O mercado financeiro brasileiro vive um momento de intensa procura pelos títulos públicos. Mesmo com a taxa Selic estacionada em 15% desde junho de 2025 e a expectativa de cortes apenas em 2026, investidores — nacionais e estrangeiros — continuam comprando integralmente as ofertas de papéis do Tesouro Direto.
Juros altos e cenário global
O Brasil hoje figura entre os países com maiores taxas de juros do mundo. Apenas Turquia, Argentina e Rússia registram níveis acima. Entre as 20 maiores economias, o país ocupa a 4ª posição, com juros muito acima de economias como México (7,75%), África do Sul (7%) e Índia (5,5%).
Esse descompasso explica parte da atratividade dos títulos públicos brasileiros. Enquanto grandes economias iniciaram cortes de juros, o Brasil mantém o custo do dinheiro elevado, o que abre espaço para rentabilidade significativa em papéis indexados à Selic, IPCA ou prefixados.
Tesouro Selic: leilões disputados
Nos últimos leilões, a demanda pelo Tesouro Selic 2031 surpreendeu. Em uma oferta de 500 mil títulos, todos foram absorvidos pelo mercado. Quando o Tesouro reduziu a oferta para 150 mil, a procura superou novamente a expectativa, com 100% da colocação.
Esse movimento mostra que, mesmo com projeções de queda nos juros a partir de 2026, os investidores não querem abrir mão do retorno garantido hoje.
IPCA+: queda nas taxas e alta demanda
Os títulos indexados à inflação também seguem em alta. No caso do Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2028, as taxas caíram de 8,08% para 7,93% em apenas um leilão. Situação semelhante ocorreu com vencimentos mais longos, como 2032 (7,69%) e 2045 (7,24%).
Essa queda sinaliza que o mercado está antecipando um ciclo de cortes na Selic, refletindo expectativa de inflação controlada no médio prazo.
Prefixados: aposta na virada em 2026
Os títulos prefixados também foram destaque. Para vencimentos de 2026 e 2027, as taxas giram em torno de 14,7%, mas já apontam queda para 13,44% nos anos seguintes. Isso demonstra que os investidores projetam cortes consistentes nos juros a partir de 2026, reforçando a atratividade desses papéis no médio e longo prazo.
Além disso, papéis com juros semestrais, como o prefixado 2031, têm sido os preferidos de investidores estrangeiros, que buscam previsibilidade e pagamentos regulares.
O que esperar
Curto prazo (até 2025): juros elevados e mercado aproveitando retorno acima da média histórica.
Médio prazo (2026): início esperado do ciclo de cortes pelo Copom.
Longo prazo: tendência de queda nas taxas, mas manutenção da atratividade dos títulos indexados à inflação.
Em resumo, o Tesouro Direto segue no centro das atenções, com demanda crescente mesmo diante de incertezas econômicas e do prolongamento de juros altos. Para o investidor, o momento exige atenção às oportunidades de travar taxas elevadas em papéis de médio e longo prazo.
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