam menor pressão vendedora, o que ajuda a sustentar o preço atual. Investidores que mantêm a ação em carteiras de aposentadoria relatam rentabilidades acima de 100% em dois anos, com ganhos consistentes graças ao reinvestimento de dividendos.
Mesmo sem a privatização, a Cemig mantém fundamentos sólidos, boa geração de caixa e política de dividendos confiável, consolidando-se como uma das opções mais atrativas do setor elétrico para quem busca renda passiva e estabilidade no longo prazo.
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