As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registraram queda relevante em 2026, saindo da região próxima de R$ 28 para cerca de R$ 22,70 — movimento que representa desvalorização próxima de 18%.
A correção não foi isolada. O setor bancário como um todo passou por ajuste, com diversos bancos apresentando quedas entre aproximadamente 10% e mais de 20% em relação às máximas recentes.
Esse movimento ocorre após um período de valorização expressiva e múltiplos mais elevados, seguido de revisão de expectativas para lucros.
Lucro decepcionante em 2025 explica perda de confiança
O principal fator por trás da queda das ações foi o desempenho abaixo do esperado em 2025.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido 2025 | ~R$ 20,7 bilhões |
| Expectativa anterior | R$ 37 a R$ 41 bilhões |
| Queda vs projeção | relevante |
A frustração foi significativa, já que o banco vinha entregando resultados consistentes nos anos anteriores.
Inadimplência dispara e pressiona resultados
O desempenho mais fraco está diretamente ligado ao aumento da inadimplência e ao crescimento das provisões para perdas.
| Indicador | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Inadimplência total | ~3,1% | ~5,2% |
| Inadimplência no agro | ~2% | acima de 6% |
Além disso, o custo de crédito praticamente dobrou em determinados períodos, pressionando fortemente a rentabilidade do banco.
Esse movimento afetou tanto pessoas físicas quanto empresas, com destaque negativo para pequenas e médias empresas e o setor agropecuário.
Banco segue líder em diversos segmentos
Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, o Banco do Brasil mantém posição relevante no sistema financeiro:
- Forte presença em crédito no país
- Liderança em crédito consignado
- Base relevante de depósitos
- Estrutura de captação com custo mais baixo que concorrentes
- Atuação relevante em seguros, previdência e consórcios
Além disso, a instituição possui carteira de crédito próxima de R$ 1,3 trilhão, entre as maiores do Brasil.
Projeções indicam melhora gradual em 2026
Para 2026, o banco projeta recuperação parcial dos resultados, com base em:
- Redução esperada do custo de crédito
- Crescimento moderado da carteira
- Melhora da margem financeira
| Indicador | 2025 | 2026 (estimado) |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 20,7 bi | R$ 22 a R$ 26 bi |
| Custo de crédito | ~R$ 62 bi | R$ 53 a R$ 58 bi |
| Crescimento da carteira | — | 0% a 4% |
Ainda assim, executivos do banco indicam que o primeiro semestre pode continuar pressionado por provisões elevadas.
Dividendos devem seguir mais modestos
Com payout estimado em torno de 30%, os dividendos tendem a ficar mais baixos no curto prazo.
- Dividend yield estimado: cerca de 5% a 6% (bruto)
- Distribuição depende da evolução dos lucros ao longo do ano
Isso reduz o apelo imediato da ação para investidores focados em renda passiva.
Ação está barata? Entenda o valuation atual
Com base nas projeções atuais:
- Valor de mercado: aproximadamente R$ 129 bilhões
- Lucro estimado 2026: R$ 22 a R$ 26 bilhões
- P/L estimado: entre 5 e 6
Historicamente, bancos brasileiros costumam negociar próximos a múltiplos mais elevados.
Isso indica que o Banco do Brasil pode estar negociando com desconto em relação à média histórica — mas essa leitura depende da confirmação da recuperação dos resultados .
Médio prazo pode ser decisivo para investidores
Projeções de mercado indicam recuperação gradual do lucro nos próximos anos, embora ainda abaixo dos níveis registrados em 2023 e 2024.
A lógica que sustenta o interesse de longo prazo inclui:
- Geração consistente de lucro ao longo dos anos
- Potencial de recomposição de resultados
- Crescimento do patrimônio com retenção de lucros
No entanto, essas projeções não são garantidas e dependem de fatores macroeconômicos, especialmente inadimplência e atividade econômica.
Oportunidade com risco no radar
O Banco do Brasil atravessa um momento de transição:
Pontos positivos:
- Valuation mais baixo após queda
- Forte posição no sistema financeiro
- Potencial de recuperação de lucros
Pontos de atenção:
- Inadimplência elevada
- Resultados recentes fracos
- Dividendos menos atrativos no curto prazo
No curto prazo, o cenário ainda é desafiador.
No médio prazo, pode haver oportunidade — desde que a recuperação dos lucros se confirme.
A atual queda reacende o interesse no papel, mas reforça a necessidade de análise cuidadosa antes de qualquer decisão de investimento.
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