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Início » Últimas Notícias » Banco do Brasil (BBAS3) cai quase 18% e levanta alerta: ação está barata ou lucro ainda preocupa em 2026?
Ações

Banco do Brasil (BBAS3) cai quase 18% e levanta alerta: ação está barata ou lucro ainda preocupa em 2026?

Após queda forte e resultados abaixo do esperado, banco projeta recuperação para 2026, mas cenário ainda exige cautela
Carlos MenezesPor Carlos Menezes29 de março de 20264 minutos lidos
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As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registraram queda relevante em 2026, saindo da região próxima de R$ 28 para cerca de R$ 22,70 — movimento que representa desvalorização próxima de 18%.

A correção não foi isolada. O setor bancário como um todo passou por ajuste, com diversos bancos apresentando quedas entre aproximadamente 10% e mais de 20% em relação às máximas recentes.

Esse movimento ocorre após um período de valorização expressiva e múltiplos mais elevados, seguido de revisão de expectativas para lucros.

Lucro decepcionante em 2025 explica perda de confiança

O principal fator por trás da queda das ações foi o desempenho abaixo do esperado em 2025.

IndicadorResultado
Lucro líquido 2025~R$ 20,7 bilhões
Expectativa anteriorR$ 37 a R$ 41 bilhões
Queda vs projeçãorelevante

A frustração foi significativa, já que o banco vinha entregando resultados consistentes nos anos anteriores.

Inadimplência dispara e pressiona resultados

O desempenho mais fraco está diretamente ligado ao aumento da inadimplência e ao crescimento das provisões para perdas.

IndicadorAntesDepois
Inadimplência total~3,1%~5,2%
Inadimplência no agro~2%acima de 6%

Além disso, o custo de crédito praticamente dobrou em determinados períodos, pressionando fortemente a rentabilidade do banco.

Esse movimento afetou tanto pessoas físicas quanto empresas, com destaque negativo para pequenas e médias empresas e o setor agropecuário.

Banco segue líder em diversos segmentos

Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, o Banco do Brasil mantém posição relevante no sistema financeiro:

  • Forte presença em crédito no país
  • Liderança em crédito consignado
  • Base relevante de depósitos
  • Estrutura de captação com custo mais baixo que concorrentes
  • Atuação relevante em seguros, previdência e consórcios

Além disso, a instituição possui carteira de crédito próxima de R$ 1,3 trilhão, entre as maiores do Brasil.

Projeções indicam melhora gradual em 2026

Para 2026, o banco projeta recuperação parcial dos resultados, com base em:

  • Redução esperada do custo de crédito
  • Crescimento moderado da carteira
  • Melhora da margem financeira
Indicador20252026 (estimado)
Lucro líquidoR$ 20,7 biR$ 22 a R$ 26 bi
Custo de crédito~R$ 62 biR$ 53 a R$ 58 bi
Crescimento da carteira—0% a 4%

Ainda assim, executivos do banco indicam que o primeiro semestre pode continuar pressionado por provisões elevadas.

Dividendos devem seguir mais modestos

Com payout estimado em torno de 30%, os dividendos tendem a ficar mais baixos no curto prazo.

  • Dividend yield estimado: cerca de 5% a 6% (bruto)
  • Distribuição depende da evolução dos lucros ao longo do ano

Isso reduz o apelo imediato da ação para investidores focados em renda passiva.

Ação está barata? Entenda o valuation atual

Com base nas projeções atuais:

  • Valor de mercado: aproximadamente R$ 129 bilhões
  • Lucro estimado 2026: R$ 22 a R$ 26 bilhões
  • P/L estimado: entre 5 e 6

Historicamente, bancos brasileiros costumam negociar próximos a múltiplos mais elevados.

Isso indica que o Banco do Brasil pode estar negociando com desconto em relação à média histórica — mas essa leitura depende da confirmação da recuperação dos resultados .

Médio prazo pode ser decisivo para investidores

Projeções de mercado indicam recuperação gradual do lucro nos próximos anos, embora ainda abaixo dos níveis registrados em 2023 e 2024.

A lógica que sustenta o interesse de longo prazo inclui:

  • Geração consistente de lucro ao longo dos anos
  • Potencial de recomposição de resultados
  • Crescimento do patrimônio com retenção de lucros

No entanto, essas projeções não são garantidas e dependem de fatores macroeconômicos, especialmente inadimplência e atividade econômica.

Oportunidade com risco no radar

O Banco do Brasil atravessa um momento de transição:

Pontos positivos:

  • Valuation mais baixo após queda
  • Forte posição no sistema financeiro
  • Potencial de recuperação de lucros

Pontos de atenção:

  • Inadimplência elevada
  • Resultados recentes fracos
  • Dividendos menos atrativos no curto prazo

No curto prazo, o cenário ainda é desafiador.
No médio prazo, pode haver oportunidade — desde que a recuperação dos lucros se confirme.

A atual queda reacende o interesse no papel, mas reforça a necessidade de análise cuidadosa antes de qualquer decisão de investimento.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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