A B3, operadora da bolsa brasileira, colocou 2026 no centro do seu discurso ao apresentar ao mercado um pacote de iniciativas que mira destravar volumes e receitas quando o ciclo de juros começar a virar. Em um momento em que a Selic segue em 15% ao ano (patamar mantido pelo Copom em 10 de dezembro de 2025), a empresa reforçou que está tentando crescer “por dentro” — diversificando fontes de receita e acelerando a agenda de produtos — enquanto espera uma melhora do ambiente macro para “reanimar” a renda variável.
O que mais chamou atenção no Investor Day
1) 54 empresas prontas para abrir capital (e mais gente na fila)
Um dos números que mais repercutiram foi o mapeamento de 54 empresas já com registro “categoria A” na CVM, prontas para um IPO quando a janela reabrir. A leitura é simples: existe oferta potencial represada e, com juros mais baixos e maior apetite por risco, parte dessas companhias pode voltar a testar o mercado.
Além disso, a própria B3 vem apontando que há um universo grande de companhias com porte para chegar à bolsa no médio prazo — um “pipeline” que depende muito de confiança, custo de capital e demanda do investidor.
2) Recompra de até 230 milhões de ações a partir de março de 2026
Outro destaque foi o novo programa de recompra aprovado pela companhia, de até 230 milhões de ações, volume equivalente a cerca de 4,6% dos papéis em circulação, com execução prevista de 2 de março de 2026 a 28 de fevereiro de 2027. Na prática, recompra pode ajudar na gestão de capital e, dependendo de como for implementada (cancelamento, tesouraria ou planos de incentivo), tende a influenciar indicadores por ação.
3) Agenda agressiva de novos derivativos: 19 lançamentos em 2025 e mais 22 no pipeline 2026/2027
A B3 também reforçou a estratégia de expansão do portfólio. Em 2025, a companhia reportou 19 lançamentos em derivativos e listou um pipeline de 22 produtos para 2026/2027, incluindo iniciativas como opções com vencimentos mais curtos e novos contratos (ex.: petróleo) — sempre sujeitos a aprovações regulatórias. A tese é aumentar a “prateleira” para diferentes perfis de investidor e reduzir dependência de um único ciclo.
Por que a Selic é o “driver” número 1 para a B3
A B3 ganha tração quando aumenta o volume negociado (ações, derivativos, ETFs) e quando há mais eventos de mercado (IPOs, follow-ons, maior giro). Só que juros altos costumam frear esse movimento: o investidor migra para renda fixa, o custo de capital sobe e empresas adiam ofertas.
Com a Selic mantida em 15%, o mercado segue atento ao “quando” da inflexão. Lá fora, análises recentes apontam que o BC continua em tom duro e sem sinalizar cortes imediatos, o que empurra expectativas para 2026.
O que muda na “história” da B3: menos dependência da renda variável
No Investor Day e comunicações associadas, a B3 insistiu na ideia de equilíbrio entre linhas de receita:
Procíclicas (mais sensíveis a bolsa “animada”, como ações e derivativos)
Recorrentes (mais ligadas à infraestrutura, dados/soluções e componentes menos voláteis do mercado)
A empresa também destacou investimentos relevantes em tecnologia e evolução do portfólio para sustentar crescimento ao longo do tempo.
Cenários para 2026 que o mercado monitora (na prática)
Sem vender promessa, dá para resumir o “mapa” que investidores costumam olhar ao avaliar B3SA3:
Cenário mais otimista: queda consistente dos juros + melhora do humor com Brasil → mais fluxo para bolsa, retorno do investidor estrangeiro e reabertura mais forte de IPOs. (A fila já existe; falta a janela.)
Cenário intermediário: queda gradual da Selic e retomada parcial do mercado de capitais → alguns IPOs voltam, volumes melhoram, mas sem euforia.
Cenário negativo: juros seguem muito altos por mais tempo, fiscal piora e risco sobe → volumes fracos e IPOs continuam represados.
O recado final para o investidor
O Investor Day deixou uma mensagem clara: a B3 quer chegar em 2026 mais “pronta” para um novo ciclo — com recompra aprovada, produtos no pipeline e um estoque de IPOs mapeado aguardando oportunidade. Ainda assim, o principal gatilho continua sendo macro: o ritmo de queda (ou não) da Selic e o apetite por risco no Brasil.
Nota de transparência: este conteúdo tem caráter informativo e não é recomendação de compra ou venda de ativos.
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