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Início » Últimas Notícias » Banco do Brasil (BBAS3) pode perder força em 2026: entenda o impacto do agro
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Banco do Brasil (BBAS3) pode perder força em 2026: entenda o impacto do agro

Alta dos fertilizantes, conflitos globais e pressão no agronegócio podem impactar resultados, inadimplência e distribuição de dividendos das principais empresas ligadas ao setor
Carlos MenezesPor Carlos Menezes4 de maio de 20264 minutos lidos
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O desempenho de gigantes como Banco do Brasil e BB Seguridade entrou no radar do mercado diante de um cenário mais desafiador para o agronegócio brasileiro — setor que sustenta boa parte dos resultados dessas empresas.

Dados recentes e análises de mercado indicam que o agro atravessa um momento de forte pressão, com aumento de custos, queda de margens e crescimento da inadimplência. Esse contexto tende a afetar diretamente o crédito rural, a contratação de seguros e, consequentemente, os lucros dessas companhias a partir de 2025 e, principalmente, em 2026.

Conflitos globais elevam custos e pressionam toda a cadeia

Um dos principais fatores por trás desse cenário é o aumento da instabilidade internacional, especialmente envolvendo tensões no Oriente Médio, com impacto direto no fluxo de petróleo e fertilizantes.

Cerca de 20% do petróleo mundial passa por regiões estratégicas afetadas por conflitos, o que gera:

  • Alta no preço do combustível
  • Elevação dos custos logísticos
  • Pressão inflacionária global

Além disso, fertilizantes — insumo essencial para o agro — também sofrem com restrições de oferta e aumento de preços. Como cerca de 85% a 90% desses produtos são importados, o impacto no Brasil é imediato.

O resultado é direto: produção mais cara, margens reduzidas e maior risco financeiro para produtores.

Efeito dominó: inadimplência e queda na demanda por crédito

Com o aumento dos custos e redução da rentabilidade no campo, o produtor rural tende a:

  • Contrair menos crédito
  • Postergar investimentos
  • Aumentar o risco de inadimplência

Isso afeta diretamente o Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio no país.

A tendência é de:

  • Menor crescimento da carteira de crédito
  • Aumento da inadimplência
  • Pressão sobre o lucro líquido

Segundo projeções conservadoras, os resultados do banco podem sofrer deterioração já em 2025, com reflexos mais claros em 2026.

BB Seguridade ainda se sustenta, mas com alerta

A BB Seguridade, por sua vez, apresenta maior resiliência, já que seu modelo de negócios é baseado em seguros — um setor mais previsível.

Mesmo assim, o impacto indireto do agro também aparece:

  • Menor contratação de seguros rurais
  • Redução do crescimento operacional
  • Possível queda no lucro projetado

Apesar disso, a empresa ainda se destaca como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa, com projeções próximas de 10% a 11% ao ano, mesmo considerando um cenário mais conservador.

Inflação pode subir e atingir o consumidor

Outro ponto crítico é o efeito no bolso do brasileiro.

Com o aumento dos custos no agro e na logística:

  • Alimentos tendem a ficar mais caros
  • Combustíveis pressionam o transporte
  • Cadeia produtiva repassa custos ao consumidor

Ou seja, o impacto vai além das empresas listadas e pode acelerar a inflação nos próximos meses, principalmente na segunda safra do ano.

Ações estão baratas, mas o risco aumentou

Mesmo com o cenário negativo no curto prazo, analistas apontam que tanto Banco do Brasil quanto BB Seguridade continuam negociando a preços considerados descontados.

O dilema para o investidor é claro:

  • Vale aproveitar os preços baixos agora?
  • Ou esperar melhora do cenário macroeconômico?

O principal risco envolve o chamado “custo de oportunidade”: investir em ativos pressionados enquanto outros setores podem entregar melhores resultados no curto prazo.

O que esperar para 2026

As projeções indicam que:

  • O Banco do Brasil pode enfrentar maior volatilidade e lucros pressionados
  • A BB Seguridade tende a manter bons dividendos, mas com crescimento mais moderado
  • O agro continuará sendo fator-chave para o desempenho das duas empresas

A recuperação depende de fatores externos, como estabilização geopolítica, normalização do comércio global e redução nos custos de produção agrícola.

O cenário atual exige cautela. Apesar de estarem baratas, as ações de Banco do Brasil e BB Seguridade enfrentam desafios relevantes ligados ao agronegócio e ao ambiente global.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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