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Início » Últimas Notícias » BBAS3 entra em ciclo difícil: lucro cai, inadimplência sobe e dividendos encolhem
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BBAS3 entra em ciclo difícil: lucro cai, inadimplência sobe e dividendos encolhem

Banco do Brasil entra em fase prolongada de correção operacional, com pressão sobre resultados, provisões elevadas e política de dividendos mais conservadora até 2026
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins24 de janeiro de 20264 minutos lidos
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O Banco do Brasil atravessa um dos momentos mais sensíveis dos últimos anos do ponto de vista operacional. Após um longo período de lucros elevados e dividendos robustos, o banco passou a conviver com queda expressiva de rentabilidade, aumento generalizado da inadimplência e necessidade de reforço relevante de provisões, fatores que mudaram completamente a leitura de curto e médio prazo para a ação BBAS3.

No terceiro trimestre de 2025, o banco registrou lucro líquido recorrente próximo de R$ 3,8 bilhões, refletindo o impacto direto do custo de crédito mais elevado. A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) caiu para patamares próximos de 8%, muito abaixo do nível acima de 20% observado em ciclos anteriores.

Inadimplência cresce em todos os segmentos e pressiona o resultado

Embora o agronegócio tenha sido o principal vetor de deterioração, os dados mostram que a inadimplência aumentou em todas as carteiras, ampliando o desafio da recuperação.

  • Pessoa física: inadimplência acima de 90 dias subiu de cerca de 5% para 6%

  • Pessoa jurídica: avançou de aproximadamente 3,6% para 4%

  • Agronegócio: saltou de menos de 2% para mais de 5%

Esse movimento levou o custo de crédito a subir de 4,17% para cerca de 5,16% em apenas um ano, pressionando diretamente o lucro.

Provisões sobem quase 80% e drenam bilhões do resultado

Outro dado que chama atenção é o crescimento das despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa, que avançaram de aproximadamente R$ 10 bilhões para R$ 17,9 bilhões, uma alta próxima de 78%.

Na prática, isso significa que cerca de R$ 8 bilhões deixaram de reforçar o lucro líquido e foram direcionados para o caixa como proteção contra perdas futuras. Esse fator explica por que o lucro caiu de forma tão intensa mesmo com uma base operacional ainda robusta.

Falhas na estrutura de garantias ampliaram o impacto da crise

O banco também reconheceu que parte da pressão decorre de escolhas anteriores na estrutura de garantias. Em diversas operações, especialmente no crédito rural, foram utilizadas hipotecas, que possuem execução mais lenta e burocrática.

Em comparação, operações com alienação fiduciária permitem retomada mais rápida do bem em caso de inadimplência. Essa diferença retardou a recuperação de garantias e ampliou o impacto das perdas no resultado.

Dividendos entram em modo conservador

Diante desse cenário, o Banco do Brasil adotou uma postura mais cautelosa na remuneração aos acionistas. A prioridade passou a ser preservação de capital, especialmente considerando exigências regulatórias mais rígidas a partir de 2026.

A política atual indica:

  • Payout em torno de 30%

  • Distribuição concentrada em JCP, sujeito a imposto de renda na fonte

  • Manutenção do calendário tradicional, mas com valores menores por ação

Tabela de dividendos e JCP do BBAS3 (valores recentes)

ReferênciaTipoValor por ação (R$)Pagamento
4T24 – complementarDividendo0,14março/2025
4T24 – complementarJCP0,35março/2025
1T25 – antecipadoJCP0,15março/2025
1T25 – antecipadoJCP0,33junho/2025
2T25 – antecipadoJCP0,09junho/2025
3T25 – antecipadoJCP0,07dezembro/2025
3T25 – adicionalJCP0,05dezembro/2025

Observação: valores de JCP sofrem desconto de imposto de renda na fonte para pessoa física.

Projeções para 2026 indicam recuperação lenta

Mesmo com expectativa de melhora gradual, o próprio banco sinaliza que o primeiro semestre de 2026 ainda deve ser pressionado. A recuperação mais consistente tende a ocorrer apenas na segunda metade do ano, conforme os efeitos da nova política de crédito e renegociação de dívidas comecem a aparecer.

As projeções atuais apontam:

  • Lucro estimado em torno de R$ 26 bilhões em 2026

  • Dividendos por ação próximos de R$ 1,26 no ano, antes de impostos

  • Dividend yield abaixo de 5%, já considerando o cenário conservador

Valuation segue em debate

Mesmo com queda significativa nas projeções de lucro e dividendos, a ação BBAS3 apresentou recuo relativamente modesto no preço. Isso levanta o debate sobre se o mercado já precificou totalmente o novo patamar de rentabilidade.

Historicamente, o Banco do Brasil já negociou com P/VP abaixo de 0,6 em momentos de estresse, o que mantém o papel no radar de investidores de longo prazo, mas apenas em cenários de desconto mais profundo.

O Banco do Brasil continua sendo uma instituição sólida, mas vive um ciclo operacional desafiador, marcado por inadimplência elevada, provisões pesadas e dividendos mais modestos. Para o investidor, o momento exige paciência, disciplina e foco no preço, já que a recuperação tende a ser gradual e assimétrica ao longo de 2026.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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