As ações da Ânima Educação, negociadas na B3 pelo código ANIM3, perderam parte do forte impulso observado em 2025. Em julho de 2026, os papéis eram negociados perto de R$ 2,87, acumulando queda no ano, mesmo depois de a companhia apresentar crescimento do lucro, geração de caixa e nova redução do endividamento.
O desempenho mostra que a recuperação operacional da empresa continua, mas já não é suficiente, sozinha, para sustentar a valorização das ações. O mercado passou a exigir crescimento mais consistente das matrículas, expansão de receita e evidências de que a Ânima conseguirá preservar suas margens diante das novas regras da educação a distância.
Ânima aumenta lucro e reduz alavancagem
No primeiro trimestre de 2026, a Ânima registrou lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 106,20 milhões, avanço de 11% em relação ao mesmo período de 2025.
O EBITDA ajustado, desconsiderando os efeitos do IFRS 16, alcançou R$ 375,90 milhões, crescimento de 4,30%. A margem EBITDA ficou em 33,60%, uma redução de 1,10 ponto percentual na comparação anual.
| Indicador | Resultado atualizado |
|---|---|
| Lucro líquido no 1T26 | R$ 106,20 milhões |
| Crescimento do lucro | 11,00% |
| EBITDA ajustado ex-IFRS 16 | R$ 375,90 milhões |
| Crescimento do EBITDA | 4,30% |
| Margem EBITDA | 33,60% |
| Dívida líquida/EBITDA | 2,39 vezes |
| Dividendo aprovado em 2026 | R$ 0,08 por ação |
Um dos principais avanços foi a redução da alavancagem para 2,39 vezes a dívida líquida ajustada sobre o EBITDA, abaixo dos níveis registrados nos anos anteriores. A melhora foi favorecida pela conversão do resultado operacional em caixa e pelo trabalho de reorganização das dívidas.
Em 2025, a companhia já havia elevado sua receita líquida para R$ 4,02 bilhões, alta de 5,80%, enquanto o EBITDA ajustado avançou 11,20%, para R$ 1,21 bilhão. O lucro anual subiu de R$ 85 milhões para R$ 124 milhões, crescimento de 45,30%.

Dividendos voltaram, mas valor ainda é pequeno
A Ânima também aprovou em 2026 a distribuição de aproximadamente R$ 29,30 milhões em dividendos, equivalentes a cerca de R$ 0,08 por ação.
O pagamento reforça a recuperação financeira da companhia, mas ainda não transforma ANIM3 em uma ação voltada prioritariamente à renda passiva. A maior parte da tese continua baseada na redução da dívida, na expansão dos resultados e na possível valorização dos papéis.
Novo marco da EAD aumenta a incerteza
O ambiente regulatório permanece entre os principais riscos. O Decreto nº 12.456, publicado em maio de 2025, estabeleceu novas exigências para os cursos de graduação a distância.
As regras criaram formatos presenciais, semipresenciais e EAD, aumentaram as exigências de atividades presenciais e impediram que determinados cursos fossem oferecidos integralmente a distância.
Para a Ânima, a adaptação pode elevar custos com unidades, professores, polos, avaliações e infraestrutura. Por outro lado, empresas maiores e com marcas consolidadas podem ganhar espaço caso instituições menores tenham dificuldades para cumprir as novas exigências.

ANIM3 está barata ou ainda oferece riscos?
A melhora dos resultados demonstra que a recuperação da Ânima não depende apenas de especulação. A companhia voltou a apresentar lucro, ampliou o EBITDA, reduziu a alavancagem e retomou o pagamento de dividendos.
Entretanto, o endividamento continua relevante, enquanto os juros elevados encarecem o custo financeiro e reduzem a capacidade de consumo das famílias. A empresa também disputa alunos com grupos como Cogna, Yduqs, Ser Educacional e Cruzeiro do Sul Educacional.
ANIM3 pode representar uma oportunidade de recuperação caso a Ânima mantenha o crescimento do lucro e leve a alavancagem para níveis ainda menores. Porém, o papel continua mais adequado a investidores que aceitam volatilidade e riscos de execução.
A queda de 2026 mostra que o mercado ainda não considera a recuperação concluída. Antes de comprar, o investidor deve acompanhar principalmente a captação de alunos, a evasão, as margens, a geração de caixa e os efeitos definitivos do novo marco da EAD.
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