Mesmo com o Ibovespa acima de 164 mil pontos e a bolsa brasileira vivendo um dos ciclos altistas mais fortes dos últimos anos, analistas continuam encontrando oportunidades no mercado de dividendos — mesmo em um cenário onde várias ações já bateram o preço teto e reduziram suas margens de segurança.
Uma carteira atualizada de ações focadas em proventos trouxe empresas consolidadas, defensivas e, ao mesmo tempo, ativos que enfrentam momentos mais difíceis, mas que ainda carregam potencial de recuperação e pagamentos robustos.
A combinação entre dividendos altos, possibilidade de antecipações e empresas resilientes faz com que, mesmo em topo histórico de mercado, algumas ações sigam atrativas para investidores que desejam montar posição a partir de agora.
As maiores posições: AX Energia, Itaúsa, Alupar e Vivo
AX Energia (Eletrobras — AURE3/AXIA3)
A companhia é hoje uma das queridinhas do mercado de dividendos. Mesmo após forte alta em 2024 e 2025, a tese continua baseada na previsibilidade de pagamento:
Dividendos ordinários recorrentes com capacidade de continuidade;
Antecipações que ainda serão distribuídas nos próximos anos;
Potencial de manter payout elevado com base na estrutura atual.
Para quem já tem posição, analistas destacam manutenção. Para novos investidores, o risco é entrar após forte valorização — o que reduz a margem de segurança.
Itaúsa (ITSA4)
Mesmo com a valorização recente, a ação segue com margem de segurança considerada “aceitável”. O motivo é simples:
Itaú continua entregando resultados sólidos;
Histórico extenso de consistência;
Dividendos previsíveis e constantes;
Crescimento orgânico estável mesmo em mercados voláteis.
ITSA4 segue como um dos principais pilares para quem busca carteira de dividendos conservadora.
Alupar (ALUP11) — visão divergente
Apesar de estar presente na carteira recomendada, muitos analistas não veem momento favorável para Alupar:
Dividendos historicamente baixos;
Preço ainda sem relação compatível com yield mínimo desejado;
Falta de margem de segurança nos últimos anos;
Outras elétricas chegaram a ter oportunidades mais claras que ALUP, como IS Energia e Taesa (em momentos específicos).
Vivo (VIVT3)
A ação mantém presença estável por oferecer:
Previsibilidade de caixa;
Negócio defensivo;
Dividendos constantes;
Crescimento moderado, porém consistente.
É o tipo de ação que sustenta um portfólio conservador, mas sem grande expectativa de explosão de valorização.
Ações que enfrentam dificuldades, mas continuam na carteira
Banco do Brasil (BBAS3)
Mesmo com volatilidade recente e curto prazo pouco favorável, analistas seguem considerando o banco como posição válida:
ROE elevado;
Margem financeira resiliente;
Desconto em relação aos pares;
Dividendos acima da média do setor;
Expectativa de recuperação de preço no médio prazo.
A tese é clara: empresa boa, barata e com fundamento sólido, mas passando por ruído de mercado.
Auren (AURE3)
A elétrica vive momento conturbado, mas não ao ponto de ser descartada:
Alavancagem mais alta;
Resultados abaixo do esperado;
Potencial de melhorar margens;
Espaço para recuperação operacional.
Mesmo assim, para novos aportes, outras elétricas podem ser mais vantajosas.
Petrobras e a ausência da Vale: pontos que chamam atenção
Petrobras (PETR4)
Considerada uma das posições mais fortes da carteira:
Dividend yield ainda próximo dos 10%;
Forte geração de caixa;
Política atual favorece distribuição;
Potencial de extraordinários.
Mesmo com volatilidade do petróleo, segue atrativa para dividendos.
Vale (VALE3) — a grande ausência
Alguns analistas consideram que a Vale poderia facilmente ocupar espaço na carteira, especialmente porque:
Durante meses esteve em forte desconto;
Teve upside expressivo recentemente;
Dividendos extraordinários se mantêm possíveis;
Setor retomou dinamismo em 2025;
Seria alternativa mais forte para posições ocupadas por Auren, Vivo ou Alupar.
Devo vender as ações que subiram muito? Analistas dizem que não
Uma discussão recorrente entre investidores é:
“Devo vender quando tudo sobe e recomprar na queda?”
Segundo especialistas, o movimento pode ser um erro estratégico, pelos seguintes motivos:
Nunca se sabe quando a correção virá;
O mercado pode ficar anos sem quedas profundas;
Reduzir posição diminui dividendos futuros;
Perder os melhores pregões de uma década destrói retornos.
Estudos mostram que perder apenas 20 dos melhores dias em 20–30 anos reduz drasticamente sua rentabilidade total.
Manter-se comprado tende a ser a decisão mais vantajosa no longo prazo.
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